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ÍCONE ORTODOXO CONTRA O ABORTO

Leitura do icone:

Jesus Cristo, vencedor da morte, surge protegendo e abençoando, abaixo dele, uma família cristã (é de se notar os trajes modernos que vestem). Família, aliás, numerosa (pai, mãe e seis filhos). O pai carrega um dos filhos (como São José, que carrega o Menino Deus, tradicional imagem da iconografia cristã) e traz o alimento da família na mão esquerda. A mãe embala o filho ainda bebê e alimenta uma outra criança. São figuras tradicionais do pai e da mãe cristãos, essencial para o desenvolvimento dos filhos.

Acima da família cristã, surge a Sagrada Família de Nazaré. Maria carrega, em seu colo, o Senhor Deus, nascido de seu puríssimo ventre. São José, por sua vez, carrega uma criança envolta em panos brancos, símbolo, na iconografia tradicional, da alma das crianças inocentes assassinadas.

Abaixo da família cristã, numa imagem bastante contundente, temos a “Arrependida”, isto é, a mãe que, tendo cometido o monstruoso crime do aborto, chora, agora, o filho que ela própria matou. Veste-se de vermelho, o que representa o sangue inocente por ela derramado.

Na parte esquerda inferior, há a figura da mãe solteira. De um lado, ela pecou e consentiu em relações pré-nupciais (talvez, seja por isto que parte de sua vestimenta é vermelha, cor da luxúria), mas, por outro lado, manteve-se firme frente à tentação de abortar e, agora, carrega (não sem o auxílio de Deus) a Cruz de ser mãe sem a ajuda e o suporte de um esposo. Cruz esta que, se bem vivida, será sua porta de entrada para o céu depois que findar sua peregrinação terrestre.

Passemos, agora, às trevas!

Na parte direita do ícone, vemos sentada, num trono vermelho, uma rainha, chamada de “Novo Herodes”. É o próprio aborto personificado, que, como o Herodes o fez outrora, promove a matança dos inocentes no mundo moderno. Ela espezinha e massacra vários bebês e recebe ainda outros (todos em posição fetal) que as mulheres lhe oferecem. Estas mulheres estão à sua frente e personificam (de baixo para cima) a crueldade, a futilidade, a indiferença e a luxúria, sem as quais a monstruosidade do aborto não ocorreria. Ao fundo, vemos um “médico”. No original, a palavra é também grafada entre aspas, pois, sob a aparência de um médico (que deveria usar seus talentos apenas para salvar vidas), encontra-se um assassino frio, que passa uma espada no ventre de um bebê indefeso. Se o leitor reparar bem, seu bolso está cheio de dinheiro, pois se enriquece com a matança que ele próprio promove. Ao fundo, a imagem de um dragão, a Antiga Serpente, o chamado Diabo ou Satanás, que, sedutor do mundo inteiro, seduz o “médico”, colocando-o ao seu serviço. Pois, todos os que se colocam a serviço, direito ou indireto, do aborto, estão a serviço direto de Satanás.

Que deles (e de todos nós) o Senhor Deus tenha piedade.

Por Alexandre Semedo

Fonte: Veritatis Splendor

Galileu Galilei nunca foi condenado pela Igreja

Roma, 27 nov (RV) – O Pontifício Conselho para a Cultura organizou, ontem à tarde, em Roma, um Congresso que teve como tema: “A ciência, 400 anos depois de Galileu Galilei: o valor e a complexidade ética da pesquisa tecno-científica contemporânea”.

O encontro foi promovido em parceria com a Finmeccanica - Grupo industrial italiano que atua no setor de alta tecnologia em Espaço aéreo, Defesa e Segurança. Os trabalhos foram inaugurados pelo cardeal Secretário de Estado, Tarcisio Bertone. A seguir, houve uma série de conferências, que contou com a participação do padre George Coyne, jesuíta, diretor emérito do Observatório Vaticano, e do presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, Dom Gianfranco Ravasi. Em seu pronunciamento, o Cardeal Bertone afirmou que “no passado, alguns homens da Igreja cometeram erros em relação a Galileu Galilei, devido à mentalidade da época. Entretanto, o grande cientista italiano foi um homem de profunda fé cristã”. O Secretário de Estado acrescentou: “O pensamento volta, mais uma vez, a Galileu Galilei. Nos últimos anos, houve descobertas que preencheram as lacunas de eclesiásticos e deram maior destaque à rica personalidade deste cientista. Ele, com seu telescópio astronômico, chegou à conclusão de que a Terra não era o centro de todos os movimentos celestes”. O cardeal Bertone concluiu, dizendo: “O que deveria ser colocado em evidência, hoje, é que Galileu, homem de ciência, também cultivou com amor sua fé e suas profundas convicções religiosas. Este homem de fé via a natureza como um livro, cujo autor era Deus”.

Por outro lado, “o processo da Inquisição contra Galileu foi concluído efetivamente com uma sentença de condenação, que nunca foi assinada pelo Papa e sobre a qual houve um grave desacordo entre os Cardeais”, disse, por sua vez, o arcebispo Gianfranco Ravasi, que acrescentou: Por isso, o Vaticano pretende voltar a publicar as atas do processo de Galileu Galilei para "refrescar a memória" daqueles que criticam a Igreja sobre o caso, uma vez que ele "nunca foi condenado".

Neste sentido, disse o arcebispo, “o envolvimento da Igreja e da reflexão teológica estará ao centro do tema da evolução biológica”, que voltará, no próximo ano, por ocasião do segundo centenário de nascimento de Darwin e os 150 anos da “Origem das espécies”. Por isso, o Pontifício Conselho para a Cultura patrocinará, em março de 2009, um encontro que unirá “a voz da ciência com as vozes da filosofia e da teologia, cada uma com a sua dignidade e linguagem”. (MT)

A fé põe em maior evidência a devida autonomia das questões terrestres

Em recente discurso aos participantes na sessão plenária da Pontifícia Academia das ciências socias o Papa Bento XVI disse que "os olhos da fé permitem-nos vislumbrar que as cidades celestes e as cidades terrenas se compenetram de forma mútua e estão intrinsecamente ordenadas umas para as outras, uma vez que ambas pertencem a Deus Pai, que "está acima de tudo, age por meio de todos e se encontra em todos" (Ef 4, 6). Ao mesmo tempo, a fé põe em maior evidência a devida autonomia das questões terrestres, uma vez que elas são "dotadas de consistência, verdade, bondade, leis próprias e ordem" (Gaudium et spes, 36). "
Mais adiante fala da subsidiariedade, da livre iniciativa individual e do amor como "o melhor de todos os caminhos".
"Quando se põem em sintonia com a aspiração natural do homem a um autogoverno fundamentado na subsidiariedade, as pessoas responsáveis pelo bem público deixam espaço à responsabilidade e à iniciativa dos indivíduos mas, o que é mais importante, reservam espaço ao amor (Rm 13, 8; Deus caritas est, 28), que permanece sempre "o melhor de todos os caminhos" (cf. 1 Cor12, 31). "
Finalizando o seu discurso o papa incentiva, os participantes da sessão, à que "procurais delinear os melhores modos para os homens e as mulheres promoverem o bem comum, e encorajo-vos a observar as dimensões "vertical" e "horizontal" da solidariedade e da subsidiariedade."
Fonte: Vatican.va
(Sessão plenária da Pontifícia Academia das ciências socias )

'Não há oposição entre o entendimento pela fé e a prova da ciência empírica'

O papa Bento XVI disse recentemente para um grupo de cientistas, incluindo o cosmólogo britânico Stephen Hawking, que não há contradição entre acreditar em Deus e na ciência. Bento 16, que se reuniu brevemente com físicos durante evento da Academia Pontifícia de Ciências, descreveu a ciência como uma busca pelo conhecimento da criação de Deus. "Não há oposição entre o entendimento pela fé e a prova da ciência empírica", disse o papa. "Galileu viu a natureza como um livro cujo o autor é Deus".

Òtimos textos para refletir

Vale apena visitar a seção de Filosofia da Quadrante (Socidedade de Publicações Culturais).

Cardeal Rilko denuncia a "nova ordem mundial"

"Está ganhando espaço a pretensão de criar um homem novo completamente desarraigado da tradição judaico-cristã, uma nova ordem mundial".
Assim afirmou o cardeal Stanislaw Rylko, presidente do Conselho Pontifício para os Leigos, durante a abertura da XXIII Assembléia Plenária deste dicastério, no Vaticano, com o título «Vinte anos após a Christifideles laici: memória, desenvolvimento, novos desafios e tarefas», informa L'Osservatore Romano em sua edição desta sexta-feira.
O purpurado analisou a situação atual das sociedades ocidentais, caracterizadas pela «ditadura do relativismo», e denunciou a aparição de um «novo anti-cristianismo» que «faz passar por politicamente correto atacar os cristãos, e em particular os católicos». Hoje, advertiu, «quem quer viver e atuar segundo o Evangelho de Cristo deve pagar um preço, inclusive nas sumamente liberais sociedades ocidentais». «Está ganhando espaço a pretensão de criar um homem novo completamente desarraigado da tradição judaico-cristã, uma nova ordem mundial», acrescentou. O problema, explicou o cardeal Rylko, não é «o de ser uma minoria, mas o de ter-nos transformado em marginais, irrelevantes, por falta de valor, para que nos deixem em paz, por mediocridade». Este momento, explicou, é a «hora dos leigos», de sua «responsabilidade nos diversos âmbitos da vida pública, desde a política à promoção da vida e da família, do trabalho à economia, da educação à formação dos jovens». Esta intuição do Concílio Vaticano II foi desenvolvida, explicou o purpurado, pela exortação apostólica Christifideles laici de João Paulo II, «um verdadeiro vademécum para toda a Igreja». Neste sentido, o cardeal Angelo Scola, que interveio a seguir, assinalou que o conceito de laicidade marca «uma nova etapa no diálogo com o mundo contemporâneo», e defendeu neste ponto o necessário testemunho dos cristãos na política. «Os leigos – explicou – estão chamados a procurar, pouco a pouco, uma justa ordem social. É uma tarefa intensa a que os espera, tanto na vida pessoal como comunitária, que supõe assumir de forma valente e criativa seu dever evangelizador.»

A verdade científica é em si mesma uma participação na Verdade divina

"Estou cada vez mais convicto de que a verdade científica, que é em si mesma uma participação na Verdade divina, pode ajudar a filosofia e a teologia a comprender cada vez mais plenamente a pessoa humana e a Revelação de Deus acerca do homem, uma Revelação que se completa e se aperfeiçoa em Jesus Cristo. "
Discurso do Papa João Paulo II
na Pontifícia Academia das Ciencias 10/11/2003

Santo Agostinho: Um modelo na relação entre fé e razão

Cidade do Vaticano, 30 jan (RV) - "Um modelo na relação entre fé e razão": é o que representa o itinerário intelectual e espiritual de Santo Agostinho, segundo Bento XVI. Esse foi o tema da reflexão do papa, na Audiência Geral desta quarta-feira, na Sala Paulo VI, no Vaticano.
Agostinho buscava uma religião que fosse expressão da sua razão, e sua radical sede de verdade o distanciou _ quando adolescente _ da fé católica, mas, ao mesmo tempo, o induziu a não se satisfazer com aquelas filosofias que não o conduziam à própria verdade, que lhe apresentavam deus como última hipótese cosmológica, e não o Deus que dá vida. Essa busca _ explicou Bento XVI _ levou Santo Agostinho, bispo de Hipona _ atual Annaba, na Argélia _ à "síntese entre fé e razão".
"Essas duas dimensões _ fé e razão _ não devem ser separadas nem contrapostas, mas, sobretudo, devem caminhar sempre juntas. Como escreveu o próprio Agostinho pouco antes de sua conversão, fé e razão _ diz no Contra Academicos _ são as duas forças que nos levam a conhecer.""Crer para compreender" e "compreender para crer": são essas as fórmulas agostinianas que sintetizam o ponto de chegada desse Padre da Igreja que viveu entre os séculos IV e V."O crer abre a estrada para atravessar nas portas da verdade... mas também, inseparavelmente, compreende, vê a verdade para poder encontrar Deus e acreditar."
Harmonia entre fé e razão _ disse ainda o papa _ "significa que Deus não está distante, mas, pelo contrário, que está próximo de todo ser humano, e que está próximo tanto do seu coração quanto de sua razão".
"A presença de Deus no homem é profunda e, ao mesmo tempo, misteriosa, pode ser reconhecida e descoberta no próprio íntimo. Como Agostinho ressalta, no início das Confissões, "'Fizeste-nos para Ti e o nosso coração estará inquieto enquanto não repousar em Ti". O distanciamento de Deus equivale, então, ao distanciamento de si mesmo."
"O homem é um grande enigma, é um grande abismo, enigma e abismo que somente Cristo ilumina e salva. Isso é importante: um homem que está distante de Deus, está distante de si mesmo, é alienado de si mesmo e pode reencontrar a si mesmo somente encontrando-se com Deus, assim chega também a si, a seu verdadeiro eu, à sua verdadeira identidade."
"O ser humano é social por natureza, mas anti-social por vício" _ lê-se na obra "A cidade de Deus" de Santo Agostinho: é aquilo que é evidente também hoje _ disse o papa, acrescentando o que especifica o Padre da Igreja, ou seja, que é Cristo quem salva o homem, Ele que é "único mediador entre Deus e a humanidade".
O papa finalizou, recordando a carta apostólica de João Paulo II dedicada a Santo Agostinho, a Augustinum Hipponensem, escrita em 1986, no 16º centenário da conversão do santo. Para o papa Wojtyla, Agostinho ensina ao homem de hoje que a esperança de encontrar a verdade existe.

Que a razão jamais deixe de procurar a verdade

Cidade do Vaticano, 17 jan (RV) - Bento XVI lança um apelo a não cansar-se de buscar a verdade, no discurso que teria proferido pessoalmente, durante sua cancelada visita à Universidade romana "La Sapienza". A visita foi cancelada em decorrência da falta de "pressupostos para um acolhimento digno e tranqüilo" _ como escreveu o cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, numa carta endereçada ao reitor da Universidade, Renato Guarini.
O texto de Bento XVI é hino à liberdade e à responsabilidade da razão, que não deve fechar-se à grande mensagem que vem da fé.
Mas _ pergunta-se Bento XVI _ "o que o papa tem a fazer ou a dizer na Universidade"?
"Seguramente _ ressalta _ não deve procurar impor a outros, de modo autoritário, a fé, que pode ser somente doada em liberdade." Sua tarefa, ao invés, é "manter firme a sensibilidade pela verdade".
Cita Sócrates: sobre o interrogar-se desse filósofo grego nasce o primeiro germe da Universidade. É a "sede de conhecimento... que é própria do homem. Ele quer saber o que é tudo aquilo que o circunda. Quer a verdade". Assim, os cristãos dos primeiros séculos _ recorda o papa _ reconheceram-se a si mesmos naquele interrogar-se socrático, naquela "busca árdua da razão, para alcançar o conhecimento da verdade inteira".
O pontífice convida a não perder "a coragem da verdade", a não desviar-se "da busca da verdade", mas a permanecer "em caminho, com os grandes que ao longo da história lutaram e procuraram, com suas respostas e com suas inquietações pela verdade, que remete continuamente, para além de cada resposta individual".
"A verdade _ precisa Bento XVI _ jamais é somente teórica." E citando Santo Agostinho, recorda que "o simples saber... entristece". De fato, "quem vê e toma conhecimento somente de tudo aquilo que se dá no mundo, acaba por tornar-se triste. Mas a verdade significa mais que saber: o conhecimento da verdade tem como finalidade o conhecimento do bem."
"Esse _ especifica _ é também o sentido do interrogar-se socrático: qual é o bem que nos torna verdadeiros? A verdade nos torna bons, e a bondade é verdadeira: é esse o otimismo que vive na fé cristã, porque a ela foi concedida a visão do Logos, da Razão criadora que, na encarnação de Deus, se revelou junto como o Bem, como a própria Bondade.
"A seguir, o Santo Padre recorda "o mérito histórico de Santo Tomás de Aquino", que, "diante da diferente resposta dos Padres da Igreja por causa de seu contexto histórico, "evidenciou a autonomia da filosofia da teologia e, portanto, "o direito e a responsabilidade próprios da razão, que se interroga baseada em suas forças".
O papa afirma que "filosofia e teologia devem relacionar-se entre si "sem confusão e sem separação". "Sem confusão" significa que cada uma das duas deve conservar a própria identidade".
"A filosofia deve permanecer verdadeiramente uma busca da razão na própria liberdade e na própria responsabilidade; deve ver os seus limites e justamente assim também a sua grandeza e vastidão."
"A teologia deve continuar recorrendo a um tesouro de conhecimento que ela mesma não inventou, que sempre a supera e que, jamais sendo totalmente exaurível mediante a reflexão, justamente por isso ativa sempre novamente o pensamento.
"Ao mesmo tempo, não deve haver separação: "a filosofia não recomeça cada vez do ponto zero" daquele que pensa de modo isolado, fora da história, mas se insere "no grande diálogo da sabedoria histórica" sem "fechar-se diante daquilo que as religiões e, em particular, a fé cristã, receberam e doaram à humanidade como indicação do cominho".
Efetivamente _ afirma o pontífice _ "várias coisas ditas pelos teólogos ao longo da história ou também traduzidas na prática pelas autoridades eclesiais se demonstraram falsas pela história e hoje nos confundem. Mas, ao mesmo tempo, é verdade que a história dos santos, a história do humanismo cresceu baseada na fé cristã, que demonstra a verdade dessa fé em seu núcleo essencial, tornando-a com isso também uma instância para a razão pública".
O papa recorda com gratidão, as conquistas da humanidade no âmbito do conhecimento e dos direitos humanos. "Mas o caminho do homem _ acrescentou _ nunca pode dizer-se completado, e o perigo da queda na desumanidade jamais está totalmente esconjurado."
"O perigo do mundo ocidental... é hoje, que o homem, justamente em consideração à grandeza de seu saber e poder, se renda diante da questão da verdade", prosternado "diante da pressão dos interesses e da atração da utilidade".
Bento XVI cita o filósofo Jürgen Habermas, que fala em âmbito político da "sensibilidade pela verdade", que muitas vezes é sufocada pelos interesses particulares. A mensagem cristã _ afirma _ quer sempre ser "um encorajamento à verdade e assim uma força contra a pressão do poder e dos interesses".
Por isso, convida a não confinar a fé à esfera privada, "com sua mensagem dirigida à razão". De fato, se "a razão _ solícita de sua presumível pureza _ se torna surda à grande mensagem que vem da fé cristã e da sua sabedoria, ela se torna árida" e "não se torna maior, mas menor". Assim, a nossa cultura européia: se se preocupa somente com a sua laicidade, "se se separa das raízes das quais vive", "não se torna mais racional e mais pura, mas se descompõe e se esfacela".
Por fim _ volta a perguntar-se Bento XVI _: "O que o papa tem a fazer ou a dizer na Universidade?
"Simplesmente isto: "Convidar sempre e novamente a razão a colocar-se em busca do verdadeiro, do bem, de Deus e, nesse caminho, exortá-la a notar as úteis luzes surgidas ao longo da história da fé cristã e a perceber, assim, Jesus Cristo como a Luz que ilumina a história e ajuda a encontrar o caminho rumo ao futuro." (RL/AF)

Papa propõe diálogo fecundo entre filosofia e teologia

Por Inmaculada Álvarez

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 9 de junho de 2008 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI afirmou ontem que, na situação atual de crise da modernidade, é urgente voltar a propor um «diálogo fecundo» entre a filosofia e a teologia, durante uma audiência concedida aos participantes no VI Simpósio Europeu de Professores Universitários.

Professores de 26 países europeus, junto com o cardeal Camillo Ruini, bispo vigário para a diocese de Roma, foram recebidos pelo Papa na Sala Clementina do Vaticano, após concluir este Simpósio que aconteceu em Roma de 5 a 8 de junho, sobre o tema «Ampliar os horizontes da racionalidade. Perspectivas para a filosofia».

O Santo Padre afirmou que a atual crise da modernidade «não é sinônimo do declínio da filosofia», mas que, ao contrário, «a filosofia deve empenhar-se em um novo caminho de busca para compreender a verdadeira natureza desta crise».

«O desejo de plenitude da humanidade não pode ser esquecido: são necessárias propostas adequadas. A fé cristã está chamada a encarregar-se desta urgência histórica, implicando todos os homens de boa vontade em uma empresa similar.»

O novo diálogo entre a fé e a razão, continuou o Papa, «não pode ser dado nos termos e nos modos em que se desenvolveu no passado. Se não quiser ver-se reduzido a um exercício intelectual estéril, deve partir da situação concreta do homem, e sobre ela desenvolver a reflexão que recolha a verdade ontológico-metafísica».

«Desde o início de meu pontificado, escuto com atenção os pedidos que me chegam dos homens e das mulheres de nosso tempo, e à luz de tais expectativas quero oferecer uma proposta de pesquisa que me parece que poderá suscitar interesse para o relançamento da filosofia e de seu papel insubstituível dentro do mundo acadêmico e cultural.»

«A modernidade, quando bem compreendida, revela uma ‘questão antropológica’ que se apresenta de uma maneira muito mais complexa e articulada que tudo o que previam as reflexões filosóficas dos últimos séculos, sobretudo na Europa.» Não se trata de um mero fenômeno cultural, adverte o Papa, mas implica «uma mais exata compreensão da natureza do homem».

Na busca de soluções a esta «prolongada crise», o Santo Padre considera significativo que muitos pensadores contemporâneos proponham uma abertura às religiões, e em particular ao cristianismo: «é um sinal evidente do desejo sincero de tirar a reflexão filosófica da auto-suficiência».

Frente a isso, o Papa recorda que o cristianismo faz, «desde os inícios da história», uma escolha clara entre o pensamento mítico e a filosofia, a favor da segunda. «Esta afirmação, que reflete o caminho do cristianismo desde seus inícios, revela-se plenamente atual no contexto histórico cultural que estamos vivendo».

«De fato, só a partir desta premissa, que é histórica e teológica ao mesmo tempo, é possível sair ao encontro das novas perspectivas da reflexão filosófica.»

Mas neste caminho há dois riscos que o cristianismo deve evitar: por um lado, o de ser instrumentalizado como um «fenômeno sub-reptício», ou seja, oculto: e por outro, o de que a fé cristã fique no «mundo abstrato das teorias».

«A fé cristã deve ser conduzida a uma experiência histórica concreta que chegue ao homem na verdade mais profunda de sua existência. A compreensão do cristianismo com real transformação da existência do homem, se por um lado impulsiona a reflexão filosófica a uma nova aproximação da religião, por outro a anima a não perder a confiança em poder conhecer a realidade», afirmou.

O Papa afirmou que é necessário promover «centros acadêmicos de alto perfil, nos quais a filosofia possa dialogar com o restante das disciplinas, especialmente com a teologia, favorecendo novas sínteses culturais idôneas que orientem o caminho da sociedade».

«Confio em que as instituições acadêmicas católicas sejam disponíveis à realização de verdadeiros laboratórios culturais.»

O Papa também crê que seja necessário «convidar os jovens a empreender estudos filosóficos». «Estou certo de que as novas gerações, com seu entusiasmo, saberão responder generosamente às esperanças da Igreja e da sociedade.»

«A proposta de ‘ampliar os horizontes da racionalidade’ não deve, portanto, ser contada entre as novas linhas do pensamento filosófico e teológico, mas deve ser entendida como a necessidade de uma nova abertura para a realidade à qual a pessoa humana, em sua uni-totalidade, está chamada, superando antigos preconceitos e reducionismos, para abrir assim o caminho para uma verdadeira compreensão da modernidade.» FONTE: Zenit

Instituto John Henry Newman

Do Instituto John Henry Newman (Universidade Francisco de Vitoria)

Por Inmaculada Álvarez

MADRI, quinta-feira, 29 de maio de 2009 (ZENIT.org).- O Instituto «John Henry Newman», da Universidade Francisco de Vitoria (Madri, Espanha), lançou um site (www.elsentidobuscaalhombre.com) no qual se pretende oferecer um espaço de diálogo entre a fé e a razão, abordando, segundo seus criadores, «as perguntas sobre o sentido da existência humana que os homens sempre se fizeram, e que hoje parecem esquecidas».

FONTE: ZP08052904 - 29-05-2008 Permalink: http://www.zenit.org/article-18575?l=portuguese

A própria razão é uma questão de fé

Da Ortodoxia, de Chesterton: "A própria razão é uma questão de fé. É um ato de fé afirmar que nossos pensamentos têm alguma relação com a realidade por mínima que seja."

Relação entre fé e razão, desafio atual

Queridos irmãos e irmãs!

O calendário litúrgico recorda hoje São Tomás de Aquino, grande doutor da Igreja. Com o seu carisma de filósofo e de teólogo, ele oferece um válido modelo de harmonia entre razão e fé, dimensões do espírito humano, que se realizam plenamente no encontro e no diálogo recíproco. Segundo o pensamento de São Tomás, a razão humana, por assim dizer, "respira": isto é, move-se num horizonte amplo, aberto, no qual pode expressar o melhor de si. Ao contrário, quando o homem se limita só a pensar em objectos materiais e experimentáveis e se fecha às grandes interrogações sobre a vida, sobre si mesmo e sobre Deus, empobrece-se. A relação entre fé e razão constitui um desafio sério para a cultura actualmente dominante no mundo ocidental e, precisamente por isso, o amado João Paulo II quis dedicar-lhe uma Encíclica, intitulada Fides et ratio Fé e razão. Também eu retomei este tema recentemente, no discurso na Universidade de Regensburg.

Na realidade, o desenvolvimento moderno das ciências traz numerosos efeitos positivos, como todos vemos; eles devem ser sempre reconhecidos. Mas, ao mesmo tempo, é preciso admitir que a tendência a considerar verdadeiro apenas o que é experimentável constitui um limite à razão humana e produz uma terrível esquizofrenia, já conclamada, que leva à convivência do racionalismo e do materialismo, da hipertecnologia e da instintividade desenfreada. Portanto, é urgente redescobrir de modo novo a racionalidade humana aberta à luz do Logos divino e à sua perfeita revelação que é Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem. Quando é autêntica, a fé cristã não mortifica a liberdade e a razão humana; e então, por que fé e razão devem ter receio uma da outra, se ao encontrar-se e dialogando podem expressar-se do melhor modo? A fé supõe a razão e aperfeiçoa-a, e a razão, iluminada pela fé, encontra a força para se elevar ao conhecimento de Deus e das realidades espirituais. A razão humana nada perde abrindo-se aos conteúdos de fé, aliás, eles exigem a sua adesão livre e consciente.

Com sabedoria clarividente, São Tomás de Aquino conseguiu instaurar um confronto frutuoso com o pensamento árabe e hebraico do seu tempo, a ponto de ser considerado um mestre sempre actual de diálogo com outras culturas e religiões. Ele soube apresentar sempre aquela admirável síntese cristã entre razão e fé que para a civilização ocidental representa um património precioso, no qual inspirar-se também hoje para dialogar eficazmente com as grandes tradições culturais e religiosas do leste e do sul do mundo. Rezemos para que os cristãos, especialmente quantos trabalham no âmbito académico e cultural, saibam expressar a racionabilidade da sua fé e testemunhá-la num diálogo inspirado pelo amor. Peçamos este dom ao Senhor por intercessão de São Tomás de Aquino e sobretudo de Maria, Sede da Sabedoria.

BENTO XVI ANGELUS Domingo, 28 de Janeiro de 2007

Olhar para além das realidades penúltimas e ir à procura das últimas, verdadeiras

Entre os dias 12 à 15 de setembro de 2008 o Papa Bento XVI fez uma Viagem Apostólica à França por ocasião do 150º aniversário das aparições de Lourdes. Nesta, ainda no primeiro dia, o papa, fez um belo discurso no encontro com o mundo da cultura, no qual falou das "origens da teologia ocidental e das raízes da cultura europeia".

Segue abaixo algumas frases do seu discurso:
  • "Qual era a motivação que levava as pessoas a reunirem-se nestes lugares (mosteiros)?...quaerere Deum, buscar Deus. Na confusão dos tempo em que nada parecia resistir, eles queriam fazer o essencial: empenhar-se por encontrar aquilo que vale e sempre permanece, encontrar a mesma Vida".
  • "A procura de Deus requer por exigência intrínseca, uma cultura da palavra".
  • "O desejo de Deus, le désir de Dieu, inclui l'amour des lettres, o amor pela palavra, o penetrar em todas as suas dimensões".
  • "A Palavra de Deus introduz-nos nós mesmos no colóquio com Deus".
  • "O homem, que é criado à semelhança de Deus, em consequência do seu abandono do seu abandono de Deus precipita na "zona da dessemelhança" - num afastamento de Deus tal que já não O reflecte mais, tornando-se assim dessemelhante não apenas de Deus, mas também de si próprio, do verdadeiro ser homem".
  • "O cristianismo percebe nas palavras a Palavra, o mesmo Logos, que explica o seu mistério através de tal multiplicidade".
  • "Seria fatal, se a cultura europeia actual conseguisse entender praticamente a liberdade só como a ausência total de vínculos, favorecendo assim inevitavelmente o fanatismo e o arbítrio. A ausência de vínculos e o arbítrio não são a liberdade, mas a sua destruição".
  • "Deus trabalha; continua a trabalhar na e sobre a história dos homens. Em Cristo, entra como Pessoa no trabalho cansativo da história".
  • "Poderíamos dizer que esta é verdadeiramente a atitude filosófica: olhar para além das realidades penúltimas e ir à procura das últimas, verdadeiras."
  • "A universalidade de Deus e a universalidade da razão aberta a Ele constituíam para eles (os primeiros cristãos) o motivo e, ao mesmo tempo, o dever do anúncio".
  • "Na origem de todas as coisas deve estar não a irracionalidade, mas a Razão criativa; não o ocaso cego, mas a liberdade".
  • "A novidade do anúncio cristão é a possibilidade de dizer agora a todos os povos: Ele (Cristo) mostrou-se. Ele em pessoa. E agora está aberto o caminho para Ele".
  • "Uma cultura meramente positivista que relegasse para o âmbito subjectivo, como não científica, a pergunta acerca de Deus, seria a capitulação da razão, a renúncia às suas possibilidades mais elevadas e, portanto, o descalabro do humanismo, cujas consequências não deixariam de ser graves".
  • "O que fundamentou a cultura da Europa, a procura de Deus e a disponibilidade para O escutar, permanece também hoje o fundamento de toda a verdadeira cultura".

Fonte: Vatican.va
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