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Retornando à seleção da raça humana

Roma, 16 abr (RV) – “Parecem palavras velhas para explicar a novidade das experimentações, mas em síntese estamos retornando à seleção da raça humana”. Dessa maneira o Centro do Ateneu de Bioética da Universidade Católica de Milão, comenta as novas experimentações sobre embrião divulgadas nos dias passados.

Na Universidade de Newcastle na Grã Bretanha foram obtidos embriões usando o patrimônio genético de três pessoas. Para evitar a herança de doenças mitocondriais foi, de fato, transferido o núcleo do ovócito de uma mulher para o de outra mulher cujo DNA mitocondrial é são, junto com o DNA dos gametas masculinos.

“Em nome da presumível saúde das novas gerações – lê-se em uma nota do Centro Ateneu de Bioética – fabricam-se e se destroem embriões experimentando novos coquetéis genéticos. É inquietante a miopia ética, seja de quem autoriza essas pesquisas, seja de quem as pratica. Sob o véu da saúde se pode realizar qualquer ação e a eugenética de mercado se afirma tranquilamente na opinião pública”. “Nenhuma sutil distinção teórica e nenhuma refinada linguagem científica – adverte a nota – pode nos impedir de ver que estamos, de fato, minando os fundamentos, conseguidos com fadiga, da idéia de um homem como sujeito que não pode ser nem produzido, nem fabricado. A fábrica da saúde envolverá no futuro os homens entre os novos produtos a serem controlados?” (SP)

Darwin, Dostoiévski, fé, ciência e razão

Os ateus, que geralmente, "invocam" Charles Darwin, para justificar a ausência de Deus na criação, deveriam ler este texto do autor da Evolução das Espécies:

"...Por maiores que fossem as crises por que passei, nunca desci até o ateísmo, no verdadeiro sentido do termo, isto é, nunca cheguei a negar a existência de Deus.
A impossibilidade de conceber este grande e maravilhoso universo, com nossos "eus" conscientes, como obra do acaso, é, a meu ver, o argumento principal a favor da existência de Deus.
Outro motivo de minha crença na existência de Deus, ligado não ao sentimento, mas à razão, e que, pelo seu grande peso, não pode deixar de impressionar-me, é a extrema dificuldade, ou antes, a radical impossibilidade de conceber o universo, prodigioso e imenso, incluindo o homem com a faculdade de se reportar ao passado e de prever o futuro, como resultado, de um destino ou de uma necessidade cega.
Refletindo sobre isso, sou forçado a admitir uma causa primeira, um espírito inteligente, sob certos aspectos análogo ao do homem.
E mereço, por isso, que me considerem deísta.

Esta conclusão, está fortemente radicada no meu espírito, desde a época em que escrevi A origem das espécies (pp. 354. 356. 363).
Charles Darwin"


E mais: "...O ateísmo é oriundo precisamente dessa idéia de que a adoração não é uma propriedade natural da natureza humana e ele espera o renascimento do homem, abandonado unicamente a si mesmo. Esforça-se por mostrar que o homem será moral quando se libertar da fé. Mas, até hoje, os ateus não mostraram nada. Julga-se a árvore por seus frutos. Ao contrário, mostraram-se apenas uma monstruosidade. A moral, entregue a si mesma ou à ciência, pode desnaturar-se até a abominação extrema."

Fé e moral, Dostoiévski

Obs: Os dois textos estão no livro, As mais belas orações de todos os tempos, em belíssima tradução de Rose Marie Muraro.

Intelectuais e artistas: as ''inesperadas'' vozes pró-Ratzinger

"O melhor Papa". A descrição é de Bento XVI, segundo o título de um comentário do New York Times. Em todo o mundo, difunde-se uma opinião transversal que, mesmo na tempestade atual, oferece atenuantes ao Papa ou o defende.

A reportagem é de Armando Torno, publicada no jornal Corriere della Sera, 14-04-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O conservador Ross Douthat, de 30 anos, um dos colunistas mais afiados dos EUA, escreveu no New York Times desta terça-feira um artigo intitulado "O melhor Papa". Nele, lê-se uma defesa da integridade moral de Bento XVI, que, para o colunista, não pode ser colocada em discussão mesmo no tempo anterior à sua chegada ao trono de Pedro.
O rigor que diferencia Bento XVI se manifestou em ocasiões delicadas, principalmente durante os dias do pontificado de João Paulo II, que foi um Papa, para Douthat, "sempre amado", assim como "bem apessoado e carismático", ao qual se perdoou tudo. Ao invés, Ratzinger já tinha a imagem do "Rottweiler de Deus".
Causa admiração que essa defesa seja publicada justamente no New York Times. Mesmo se a poeirama midiática pudesse surgir do mundo anglo-saxão, está sendo criada uma opinião transversal que oferece atenuantes ao Pontífice e o defende. Por exemplo, Hendrik Hertzberg, no último número da revista laica New Yorker, em um artigo intitulado "Indulgence", depois de ter lembrado Martinho Lutero e a atual crise de poder e de cultura da Igreja, admite que Bento XVI "se encontrou pessoalmente com as vítimas do abuso durante sua visita aos Estados Unidos em 2008". E acrescenta: os seus críticos também estão de acordo sobre o fato de que ele enfrentou o problema mais seriamente do que no passado.
Além disso, um abaixo-assinado com 70 assinaturas do mundo francófono está sendo difundido há mais de dez dias. Ele reúne intelectuais, filósofos, jornalistas, dramaturgos, professores universitários, artistas e várias personalidades. Nomes que se reuniram em poucos dias graças à Internet (por meio do site www.appelaverite.fr). Entre os signatários, encontram-se Jean-Luc Marion, da Academia Francesa, professor em Paris e em Chicago.
Em uma brevíssima nota enviada dos EUA, ele nos escreveu: "É evidente que a crise dos padres pedófilos foi mau gerida, é evidente que os ataques são desproporcionais e fundamentalmente injustos".
Também é signatário Remi Brague, professor de filosofia e membro do Instituto Católico, o escritor Françoise Taillandier, a filósofa Chantal Delsol (também ela membro do Instituto Católico); também encontram-se o ator Michael Lonsdale, o matemático – condecorado com a medalha FieldsLaurent Lafforgue. E ainda: Alain Joly, pastor luterano, Bernadette Dupont, senadora, Jacques Arènes, psicanalista.
Encerramos com Fabrice Hadjaj, que se converteu ao catolicismo depois de ideais revolucionários e leituras dos grandes niilistas do século XIX. Escritor e filósofo, nascido em 1971 em Nanterre de pais judeus de origem tunisiana, causou polêmica no ano passado a sua ideia de uma "nova mística da carne". Ele atacava toda redução das relações a "masturbação assistida", aquele "tecnicismo" com relativa "moral burguesa", capazes de enclausurar "o desejo sexual no preservativo". Replicava Hadjaj: "A Igreja é a única que não tem medo de liberá-lo até o fim".
No texto desse abaixo-assinado, lê-se, dentre outras coisas: "Os casos de pedofilia na Igreja são, para todos os católicos, fonte de sofrimento profundo e de dor extrema. Membros da hierarquia da Igreja encontraram em alguns relatórios graves falhas e disfunções, e nós prestamos homenagem à vontade do Papa de jogar luz sobre esses casos. Com os bispos, e enquanto membros da mesma Igreja, os leigos católicos assumem o peso dos crimes de alguns sacerdotes e das fraquezas dos seus superiores. Eles se colocam resolutamente, como Cristo convida a fazer, do lado daqueles que sofrem mais por causa desses crimes.
E depois de terem desejado que a verdade surja e se enfrente "serena e fraternamente" tudo o que tornou possível essas ofensas, o texto continua: "Além do direito à informação, legítimo e democrático, não podemos deixar de constatar com tristeza, enquanto cristãos mas principalmente enquanto cidadãos, que numerosos meios de comunicação do nosso país (e no Ocidente em geral) tratam esses casos com parcialidade, pouco conhecimento e viva satisfação. Das sínteses e generalizações, o quadro da Igreja que é feito atualmente pela imprensa não corresponde ao que vivem os cristãos católicos".
Deve-se acrescentar – confiou-nos uma fonte próxima ao patriarcado de Moscou – que as acusações circularam só de forma reduzida na católica Polônia (a declaração do porta-voz do Vaticano foi retomada), enquanto o mundo escandinavo quase as ignorou. Na Rússia, apareceram em poucas linhas nas agências e não foram ampliadas ou comentadas pelos jornais. O site do jorna Izvestia se cala, o do jornal Pravda também, e nem as rádios e televisões têm algo a dizer.
A única curiosidade, que causou um interesse moderado, se referia à ideia de interrogar e eventualmente prender o Papa. Só graças a esse dado é que se soube o que estava acontecendo. Ou melhor, após o retorno de um menino russo de sete anos adotado nos EUA (chamado Artëm Saveliev), rejeitado pela família norte-americana, a mídia de Moscou está acusando os EUA de uma forma particular de pedofilia há alguns dias.

Fonte: IHU

Papa quer diálogo com os pensadores ateus

VALÊNCIA, terça-feira, 13 de abril de 2010 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI está impulsionando o diálogo entre a fé e a razão, e nele se incluem pensadores e artistas ateus. Foi o que afirmou hoje o presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, o arcebispo Gianfranco Ravasi, em uma coletiva de imprensa em Valência (Espanha), segundo informa a agência diocesana Avan.
Dom Ravasi, que se encontra na cidade espanhola para a inauguração da cátedra Fides et Ratio da Universidade Católica de Valência (UCV), explicou que seu dicastério vaticano está conduzindo muitas iniciativas no âmbito do diálogo com o mundo da cultura.
Ele explicou que durante a visita a Portugal, em maio, o Papa manterá um encontro com artistas portugueses, entre eles o cineasta Manuel Oliveira.
Também se está preparando, para este ano, uma série de encontros em Paris, na sede da UNESCO, na universidade de Sorbona e na Academia Francesa, através do Pátio dos Gentis, instituição criada por seu próprio dicastério para impulsionar o diálogo com o âmbito do ateísmo.
Dom Ravasi afirmou que o cristianismo “tem sempre uma função dentro da cultura”, ainda que em algumas de suas expressões esta “possa ser completamente secular ou laica”.
A religião “favorece as respostas fundamentais que todo homem se faz acerca da vida, morte, dor, justiça e da verdade”.

Fonte: http://www.zenit.org/article-24580?l=portuguese

5 anos de pontificado de Bento XVI


Segue abaixo alguns artigos divulgados na internet referentes ao pontificado de Bento XVI:

Agência Ecclesia:

Rádio Vaticano:
Zenit.org:
Outros sites:

A meta do cristiianismo é a vida eterna

Queridos irmãos e irmãs!
Não encontrei o tempo de preparar uma verdadeira homilia. Mas gostaria de convidar cada um à meditação pessoal, propondo e realçando algumas frases da Liturgia hodierna, que se oferecem ao diálogo orante entre nós e a Palavra de Deus. A palavra, a frase que gostaria de propor à meditação comum é esta grande afirmação de São Pedro:  "Importa mais obedecer a Deus do que aos homens" (Act 5, 29). São Pedro está diante da suprema instituição religiosa, à qual normalmente se deveria obedecer, mas Deus está acima desta instituição e Deus conferiu-lhe outro "ordenamento":  deve obedecer a Deus. A obediência a Deus é a liberdade, a obediência a Deus dá-lhe a liberdade de se opor à instituição.
E aqui os exegetas chamam a nossa atenção para o facto de que a resposta de São Pedro no Sinédrio é quase ad verbum idêntica à resposta de Sócrates ao juízo no tribunal de Atenas. O tribunal oferece-lhe a liberdade, a libertação, porém com a condição de que não continue a procurar Deus. Mas procurar Deus, a busca de Deus é para ele uma ordem superior, vem do próprio Deus. E uma liberdade comprada com a renúncia ao caminho para Deus já não seria liberdade. Portanto, não deve obedecer a estes juízos não deve comprar a sua vida, perdendo-se a si mesmo mas deve obedecer a Deus. A obediência a Deus tem a primazia.
Aqui é importante ressaltar que se trata de obediência e que é precisamente a obediência que dá liberdade. O tempo moderno falou da libertação do homem, da sua plena autonomia, portanto também da libertação da obediência de Deus. A obediência já não deveria existir, o homem é livre, é autónomo:  nada mais. Mas esta autonomia é uma mentira:  é uma mentira ontológica, porque o homem não existe por si mesmo, para si próprio, e é também uma mentira política e prática, porque a colaboração, a partilha da liberdade é necessária. E se Deus não existe, se Deus não é uma instância acessível ao homem, só o consenso da maioria permanece como suprema instância. Por conseguinte, o consenso da maioria torna-se a última palavra à qual temos que obedecer. E este consenso sabemo-lo da história do século passado pode ser também um "consenso no mal".
Assim, vemos que a chamada autonomia não liberta verdadeiramente o homem. A obediência a Deus é a liberdade, porque é a verdade, é a instância que se põe diante de todas as instâncias humanas. Na história da humanidade, estas palavras de Pedro e de Sócrates são o verdadeiro farol da libertação do homem, que sabe ver Deus e, em nome de Deus, pode e deve obedecer, não tanto aos homens, mas a Ele, e assim libertar-se do positivismo da obediência humana. As ditaduras foram sempre contrárias a esta obediência a Deus. A ditadura nazista, como a marxista, não podem aceitar um Deus que esteja acima do poder ideológico; e a liberdade dos mártires, que reconhecem Deus precisamente na obediência ao poder divino, é sempre o gesto de libertação mediante o qual nos é conferida a liberdade de Cristo.
Hoje, graças a Deus, não vivemos sob ditaduras, mas existem formas subtis de ditadura:  um conformismo que se torna obrigatório, pensar como todos pensam, agir como todos agem, e as subtis agressões contra a Igreja, ou até as menos subtis, demonstram que este conformismo pode realmente ser uma verdadeira ditadura. Para nós vale isto:  deve-se obedecer mais a Deus do que aos homens. Mas isto supõe que conheçamos verdadeiramente a Deus e que deveras desejemos obedecer-lhe. Deus não é um pretexto para a própria vontade, mas é realmente Ele quem nos chama e nos convida, se for necessário, até ao martírio. Por isso, confrontados com esta palavra que dá início a uma nova história de liberdade no mundo, oremos sobretudo para conhecer Deus, para conhecer humilde e verdadeiramente Deus e, conhecendo a Deus, para aprender a verdadeira obediência que é o fundamento da liberdade humana.
Escolhamos uma segunda palavra da primeira Leitura:  São Pedro diz que Deus elevou Cristo à sua direita como chefe e salvador (cf. v. 31). Chefe é tradução do termo grego archegos, que implica uma visão muito mais dinâmica:  archegos é aquele que indica a estrada, que precede, é um movimento, um movimento rumo ao outro. Deus elevou-o à sua direita portanto, falar de Cristo como archegos quer dizer que Cristo caminha diante de nós, que nos precede e nos mostra o caminho. E estar  em  comunhão  com  Cristo  é estar  a  caminho,  subir  com  Cristo, é seguimento  de  Cristo,  é  esta elevação, é seguir o archegos, Aquele que já passou, que nos precede e nos indica o caminho.
Evidentemente, aqui é importante que se nos diga aonde Cristo chega e aonde também nós devemos chegar:  hypsosen nas alturas subir à direita do Pai. Seguimento de Cristo é apenas imitação das suas virtudes, não é só viver neste mundo, na medida do que nos é possível, mas é um caminho que tem uma meta. E a meta é a direita do  Pai.  Há  este  caminho  de  Jesus, este  seguimento  de  Jesus  que  termina à direita do Pai. Ao horizonte de tal seguimento pertence todo o caminho de Jesus, também a chegada à direita do Pai.
Neste sentido, a meta deste caminho é a vida eterna à direita do Pai, em comunhão com Cristo. Hoje, nós temos muitas vezes um pouco de medo de falar da vida eterna. Falamos das coisas que são úteis para o mundo, mostramos que o Cristianismo ajuda a melhorar o mundo, mas não ousamos dizer que a sua meta é a vida eterna e que de tal meta derivam depois os critérios da vida. Temos que compreender de novo que o Cristianismo permanece um "fragmento", se não pensarmos nesta meta, que queremos seguir o archegos à altura de Deus, à glória do Filho que nos faz filhos no Filho, e temos que reconhecer de novo que o Cristianismo revela todo o sentido só na grande perspectiva da vida eterna. Temos que ter a coragem, a alegria, a grande esperança que a vida eterna existe, é a verdadeira vida, e é desta vida autêntica que vem a luz que ilumina também este mundo.
Se se pode dizer que, mesmo prescindindo da vida eterna, do Céu prometido, é melhor viver segundo os critérios cristãos, porque viver segundo a verdade e o amor, apesar das numerosas perseguições, é em si mesmo um bem e é melhor que tudo o resto, é precisamente esta vontade de viver segundo a verdade e em conformidade com o amor que deve abrir também a toda a vastidão do desígnio de Deus para nós, à coragem de ter já a alegria na expectativa da vida eterna, da elevação seguindo o nosso archegos. E Soter é o Salvador, que nos salva da ignorância, procura as últimas coisas. O Salvador salva-nos da solidão, salva-nos de um vazio que permanece na vida sem a eternidade, salva-nos conferindo-nos o amor na sua plenitude. Ele é o guia. Cristo, o archegos, salva-nos dando-nos a luz, concedendo-nos a verdadade, dando-nos o amor de Deus.
Além disso, reflictamos ainda sobre um versículo:  Cristo, o Salvador, concedeu a Israel conversão e perdão dos pecados (v. 31) no texto grego, o termo é metanoia deu penitência e perdão dos pecados. Para mim, esta é uma observação muito importante:  a penitência é uma graça. Há uma tendência na exegese, que diz:  Jesus na Galileia teria anunciado uma graça sem condições, absolutamente incondicionada, portanto também sem penitência, graça como tal, sem precondições humanas. mas esta é uma falsa interpretação da graça. A penitência é graça; é uma graça que nós reconheçamos o nosso pecado, é uma graça que saibamos que temos necessidade de renovação, de mudança, de uma transformação do nosso ser. Penitência, poder fazer penitência, é um dom da graça. E devo dizer que nós, cristãos, também nos últimos tempos, muitas vezes evitamos a palavra penitência porque nos parecia demasiado árdua. Agora, sob os ataquees do mundo que nos falam dos nossos pecados, vemos que poder fazer penitência é uma graça. E vemos que é necessário fazer penitência, ou seja, reconhecer aquilo que está errado na nossa vida, abrir-se ao perdão, prepar-se para o perdão, deixar-se transformar. A dor da penitência, isto é, da purificação, da transformação, esta dor é graça, porque é renovação, é obra da misericórdia divina. E assim estas duas coisas que São Pedro diz penitência e perdão correspondem ao início da pregação de Jesus:  metanoeite, ou seja, convertei-vos (cf. Mc 1, 15). Portanto, este é o ponto fundamental:  a metanoia não é algo particular, que pareceria substituída pela graça, mas a metanoia é a vinda da graça que nos transforma.
E finalmente uma palavra do Evangelho, onde nos é dito que quem acreditar terá a vida eterna (cf. Jo 3, 36). Na fé, nestes "transformar-se" que a penitência concede, nesta conversão, neste novo caminho de vida, chegamos à vida, à vida autêntica. E aqui vêm-me à mente mais dois textos. Na "Oração sacerdotal", o Senhor diz:  esta é a vida, conhecer a ti e ao teu consagrado (cf. Jo 17, 3). Conhecer o essencial, conhecer a Pessoa decisiva, conhecer Deus e o seu Enviado é vida, vida e conhecimento, conhecimento de realidades que são a vida. E o outro texto é a resposta do Senhor aos Saduceus acerca da Ressurreição onde, dos livros de Moisés, o Senhor prova o acontecimento da Ressurreição, dizendo:  Deus é o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob (cf. Mt 22, 31-32; Mc 12, 26-27; Lc 20, 37-38). Deus não é Deus dos mortos. Se Deus é Deus destes, eles estão vivos. Quem está inscrito no nome de Deus, participa na vida de Deus, vive. E assim, crer significa estar inscrito no nome de Deus. E assim estamos vivos. Quem pertence ao nome de Deus não é um morto, pertence ao Deus vivo. Neste sentido, deveríamos compreender o dinamismo da fé, que é um inscrever o nosso nome no nome de Deus, e deste modo entrar na vida.
Oremos ao Senhor para que isto aconteça e que com a nossa vida realmente conheçamos a Deus, para que o nosso nome entre no nome de Deus e a nossa existência se torne verdadeira vida:  vida eterna, amor e verdade.

Bento XVI responde: Tenho fome de Verdade: mas como posso fazer para harmonizar Ciência e Fé?

5. Santo Padre, chamo-me Giovanni, tenho 17 anos, estudo no Liceu Científico Tecnológico "Giovanni Giorgi" de Roma e pertenço à Paróquia de Santa Maria Mãe da Misericórdia.
Peço-lhe que nos ajude a compreender melhor como a revelação bíblica e as teorias científicas podem convergir na busca da verdade. Muitas vezes somos tentados a pensar que ciência e fé entre si sejam inimigas; que ciência e técnica sejam a mesma coisa; que a lógica matemática tenha descoberto tudo; que o mundo é fruto da casualidade, e que se a matemática não descobriu o teorema Deus é porque Deus, simplesmente, não existe. Em síntese, sobretudo quando estudamos, nem sempre é fácil reconduzir tudo a um projecto divino, ínsito na natureza e na história do Homem. Por vezes, a fé vacila ou reduz-se a simples acto sentimental. Também eu, Santo Padre, como todos os jovens, tenho fome de Verdade: mas como posso fazer para harmonizar Ciência e Fé? 
O grande Galileu disse que Deus escreveu o livro da natureza na forma da linguagem matemática. Ele estava convencido de que Deus nos deu dois livros: o da Sagrada Escritura e o da natureza. E a linguagem da natureza era esta a sua convicção é a matemática, por conseguinte, ela é linguagem de Deus, do Criador. Reflictamos agora sobre o que é a matemática: em si é um sistema abstracto, uma invenção do espírito humano, que como tal na sua pureza não existe. É sempre realizado aproximativamente, mas como tal é um sistema intelectual, é uma grande, genial invenção do espírito humano. O que surpreende é que esta invenção da nossa mente humana é verdadeiramente a chave para compreender a natureza, que a natureza está realmente estruturada de modo matemático e que a nossa matemática, inventada pelo nosso espírito, é realmente o instrumento para poder trabalhar com a natureza, para a pôr ao nosso serviço, para a instrumentalizar através da técnica.
Parece-me quase incrível que uma invenção do intelecto humano e a estrutura do universo coincidam: a matemática por nós inventada dá-nos realmente acesso à natureza do universo e faz com que ele seja utilizado por nós. Portanto, a estrutura intelectual do sujeito humano e a estrutura objectiva da realidade coincidem: a razão subjectiva e a razão objectiva na natureza são idênticas. Penso que esta coincidência entre quanto nós pensámos e como se realiza e se comporta a natureza, sejam um grande enigma e desafio, porque vemos que, no final, é "uma" razão que relaciona os dois: a nossa razão não poderia descobrir essa outra, se na origem das duas não se encontrasse uma razão idêntica.
Neste sentido, tenho a impressão que a matemática na qual Deus, como tal, não pode aparecer nos mostra a estrutura inteligente do universo. Agora existem também teorias do caos, mas são limitadas, porque se o caos prevalecesse, toda a técnica se tornaria impossível. Só porque se pode confiar na nossa matemática, também se pode confiar na técnica. A nossa ciência, que torna finalmente possível trabalhar com as energias da natureza, supõe a estrutura confiável, inteligente da matéria. E desta forma vemos que há uma racionalidade subjectiva e uma racionalidade objectiva na matéria, que coincidem. Evidentemente agora ninguém pode provar como se prova na experimentação, nas leis técnicas que as duas são realmente originadas numa única inteligência, mas parece-me que esta unidade da inteligência, atrás das duas inteligências, esteja realmente no nosso mundo. E quanto mais nós podemos instrumentalizar o mundo com a nossa inteligência, tanto mais sobressai o desígnio da Criação.
Por fim, para chegar à questão definitiva, digo: Deus ou existe ou não existe. Há apenas duas opções. Ou se reconhece a prioridade da razão, da Razão criadora que está na origem de tudo e é o princípio de tudo a prioridade da razão é também prioridade da liberdade ou se defende a prioridade do irracional, segundo o qual tudo o que acontece na nossa terra e na nossa vida seria apenas ocasional, marginal, um produto irracional a razão seria um produto da irracionalidade. Por fim, não se pode "provar" um projecto ou outro, mas a grande opção do Cristianismo é a opção pela racionalidade e pela prioridade da razão. Parece-me que esta seja uma óptima opção, que nos mostra como por trás de tudo haja uma grande Inteligência, na qual podemos confiar.
Mas hoje o verdadeiro problema contra a fé parece ser o mal no mundo: perguntamos como pode ser ele compatível com esta racionalidade do Criador. E aqui temos realmente necessidade do Deus que se fez carne e que nos mostra como Ele não seja apenas uma razão matemática, mas que esta razão originária também é Amor. Se olharmos para as grandes opções, a opção cristã também é hoje a mais racional e a mais humana. Por isso, podemos elaborar com confiança uma filosofia, uma visão do mundo que esteja baseada nesta prioridade da razão, nesta confiança de que a Razão criadora é amor, e que este amor é Deus. 
Quinta-feira, 6 de Abril 2006

Bento XVI responde: Vossa Santidade qual era a sua vocação? Pode dar-nos conselhos para compreendermos melhor se o Senhor nos chama para o seguir na vida consagrada ou sacerdotal?


4. Santidade, chamo-me Vittorio, pertenço à Paróquia de São João Bosco em "Cinecittà", tenho 20 anos e estudo Ciência da Educação na Universidade de "Tor Vergata".
Sempre na sua Mensagem, Vossa Santidade convida-nos a não ter medo de responder com generosidade ao Senhor, especialmente quando propõe que o sigamos na vida consagrada ou na vida sacerdotal. Diz-nos que não devemos ter medo, que devemos ter confiança n'Ele, e que não seremos desiludidos. Estou convencido de que muitos de nós, que estamos aqui ou quem nos segue de casa esta tarde através da televisão, tenho a certeza de que estejam pensando em seguir Jesus por um caminho de especial consagração, mas nem sempre é fácil compreender qual é o caminho justo. Pode dizer-nos como compreendeu Vossa Santidade qual era a sua vocação? Pode dar-nos conselhos para compreendermos melhor se o Senhor nos chama para o seguir na vida consagrada ou sacerdotal? Obrigado. 

No que me diz respeito, cresci num mundo muito diferente do actual, mas contudo as situações assemelham-se. Por um lado, existia ainda o ambiente de "cristandade", no qual era normal frequentar a igreja e aceitar a fé como a revelação de Deus e procurar viver segundo a revelação; por outro lado, havia o regime nazista, que afirmava em voz alta: "Na nova Alemanha não haverá mais sacerdotes, nem vida consagrada, já não temos necessidade dessa gente; procurai outra profissão". Mas precisamente ouvindo estas vozes "fortes", no confronto com a brutalidade daquele sistema com um rosto desumano, compreendi que ao contrário havia muita necessidade de sacerdotes. Este contraste, ver aquela cultura anti-humana, confirmou-me na convicção de que o Senhor, o Evangelho, a fé nos mostravam o caminho justo e que nos devíamos comprometer para que esse caminho sobrevivesse. Nessa situação, a vocação ao sacerdócio aumentou quase de modo natural juntamente comigo e sem grandes acontecimentos de conversão. Além disso, duas coisas me ajudaram neste caminho: já desde jovem, ajudado pelos meus pais e pelo pároco, descobri a beleza da Liturgia e sempre a amei, porque sentia que nela está reflectida a beleza divina e se nos abre o céu; o segundo elemento foi a descoberta da beleza do conhecimento, conhecer Deus, a Sagrada Escritura, graças à qual é possível introduzir-se naquela grande aventura do diálogo com Deus que é a Teologia. E assim, foi uma alegria entrar neste trabalho milenário da Teologia, nesta celebração da Liturgia, na qual Deus está connosco e festeja juntamente connosco.
Naturalmente não faltaram as dificuldades. Perguntava-me se na realidade eu tinha a capacidade de viver toda a vida o celibato. Sendo um homem de formação teórica e não prática, também sabia que não é suficiente amar a Teologia para ser um bom sacerdote, mas há a necessidade de estar sempre disponível para os jovens, os idosos, os doentes, os pobres; é preciso ser simples com os simples. A Teologia é bela, mas também é necessária a simplicidade da palavra e da vida cristã. E perguntava: serei capaz de viver tudo isto e de não ser unilateral, só um teólogo, etc.? Mas o Senhor ajudou-me e ajudou-me sobretudo a companhia dos amigos, de bons sacerdotes e mestres.
Voltando à pergunta, penso que é importante estar atentos aos gestos do Senhor no nosso caminho. Ele fala-nos através de acontecimentos, de pessoas, de encontros: é preciso estar atentos a tudo isto. Depois, o segundo ponto, entrar realmente na amizade de Jesus, numa relação pessoal com Ele e não saber só através de outros ou dos livros quem é Jesus, mas viver uma relação cada vez mais aprofundada de amizade pessoal com Jesus, na qual podemos começar a compreender o que Ele nos pede. E depois, a atenção ao que somos, às nossas possibilidades: por um lado, ter coragem e, por outro, ser humildes, confiantes e abertos, com a ajuda dos amigos, da autoridade da Igreja, dos sacerdotes, e também das famílias: que quer de mim o Senhor? Sem dúvida isto permanece sempre uma grande aventura, mas a vida só pode ser bem sucedida se tivermos a coragem da aventura, a confiança de que o Senhor nunca nos deixará sozinhos, que nos acompanhará e nos ajudará.

Quinta-feira, 6 de Abril 2006

A historicidade da ressurreição de Jesus

Nicholas Thomas Wright é bispo da Igreja Anglicana, estudioso do Novo Testamento e profundo conhecedor de História Antiga. Na impossibilidade da reconstituição dos fatos históricos, Wright defende a historicidade da ressurreição de Jesus por meio de argumentos interessantíssimos, tão desconhecidos no Brasil quanto o próprio Wright. O assunto é da maior importância, sem dúvida, pois "se Cristo não ressuscitou, ilusória é a vossa fé" (1 Coríntios 15: 17). Segue um resumo das idéias centrais de Wright.

Para começar, o historiador levanta questão da originalidade da idéia de ressurreição tal qual ela é apresentada pelo cristianismo primitivo. A ressurreição corporal de Jesus é uma idéia completamente nova em relação à civilização helenística e também a judaica. As duas civilizações têm idéias que se relacionam à vida após a morte (o Hades, dos gregos, por exemplo, ou a ressurreição de todo o povo no fim dos tempos, dos judeus), mas nenhuma delas traz à tona o fato de um homem, depois de morto, reaparecer aos vivos em carne e osso, corporificado.

Em segundo lugar, Wright ressalta a centralidade que o fato ressurreição tem para o cristianismo primitivo, enquanto as doutrinas da vida após a morte nas seitas judaicas ou inexistem ou têm caráter secundário. Por que essa questão ganharia aspecto central na nova religião, caso não estivesse fundamentada em um fato?

Em terceiro, a unanimidade existente em torno da idéia de ressurreição entre os cristãos primitivos. Transcrevo um trecho de Wright:

“por que os primeiros cristãos tinham essa muito nova, mas admiravelmente unânime, opinião a respeito da ressurreição? [...] É claro, todos os primeiros cristãos diziam que tinham essa opinião por causa do que acreditavam a respeito de Jesus. Agora, se a idéia de que Jesus se ergueu dos mortos só aparecesse depois de vinte ou trinta anos de cristianismo, como muitos estudiosos céticos têm suposto, encontraríamos muitas facções que não aceitariam a ressurreição, e aquelas que aceitassem lhe dariam uma forma diferente daquela específica do cristianismo primitivo. Assim, a ampla e unânime aceitação da crença na ressurreição pelos primeiros cristãos força-nos a dizer que alguma coisa certamente aconteceu para moldar e colorir todo o movimento cristão”.

Outro argumento interessante de Wright é o fato de os quatro Evangelhos apresentarem as mulheres como primeiras testemunhas da ressurreição de Jesus. Ora, mulheres não tinham nenhuma credibilidade naquele contexto histórico, tanto que Celso (século II d.C.) escarnece da ressurreição dizendo: “Essa fé se baseia apenas no testemundo de algumas mulheres histéricas”. Então, se os Evangelhos tivessem sido escritos para persuadir, evitariam usar as mulheres como testemunhas. Se as colocaram nesse papel, foi porque elas efetivamente desempenharam esse papel, isto é, testemunharam o fato da ressurreição.

Wright ressalta ainda que nos, quatro Evangelhos, a narrativa da ressurreição não tem caráter doutrinário e teológico, como vai adquirir nos Atos dos Apóstolos e nas Epístolas de São Paulo. O evento é simplesmente narrado e ponto (particularmente em Marcos, o Evangelho mais antigo). Diga-se também que é narrado sem as tradicionais alusões ao Antigo Testamento, o que aponta para o surgimento de uma tradição oral baseada em efetivos testemunhos de um fato: a ressurreição pessoal e intransferível de Jesus, fato que fundamenta a consolidação do cristianismo entre os primeiros discípulos, após a crucificação do mestre, bem como a expansão dessa crença em grupos de pessoas cada vez numerosos.

Tentar salvar o planeta é bobagem, diz criador da Teoria de Gaia

Fonte: BBC - 31/03/2010

Mudar os hábitos para tentar salvar o planeta é "uma bobagem", na opinião de um dos mais conceituados especialistas em meio ambiente no mundo, o britânico James Lovelock, para quem a Terra, se for salva, será salva por ela mesma.
"Tentar salvar o planeta é bobagem, porque não podemos fazer isso. Se for salva, a Terra vai se salvar sozinha, que é o que sempre fez. A coisa mais sensível a se fazer é aproveitar a vida enquanto podemos", afirmou Lovelock em entrevista à BBC.

Teoria de Gaia

O cientista de 90 anos é autor da Teoria de Gaia, que considera o planeta como um superorganismo, no qual todas as reações químicas, físicas e biológicas estão interligadas e não podem ser analisadas separadamente.
Considerado um dos "mentores" do movimento ambientalista em todo o mundo a partir dos anos 1970, Lovelock é também autor de ideias polêmicas como a defesa do uso da energia nuclear como forma de restringir as emissões de carbono na atmosfera e combater as mudanças climáticas.

Clima não obedece modelos científicos

Para Lovelock, a humanidade não "decidiu aquecer o mundo deliberadamente", mas "puxou o gatilho", inadvertidamente, ao desenvolver sua civilização da maneira como conhecemos hoje.
"Com isso, colocamos as coisas em movimento", diz ele, acrescentando que as reações que ocorrem na Terra em consequência do aquecimento, entre elas a liberação de gases como dióxido de carbono e metano, são mais poderosas para produzir ainda mais aquecimento do que as próprias ações humanas.
Segundo ele, no entanto, o comportamento do clima é mais imprevisível do que pensamos e não segue necessariamente os modelos de previsão formulados pelos cientistas.
"O mundo não muda seu clima convenientemente de acordo com os modelos de previsões. Ele muda em saltos, como vemos. Não houve aumento das temperaturas em nenhum momento neste século. E tivemos agora um dos invernos mais frios em muito tempo em todo o hemisfério norte", diz Lovelock.

Ideologia e negócios

Durante a entrevista à BBC, o cientista britânico afirmou ainda não ver sentido na busca de alguns hábitos de consumo diferentes ou no desenvolvimento de energias renováveis como forma de conter as mudanças climáticas.
"Comprar um carro que consome muita gasolina não é bom porque custa muito dinheiro para manter, mas essa motivação é provavelmente mais sensata do que a de tentar salvar o planeta, que é uma bobagem", diz.
Para Lovelock, a busca por formas de energia renováveis é "uma mistura de ideologia e negócios", mas sem "uma boa engenharia prática por trás".
"A Europa tem essas enormes exigências sobre energias renováveis e subsídios para energia renovável. É um bom negócio, e não vai ser fácil parar com isso, mas não funciona de verdade", afirma.

O rigor dos fatos


CARLOS ALBERTO DI FRANCO

O Globo - 05/04/2010

A imprensa brasileira tem noticiado a respeito da crise que fustiga a Igreja Católica com razoável serenidade e equilíbrio.

Os casos de abuso sexual protagonizados por clérigos são, de fato, matéria jornalística inescapável. O que me impressiona, e muito, é a perda do sentido informativo e o inequívoco tom de campanha assumido por alguns jornais americanos.

O Vaticano recebeu 3 mil denúncias de abuso sexual praticado por sacerdotes nos últimos cinquenta anos. Segundo monsenhor Scicluna, chefe da comissão da Santa Sé para apuração dos delitos, 60% dos casos estão relacionados com práticas homossexuais, 30% com relações heterossexuais e 10% dos casos podem ser enquadrados como crimes de pedofilia. Os números reais de casos de pedofilia na Igreja são muito menores. Os abusos têm sido marcadamente de caráter homossexual e refletem um grave problema de idoneidade para o exercício do sacerdócio. A Igreja está enfrentando as consequências de anos de descuido, covardia e negligência dos bispos na seleção e formação do clero.

Philip Jenkins, um especialista não católico de grande prestígio, publicou o estudo mais sério sobre a crise. “Pedophiles and priests: anatomy of a contemporary crisis” é o mais exaustivo estudo sobre os escândalos sexuais que sacudiram a Igreja Católica nos EUA durante a década de 1990. Segundo Jenkins, mais de 90% dos padres católicos envolvidos com abusos sexuais são homossexuais.

O problema, portanto, não foi ocasionado pelo celibato, mas por notável tolerância com o homossexualismo, sobretudo nos seminários dos anos 70, quando foram ordenados os predadores sexuais que sacudiram a credibilidade da Igreja.

O autor não nega o óbvio: a objetiva gravidade dos fatos. Mas mostra como os crimes foram amplificados com o objetivo de desacreditar a Igreja. A análise isenta dos números confirma essa percepção.

Na Alemanha, por exemplo, existiram, desde 1995, 210 mil denúncias de abusos. Dessas 210 mil, 300 estavam ligadas a padres católicos, menos de 0,2%.

Por que só as 300 denúncias contra a Igreja repercutem? E as outras 209 mil denúncias? Trata-se, sem dúvida, de um escândalo seletivo.

Tentou-se, recentemente, atingir o próprio Papa. Como lembrou John Allen, conhecido vaticanista e autor do livro “The rise of Benedict XVI”, no “The New York Times”, o Papa fez da punição aos casos de abuso uma prioridade de seu pontificado.

“Um de seus primeiros atos foi submeter à disciplina dois clérigos importantes contra os quais pesavam denúncias de abuso sexual há décadas, mas que tinham sido protegidos em níveis bastante altos. Ele também foi o primeiro Papa que tratou abertamente da crise.” Bento XVI tem sido, de fato, firme e contundente.

Precisamos informar com o rigor dos fatos. A informação deve ser despojada de engajamento. E devemos, sobretudo, entender o que se esconde por trás de algumas manchetes e de certas interpretações.

CARLOS ALBERTO DI FRANCO é diretor do Master em Jornalismo.

A fenomenologia Católica de Edith Stein


Teresa Benedita Cruz
Dea. Umba Diego Cubides, EP

Sua obra é um convite ao estudo da filosofia moderna com os critérios da fé católica, quer através da rectificação do caminho que os homens tiveram desde a Renascença até o contrário. A razão é limitada, não pode ser transposta sem a ajuda da razão sobrenatural a fixar humildemente verdades reveladas.
Por isso a fé não se torne um inimigo da razão, mas sim a preservação de erro, fornecendo informações de novos conhecimentos para enriquecer o conhecimento, como ela fez com a fenomenologia de Husserl.
Esta é outra característica fundamental: a não objeção a priori. Ela não deixou a herança da filosofia antiga de fazer algo novo, mas, pelo contrário, ele a usou para fazer a comparação com a filosofia moderna, mostrando positivos e negativos passado. Assim, deu um novo significado para a escolástica e purgado de seus erros.
A grande personalidade do nosso santo - não é amigo de novidades ", restaurou a primazia que o Doutor Angélico deve ter todo o estudo filosófico, para ser sólido e seguro. Como ela diz que "as soluções (de Aquino) têm problemas nas suas testas o selo da verdade."
Sua Santidade o Papa Leão XIII na sua encíclica "Aeterni Patris"(4 - VIII-1879), recomendou o estudo de St. Thomas, para ver as maquinações e artifícios de falsa sabedoria, em Edith encontrar essa fonte para a compreensão do Santo água potável segura e completa e pura verdade.
A razão humana não pode ser incluído no círculo de eventos, caso contrário ela não seria capaz de conhecer a Deus. Ela nos mostra como isso levaria ao agnosticismo. Por conseguinte, toda ciência que suporta apenas fenômenos, sem relação com o Absoluto, o ateísmo tem histórico e científico.
Ela valoriza muito o sentimento, mas sujeito à inteligência, caso contrário, atrapalha recta ratio desordenada pela comoção fora dos sentidos pode ter sobre a corporeidade, o homem animalizado. Daí a grande importância dada à virgindade, que o homem Angelized oposto prime fazendo espiritual sobre o material. Embora não seja um tratado sobre isso, sua vida consagrada testemunha a grande estima que tinha por ela e pelo domínio que exercia sobre seu corpo.
Sua vocação encarna o pensamento dos Papas de Leão XIII, São Pio X, Papa João Paulo II - que declarou o co-padroeira da Europa e do actual Papa Bento XVI.
O primeiro, já mencionado, enfatizou a necessidade de o estudo de St. Thomas.
São Pio X condenou os erros do modernismo na encíclica "Pascendi Dominici Gregis"(8 - IX-1907), indicando desvio de filosofia, também respondeu a Edith.
Identifica completamente com o pensamento personalista SS João Paulo II, o que aumenta o valor transcendente da pessoa humana. Sua encíclica "Fides et Ratio"É a aplicação da união entre a razão natural e sobrenatural Edith faz no campo da filosofia.
Sua Santidade o Papa Bento XVI continua a linha de seu antecessor, enfatizando a unidade que deve existir entre a religião ea razão: os princípios da fé e da razão à direita rejeitar todas as formas de totalitarismo e da violência.
Martirizado pelos nazistas chegaram ao cumprimento da oferta feita por seu povo. Existência que não foi consumido em vão e, como Tertuliano disse: "O sangue dos mártires é semente de cristãos".
Cubides Umba, Diego. Metafísica sabedoria como na alma cristã de Edith Stein. Pontifícia Universidade Bolivariana - Faculdade de Teologia, Filosofia e Ciências Humanas. Canonical Licenciatura em Filosofia. Medellín, 2009. p. 91-104.

Fonte: http://presbiteros.arautos.org/2010/03/17/la-fenomenologia-catolica-de-santa-teresa-benedicta/

Bento XVI responde: Quais são os maiores desafios a enfrentar no nosso tempo, e como espera que sejam estes novos apóstolos radicados na Palavra de Cristo? O que espera de nós Santidade?

3. Beatíssimo Padre, chamo-me Inelida, tenho 17 anos, sou ajudante do Chefe dos Escuteiros dos Lobinhos na Paróquia de São Gregório Barbarigo e estudo no Liceu Artístico "Mario Mafai".
Na sua Mensagem para a XXI Jornada Mundial da Juventude Vossa Santidade disse-nos que "é urgente que surja uma nova geração de apóstolos radicados na palavra de Cristo". São palavras tão fortes e comprometedoras que quase assustam. Sem dúvida, também nós gostaríamos de ser novos apóstolos, mas pode explicar-nos mais detalhadamente quais são, segundo Vossa Santidade, os maiores desafios a enfrentar no nosso tempo, e como espera que sejam estes novos apóstolos? Por outras palavras: que espera de nós, Santidade? 

Todos nos perguntamos o que espera de nós o Senhor. Parece-me que o grande desafio do nosso tempo assim me dizem também os Bispos em visita "ad Limina", por exemplo, os da África é o secularismo: isto é, um modo de viver e de apresentar o mundo como "si Deus non daretur", isto é, como se Deus não existisse. Pretende-se limitar Deus à esfera privada, a um sentimento, como se Ele não fosse uma realidade objectiva e assim cada um forma o seu projecto de vida. Mas, esta visão que se apresenta como se fosse científica, aceita como válido só o que se pode verificar com a experiência. Com um Deus que não se dispõe para a experiência imediata, esta visão termina por dilacerar também a sociedade: de facto, isto leva cada um a formar o seu projecto e no final encontram-se uns contra os outros. Uma situação, como se vê, decididamente insuportável. Devemos tornar de novo Deus presente nas nossas sociedades. Parece-me que esta seja a primeira necessidade: que Deus esteja de novo presente na nossa vida, que não vivamos como se fôssemos autónomos, autorizados a inventar o que é a liberdade e a vida. Devemos capacitar-nos que somos criaturas, constatar que existe um Deus que nos criou e que na sua vontade não é dependência mas um dom de amor que nos faz viver.
Por conseguinte, o primeiro ponto é conhecer Deus, conhecê-lo cada vez mais, reconhecer na nossa vida que Deus existe, e que Deus está relacionado com ela. O segundo ponto se reconhecemos que Deus existe, que a nossa liberdade é partilhada com os outros e que deve existir um parâmetro comum para construir uma realidade comum o segundo ponto, dizia, apresenta a questão: qual Deus? De facto, existem tantas imagens falsas de Deus, um Deus violento, etc. A segunda questão é: reconhecer o Deus que nos mostrou o seu rosto em Jesus, que sofreu por nós, que nos amou até à morte e desta forma venceu a violência. É preciso tornar presente, antes de tudo na nossa "própria" vida o Deus vivo, o Deus que não é desconhecido, um Deus inventado, um Deus só pensado, mas um Deus que se mostrou, se mostrou a si mesmo e o seu rosto. Só assim, a nossa vida se torna verdadeira, autenticamente humana e também os critérios do verdadeiro humanismo se tornam presentes na sociedade. Também aqui é válido, como disse na primeira resposta, que não podemos construir sozinhos esta vida justa e recta, mas devemos caminhar em companhia de amigos justos e rectos, de companheiros com os quais podemos fazer a experiência de que Deus existe e que é agradável caminhar com Deus. E caminhar na grande companhia da Igreja, que nos apresenta nos séculos a presença do Deus que fala, que age, que nos acompanha. Portanto diria: encontrar o Deus que se revelou em Jesus Cristo, caminhar juntamente com a sua grande família, com os nossos irmãos e irmãs que são a família de Deus, isto parece-me o conteúdo essencial deste apostolado do qual falei. 


Quinta-feira, 6 de Abril 2006

Bento XVI responde: Como viver a afetividade segundo a Palavra de Deus? A família fundada no matrimônio não é apenas uma invenção da Igreja?


2. Santo Padre, chamo-me Anna, tenho 19 anos, estudo Letras e pertenço à Paróquia de Santa Maria do Carmelo.
Um dos problemas com os quais me deparo com mais frequência é o afectivo. Em maior medida temos dificuldade em amar. Sim, dificuldade: porque é fácil confundir o amor com o egoísmo, sobretudo hoje, quando grande parte da mídia quase nos impõe uma visão da sexualidade individualista, secularizada, onde tudo parece ser lícito, e tudo é concedido em nome da liberdade e da consciência dos indivíduos. A família fundada no matrimónio parece ser apenas uma invenção da Igreja, para não falar, depois, das relações pré-matrimoniais, cuja proibição é considerada, até por muitos de nós, crentes, incompreensível ou fora do tempo... Sabendo bem que muitos de nós procuramos viver responsavelmente a nossa vida afectiva, pode ilustrar-nos o que nos quer dizer em relação a isto a Palavra de Deus? Obrigada. 

Trata-se de uma grande questão e responder em poucos minutos certamente não é possível, mas procuro dizer alguma coisa. A própria Anna já deu algumas respostas quando disse que hoje o amor é com frequência mal interpretado, porque é apresentado como uma experiência egoísta, enquanto que na realidade é um abandono de si e assim torna-se um encontrar-se. Ela disse também que uma cultura consumista falsifica a nossa vida com um relativismo que parece conceder-nos tudo e na realidade nos esvazia. Mas ouçamos então o que diz a Palavra de Deus em relação a isto. Anna queria saber exactamente o que diz a Palavra de Deus. É para mim muito agradável ver que já nas primeiras páginas da Sagrada Escritura, logo após a narração da Criação do homem, encontramos a definição do amor e do matrimónio. O autor sagrado diz: "O homem deixará seu pai e sua mãe, unir-se-á à sua mulher e os dois serão uma só carne, uma única existência". Estamos no início e já nos é dada uma profecia do que é o matrimónio; e esta definição também permanece idêntica no Novo Testamento. O matrimónio é este seguir o outro no amor e, desta forma, tornar-se uma única existência, uma só carne, e por isso, inseparáveis; uma nova existência que nasce desta comunhão de amor, que une e cria um futuro. Os teólogos medievais, interpretando esta afirmação que se encontra no início da Sagrada Escritura, disseram que dos sete Sacramentos, o matrimónio foi o primeiro que Deus instituiu, porque foi instituído já no momento da criação, no Paraíso, no início da história, e antes de qualquer história humana. É um sacramento do Criador do universo, inscrito precisamente no próprio ser humano, que está orientado para este caminho, no qual o homem abandona os pais e se une à sua mulher para formar uma só carne, para que, desta forma, se tornem uma única existência. Por conseguinte, o sacramento do matrimónio não é invenção da Igreja, é realmente "con-criado" com o homem como tal, como fruto do dinamismo do amor, no qual o homem e a mulher se encontram reciprocamente e assim encontram também o Criador que os chamou ao amor. É verdade que o homem caiu e foi expulso do Paraíso, ou por outras palavras mais modernas, é verdade que todas as culturas estão poluídas pelo pecado, pelos erros do homem na sua história e assim o desígnio inicial inscrito na nossa natureza está obscurecido. De facto, nas culturas humanas encontramos este obscurecimento do desígnio original de Deus. Mas, ao mesmo tempo, observamos as culturas, toda a história cultural da humanidade, verificamos também que o homem nunca pôde esquecer totalmente este desígnio que existe na profundidade do seu ser. Sempre soube, num certo sentido, que as outras formas de relação entre homem e mulher não correspondiam realmente ao desígnio original do seu ser. E assim nas culturas, sobretudo nas grandes culturas, vemos sempre de novo como elas se orientam para esta realidade, a monogamia, ser o homem e a mulher uma só carne. É assim, na fidelidade, que uma nova geração pode crescer, que se pode dar continuidade a uma tradição cultural, renovando-se e realizando, na continuidade, um progresso autêntico.
O Senhor, que falou disto na língua dos profetas de Israel, mencionando a concessão da parte de Moisés do divórcio, disse: Moisés vo-lo concedeu "devido à dureza do vosso coração". O coração depois do pecado tornou-se "duro", mas não era este o desígnio do Criador e os Profetas com clareza crescente insistiram sobre este desígnio originário. Para renovar o homem, o Senhor aludindo a estas vozes proféticas que sempre guiaram Israel para a clareza da monogamia reconheceu com Ezequiel que temos necessidade, para viver esta vocação, de um coração novo; em vez de um coração de pedra como diz Ezequiel precisamos de um coração de carne, de um coração verdadeiramente humano. E o Senhor no Baptismo, mediante a fé "implanta" em nós este coração novo. Não é um transplante físico, mas talvez nos possamos servir precisamente desta comparação: depois do transplante, é necessário que o organismo seja cuidado, que receba os remédios necessários para poder viver com o coração novo, de forma a tornar-se o "seu coração" e não o "coração de outrém". Muito mais neste "transplante espiritual", onde o Senhor nos implanta um coração novo, um coração aberto ao Criador, à vocação de Deus, para poder viver com este coração novo, são necessários cuidados adequados, é preciso recorrer aos remédios oportunos, para que ele se torne verdadeiramente "o nosso coração". Vivendo na comunhão com Cristo, com a sua Igreja, o novo coração torna-se realmente "o nosso coração" e torna-se possível o matrimónio. O amor exclusivo entre um homem e uma mulher, a vida a dois designada pelo Criador torna-se possível, mesmo se o clima do nosso mundo lhe apresenta tantas dificuldades, até fazê-la parecer impossível.
O Senhor dá-nos um coração novo e nós devemos viver com este coração novo, usando as terapias oportunas para que seja realmente "nosso". É assim que vivemos tudo o que o Criador nos deu e isto cria uma vida verdadeiramente feliz. De facto, também podemos ver isto neste mundo, apesar de tantos outros modelos de vida: existem tantas famílias cristãs que vivem com fidelidade e com alegria a vida e o amor indicados pelo Criador e assim cresce uma nova humanidade.
E por fim acrescentaria: todos sabemos que para alcançar uma meta no desporto e na profissão são necessárias disciplina e renúncias, mas depois elas são coroadas pelo sucesso, por ter alcançado a meta desejada. Também a própria vida, isto é, o tornar-se homens segundo o desígnio de Jesus, exige renúncias; mas elas não são uma coisa negativa, ao contrário ajudam a viver como homens com um coração novo, a viver uma vida verdadeiramente humana e feliz. Dado que existe uma cultura consumista que pretende impedir que vivamos segundo o desígnio do Criador, nós devemos ter a coragem de criar ilhas, oásis, e depois grandes terrenos de cultura católica, nos quais viver o desígnio do Criador.
Quinta-feira, 6 de Abril 2006

Bento XVI responde: Como posso reconhecer que aquilo que leio é Palavra de Deus que interpela a minha vida?


1. Santidade, chamo-me Simone, pertenço à paróquia de São Bartolomeu, tenho 21 anos e estudo engenharia química na Universidade "La Sapienza" de Roma.
Antes de mais, agradeço por nos ter enviado a Mensagem para a XXI Jornada Mundial da Juventude sobre o tema da Palavra de Deus que ilumina os passos da vida do homem. Perante as ansiedades, as incertezas do futuro, e também quando enfrento simplesmente a rotina da vida quotidiana, também eu sinto a necessidade de me alimentar da Palavra de Deus e de conhecer melhor Cristo e assim encontrar respostas para as minhas perguntas. Com frequência me interrogo sobre o que faria Jesus se estivesse no meu lugar numa determinada situação, mas nem sempre consigo compreender o que a Bíblia me diz. Além disso sei que os livros da Bíblia foram escritos por diversos homens, em épocas diversas e todas muito distantes da minha. Como posso reconhecer que aquilo que leio é Palavra de Deus que interpela a minha vida? Obrigado. 

Respondo realçando um primeiro ponto: antes de tudo, é preciso dizer que se deve ler a Sagrada Escritura não como um livro histórico qualquer, como lemos, por exemplo, Homero, Ovídio, Horácio; é preciso lê-la realmente como Palavra de Deus, isto é, colocando-se em diálogo com Deus. Inicialmente deve-se rezar, falar com o Senhor: "Abre-me a porta". É quanto diz com frequência Santo Agostinho nas suas homilias: "Bati à porta da tua Palavra para encontrar finalmente o que o Senhor me quer dizer". Isto parece-me um ponto muito importante. Não se lê a Escritura num clima académico, mas rezando e dizendo ao Senhor: "Ajuda-me a compreender a tua Palavra, o que agora tu me queres dizer nesta página".
O segundo ponto é: a Sagrada Escritura introduz na comunhão com a família de Deus. Por conseguinte, não se pode ler sozinhos a Sagrada Escritura. Não há dúvida de que é sempre importante ler a Bíblia de modo muito pessoal, num diálogo pessoal com Deus, mas ao mesmo tempo é importante lê-la na companhia de pessoas com as quais se caminha. Deixar-se ajudar pelos grandes mestres da "Lectio divina". Temos, por exemplo, tantos livros do Cardeal Martini, um verdadeiro mestre da "Lectio divina", que ajuda a entrar no coração da Sagrada Escritura. Ele conhece bem todas as circunstâncias históricas, todos os elementos característicos do passado, mas procura abrir sempre a porta para mostrar que aparentemente palavras do passado também são palavras do presente. Estes mestres ajudam-nos a compreender melhor e também a aprender como ler bem a Sagrada Escritura. Depois, em geral, é oportuno lê-la também em companhia dos amigos que estão a caminho connosco e procuram, juntos, o modo de viver com Cristo, qual deve ser a vida que nos vem da Palavra de Deus.
O terceiro ponto: se é importante ler a Sagrada Escritura ajudados pelos mestres, acompanhados pelos amigos, pelos companheiros de caminhada, é importante em particular lê-la na grande companhia do Povo de Deus peregrino, isto é, na Igreja. A Sagrada Escritura tem dois sujeitos. Antes de tudo, o sujeito divino: é Deus que fala. Mas Deus quis envolver o homem na sua Palavra. Enquanto os muçulmanos têm a convicção de que o Alcorão seja inspirado verbalmente por Deus, nós cremos que a Sagrada Escritura se caracteriza como dizem os teólogos pela "sinergia", a colaboração de Deus com o Homem. Ele envolve o seu Povo com a sua palavra e assim o segundo sujeito o primeiro sujeito, como disse, é Deus é humano. Nela há escritores individuais, mas também a continuidade de um sujeito permanente o Povo de Deus que caminha com a Palavra de Deus e está em diálogo com Deus. Ouvindo Deus, aprende-se a ouvir a Palavra de Deus e depois também a interpretá-la. E assim a Palavra de Deus torna-se presente, porque as pessoas morrem, mas o sujeito vital, o Povo de Deus, está sempre vivo, e é idêntico ao longo dos milénios: é sempre o mesmo sujeito vivente, no qual vive a Palavra.
Explicam-se assim também muitas estruturas da Sagrada Escritura, sobretudo a chamada "releitura". Um texto antigo é lido de novo noutro livro, digamos 100 anos mais tarde, e então o que ainda não era compreensível naquele momento precedente é compreendido em profundidade, mesmo se já estava contido no texto precedente. E volta a ser lido de novo mais tarde, e de novo se compreendem outros aspectos, outras dimensões da Palavra, e assim nesta permanente releitura e reescritura no contexto de uma continuidade profunda, enquanto se sucediam os tempos da expectativa, a Sagrada Escritura cresceu. Por fim, com a vinda de Cristo e com a experiência dos Apóstolos a Palavra tornou-se definitiva, de forma que não podem haver mais reescrituras, mas continuam a ser necessários novos aprofundamentos da nossa compreensão. O Senhor disse: "O Espírito Santo introduzir-vos-á numa profundidade que agora não podeis ter". Por conseguinte, a comunhão da Igreja é o sujeito vivo da Escritura. Mas também agora o sujeito é o próprio Senhor, o qual continua a falar na Escritura que temos nas mãos. Penso que devemos aprender estes três elementos: ler em diálogo pessoal com o Senhor; ler acompanhados por mestres que têm a experiência da fé, que entraram na Sagrada Escritura; ler na grande companhia da Igreja, em cuja Liturgia estes acontecimentos se tornam sempre de novo presentes, na qual o Senhor fala agora connosco, para que, lentamente entremos cada vez mais na Sagrada Escritura, na qual Deus fala realmente connosco, hoje. 



Quinta-feira, 6 de Abril 2006

O amor de Deus não faz distinção entre o recém-concebido ainda no ventre de sua mãe e da criança ou jovem ou o adulto ou o idoso


Estimados irmãos Bispos e Sacerdotes,
Ilustres Senhores e Senhoras
!

Dirijo a minha saudação respeitosa e cordial por ocasião da Assembléia Geral da Pontifícia Academia para a Vida e do Congresso Internacional, apenas começou a "O embrião humano na fase de pré-implantação". Em particular, saúdo o Cardeal Javier Lozano Barragan, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, assim como o bispo Elio Sgreccia, presidente da Academia Pontifícia para a Vida, a quem agradeço as amáveis palavras com as quais destacou a " especial questões de interesse que serão abordados nesta circunstância.

Na verdade, o tema escolhido para o seu estudo da Assembléia, "O embrião humano na fase de implantação, ou seja, os primeiros dias após a concepção, é hoje extremamente importante, tanto para as repercussões óbvias sobre filosófico antropologia e ética, tanto para as perspectivas de aplicação no campo das ciências biomédicas e da lei. É sem dúvida um assunto fascinante, mas difícil e desafiadora, dada a natureza delicada do assunto e da complexidade dos problemas epistemológicos que dizem respeito à relação entre a revelação dos fatos em ciências experimentais e da reflexão, na sequência necessário sobre os valores nível antropológico.

Como você pode ver, a mais velha nem a Escritura nem a Tradição cristã pode conter tratamento explícito do seu tema. No entanto, São Lucas, em contar uma reunião da Mãe de Jesus, que concebeu em seu seio virginal de poucos dias, a mãe de João Batista, já o sexto mês de gravidez, testemunha a presença activa, embora oculto, de dois filhos: "Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o bebê saltou no seu ventre" (Lc 1:41). Ambrósio diz: Elizabeth "percebeu a chegada de Maria, ele (João) a chegada do Senhor, a mulher, a chegada da mulher, da criança, a chegada da criança" (Comm. em Luc., 2,19.22-26). No entanto, mesmo na ausência do ensino explícito nos primeiros dias de vida do nascituro, você pode encontrar informações valiosas na Sagrada Escritura que provoca sentimentos de admiração e respeito para com o ser humano recém-concebido, especialmente alguém como você, estamos propondo para estudar o mistério da procriação humana. Os livros sagrados, de fato, a intenção de mostrar o amor de Deus para cada ser humano, antes mesmo de formado no útero. "Antes que fosses formado no ventre materno Eu te conheci antes de você nascer eu consagrada"(Jr 1:5), Deus disse a Jeremias. E o Salmista reconhece com gratidão:" Por que você criou meus rins cobriste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque eu tenho feito maravilhosamente, maravilhosas são as tuas obras, sabe-me o caminho "(Sl 139,13-14). Estas palavras, que eles compram toda a sua riqueza de significado quando consideramos que Deus intervém directamente na criação de cada novo ser humano.

O amor de Deus não faz distinção entre o recém-concebido ainda no ventre de sua mãe e da criança ou jovem, ou adulto ou idoso. Não faz diferença, porque cada um vê a marca da própria imagem e semelhança (Gn 1:26).

Não faz diferença, porque todo mundo vê refletida no rosto do seu Filho unigênito, para que "nos escolheu antes da fundação do mundo ... predestinou para sermos Seus filhos ... de acordo com o propósito da sua vontade" (Ef 1 4-6). Este amor ilimitado e quase incompreensível de Deus pelo homem revela até que ponto a pessoa humana seja digna de ser amada por si só, independentemente de qualquer outra consideração - inteligência, beleza, saúde, juventude, integridade, e assim por diante. Em suma, a vida humana é sempre uma coisa boa, porque "é uma manifestação de Deus no mundo, um sinal da sua presença, vestígio da sua glória" (cf. Evangelium Vitae34). Na verdade, o ser humano, é dada uma dignidade sublime, que tem suas raízes na ligação íntima que o une ao seu Criador: no homem, em qualquer fase ou condição de sua vida, resplandece um reflexo da própria realidade de Deus

Portanto, o Magistério da Igreja proclamou sempre o carácter sagrado e inviolável de cada vida humana desde a concepção até seu fim natural (cf. Evangelium vitae, 57). Estes juízos morais vale já no início da vida de um embrião antes que ele seja implantado no ventre, guarda e alimentá-la durante nove meses até o nascimento, "A vida humana é sagrada e inviolável em cada momento de sua existência, inclusive na fase inicial que precede o nascimento "(ibid., 61).

Eu sei, queridos estudiosos, com tais sentimentos de admiração e profundo respeito pelo homem que vocês realizam os seus exigentes e frutuosos trabalhos de pesquisa justamente sobre a origem da própria vida humana é um mistério cujo significado a ciência será capaz de iluminar mais e mais, mesmo que difícil de decifrar tudo.

Na verdade a razão, logo que consegue ultrapassar um limite considerado insuperável, outros limites como mais um desafio desconhecido. O homem permanecerá sempre um enigma profundo e impenetrável. No quarto século, o St. Cirilo de Jerusalém aos catecúmenos que se preparavam para ser batizado a seguinte reflexão: "Quem é a pessoa que preparou a cavidade da procriação dos filhos? Quem soprou vida em que o feto inanimado? Quem forneceu os nervos e óssea em torno deles, em seguida, a pele ea carne (cf. Jó 10:11) e quando o bebê nasce, ele deixa muito leite do peito? Como é que a criança cresce, torna-se um adolescente, um adolescente se transforma de Young, em seguida, e, finalmente, um homem velho, sem ninguém ser capaz de identificar o dia exacto em que a mudança ocorreu? " Ele concluiu: "Você vê, ó homem, o artista que você está vendo o Criador sábio" (catequese baptismal, 9, 15-16). No início do terceiro milênio ainda se aplicam estas considerações não são endereçadas, o fenômeno físico ou fisiológico, tal como o seu significado antropológico e metafísico.

Temos melhorado muito os nossos conhecimentos e definir mais claramente os limites de nossa ignorância, mas a inteligência humana parece muito difícil perceber que olhar para a criação, nos deparamos com o selo do Criador. Na verdade, o amante da verdade, como você, caros estudiosos, deve perceber que a investigação sobre temas tão profundos nos coloca em posição de ver e também quase tocando a mão de Deus

Além dos limites do método experimental, na fronteira do reino que alguns chamam de meta-análise, onde não é suficiente ou você pode não apenas a percepção sensorial ou verificação científica, começa a aventura da transcendência, o compromisso de " prosseguir. "

Caros pesquisadores e estudiosos, esperamos que mais e mais sucesso, não só na análise da realidade objetiva de seus esforços, mas também na contemplação, para que, juntamente com suas descobertas, as perguntas vão surgir que levam a descobrir a beleza da criação reflete o Criador. Neste contexto, gostaria de manifestar o meu apreço e gratidão à Academia Pontifícia para a Vida para o seu valioso trabalho de "estudo, formação e informação", que beneficia os ministérios da Santa Sé, as Igrejas locais e estudiosos atentos às o que a Igreja propõe, no domínio da investigação científica sobre a vida humana e sua relação com a ética ea lei. Devido à urgência e importância destes problemas, considero que a criação, pelo meu venerado predecessor João Paulo II neste organismo. Para todos vocês, por isso, o pessoal e os membros da Academia Pontifícia para a Vida, gostaria de manifestar o meu sincero carinho e proximidade de meu apoio. Com estes sentimentos, confiando o seu trabalho para a protecção de Maria, concedo a Bênção Apostólica a todos vós.
 
Discurso de Sua Santidade o Papa Bento XVI à Assembléia Geral da Pontifícia Academia para a Vida e do Congresso Internacional "O embrião humano na fase pré-implantação"

Clementine Hall
Segunda-feira, 27 de fevereiro, 2006



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A Via Pulchritudinis, o caminho da Verdade e da Bondade

Tradução do original em italiano de l’Assemblea plenaria del Pontificio Consiglio della Cultura – 27 al 28 marzo 2006 -  La Via pulchritudinis – Cammino privilegiato di evangelizzazione e di dialogo.
altarPropondo uma estética teológica, Hans Urs von Balthasar pretendia abrir os horizontes do pensamento à meditação e à contemplação da beleza de Deus, do seu mistério e de Cristo no qual Ele se revela. Na introdução ao primeiro volume da sua obra magistral, Glória, o teólogo cita a palavra beleza “que para nós será a primeira” e não exprime a levada em relação ao bem que “também perdeu a sua força de atração” e na qual “os argumentos a favor da verdade exauriram a sua força de conclusão lógica”.
A nossa palavra inicial se chama beleza… A beleza é a última palavra que o intelecto pensante pode ousar pronunciar, porque essa não faz senão coroar, qual auréola de esplendor inefável, o dúplice astro da verdade e do bem e a sua relação indissolúvel. Essa é a beleza desinteressada sem a qual o velho mundo era incapaz de se entender, mas a qual se colocou na ponta dos pés do moderno mundo de interesses, para abandoná-lo à sua cupidez e à sua tristeza. Essa é a beleza que não é mais amada e protegida nem mesmo pela religião e que, todavia, salta como uma máscara do próprio rosto, coloca a nu os tratos que ameaçam tornar incompreensíveis aos homens… Os quais, em seu nome, ondulam o sorriso nos lábios, julgando-a como uma bagatela exótica de um passado burguês, do qual pode estar seguro de que — secretamente ou abertamente — não é mais capaz de rezar e, logo, não é mais capaz de amar…
Num mundo sem beleza — mesmo se os homens não se arriscam a ficar sem esta palavra e a têm continuamente nos lábios, equivocando o sentido — num modo que não está forçosamente provado, mas que não é mais capaz de vê-la, de se relacionar com ela, e mesmo o bem perdeu a sua força de atração, a evidencia de seu dever-ser-preenchido… Num mundo que não se crê mais capaz de afirmar o belo, os argumentos a favor da verdade esgotaram a sua força de conclusão lógica.[1]

Paralelamente, com outras preocupações, Aleksandr I. Solženicyn nota com acento profético, no seu discurso pela atribuição do Prêmio Nobel da Literatura:
Esta antiga trindade da Verdade, do Bem e da Beleza não é simplesmente uma caduca fórmula da parada, como era assinalado nos tempos da nossa presunçosa juventude materialista. Se, como diziam os sábios, o cume destes três arbustos se reúnem, enquanto os rebentos da Verdade e do Bem, muito precoces e indefesos são esmagados, desfeitos e não chegam à maturidade, talvez estranhos, imprevistos, inesperados serão os rebentos da Beleza a despontar e a crescer no mesmo lugar e serão eles de tal modo que cumprem o trabalho dos três.[2]

Então, bem longe de renunciar a propor a Verdade e o Bem, que estão no coração do Evangelho, é necessário seguir uma via que permita para esses juntar o coração do homem e da cultura. Padre Turoldo, cantor da beleza, reporta esta significativa afirmação de D. Barsotti:
O mistério da beleza! Até a verdade e o bem tornaram-se beleza, a verdade e o bem parecem permanecer de alguma forma estranhas ao homem, impõem-se-lhe do exterior; ele lhes adere, mas não os possui; exigem-lhe uma obediência que de alguma forma os mortifica.[3]

O mundo nascente tem uma urgente necessidade, como sublinhava Paulo VI na sua vibrante mensagem aos Artistas de 8 de Dezembro 1965, no encerramento do Concílio Ecumênico Vaticano II:
O mundo em que vivemos tem necessidade de beleza para não cair no desespero. A beleza, como a verdade, é a que traz alegria ao coração dos homens, é este fruto precioso que resiste ao passar do tempo, que une as gerações e as faz comungar na admiração.[4]

Contemplada com ânimo puro, a beleza fala diretamente ao coração, eleva interiormente da estupefação ao maravilhamento, da admiração à gratidão, da felicidade à contemplação. Portanto, cria um terreno fértil para a escuta e o diálogo com o homem e para aferrá-lo inteiramente de mente e coração, inteligência e razão, capacidade criadora e imaginação. Essa, de fato, dificilmente deixa indiferença: suscita emoções, coloca num certo dinamismo de profundas transformações interiores que geram alegria, sentimento de leveza, desejo de participar gratuitamente nesta mesma beleza, de se apropriar dela interiorizando-a e inserindo-a na própria existência concreta.
A Via da Beleza responde ao íntimo desejo de felicidade que está albergado no coração de todos os homens. Ela abre horizontes infinitos, que levam o ser humano a sair de si próprio, da rotina e do efêmero instante que passa, para se abrir ao Transcendente e ao Mistério, a desejar, como fim último do seu desejo de felicidade e da sua nostalgia de absoluto, esta Beleza original que é o próprio Deus, Criador de toda a beleza criada. Muitos Padres fizeram referência a isto no Sínodo dos Bispos sobre a Eucaristia, em Outubro de 2005. O homem, no seu íntimo desejo de felicidade, pode encontrar-se colocado de frente para o mal do sofrimento e da morte. Do mesmo modo, as culturas são de tal maneira postas diante de fenômenos análogos aos malefícios, que poderão conduzir até ao seu eclipse. A voz da beleza ajuda a abrir-se à luz da verdade, e ilumina, de tal forma, a condição humana, ajudando-a a colher o significado da dor. Desse modo, favorece a sanar os males.
A Via Pulchritudinis. Tradução de VICTORINO DE ANDRADE, José. in: Lumen Veritatis. São Paulo: Associação Colégio Arautos do Evangelho, n. 6, jan-mar 2009.   p. 126-128.

[1] H. Urs von Balthasar, Gloria. Gli aspetti estetici della Rivelazione. I, Milano 1975, 10-11.
[2] Lezione per il Premio Nobel, in Opere, t. IX, YMCA Press, Vermont-Paris 1981, p. 9.
[3] “Bellezza” in Nuovo Dizionario di Mariologia, Ed. Paoline, 1985, p. 222-223.
[4] O Papa João Paulo II retomou esta afirmação essencial na sua Lettera agli Artisti, n. 11.

Fonte: http://presbiteros.arautos.org/tag/hans-urs-von-balthasar/
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