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Papa apela à reconciliação entre tradição religiosa e secularismo

Bento XVI defendeu hoje uma reconciliação entre a tradição religiosa e o secularismo, em Portugal. "Nestes séculos da dialéctica entre iluminismo, secularismo e fé, não faltaram nunca pessoas que quiseram criar pontes, um diálogo", constatou, lamentando a "tendência dominante" de opor estas dimensões. O Papa falava aos jornalistas, a bordo do voo que o transportava até Lisboa, recordando a "longa história" do secularismo e do iluminismo país, a respeito da qual evocou o nome do Marquês de "Pombal". "Ao longo destes séculos, Portugal viveu sempre na dialéctica" que hoje assume novas formas, disse. A presença do secularismo foi classificada como "normal", mas o Papa sublinhou que "o grande desafio actual é que este e a "cultura da fé" se encontrem e descubram "a sua verdadeira identidade".
 
Para Bento XVI, neste momento existe "uma hipótese" para encontrar "a síntese" para um diálogo "profundo e verdadeiro". O Papa considera a cultura europeia não pode ser apenas "racionalista, sem dimensão religiosa e transcendente", considerando que assim não poderia entrar em diálogo com as grandes "tradições culturais da humanidade". "A razão como tal é aberta ao transcendente", defendeu.
 
Octavio Carmo
Agência Ecclesia

Papa é tímido e um gigante ao nível cultural

ALEXANDRA SERÔDIO

Cardeal patriarca acredita que os cristãos vão ter encontro "muito forte" com Bento XVI num "tempo concreto que não é fácil", mas que o Mundo está a viver.

Esteve na eleição de Bento XVI e assegura que o Papa é um homem tímido e que, por isso, faz um enorme esforço para enfrentar multidões. D. José Policarpo apela à mobilização dos católicos para as cerimónias religiosas e recorda as conversões de jovens durante a visita do último Papa a Portugal. Apaixonado pelo "diálogo entre o rio e a cidade de Lisboa", o Cardeal Patriarca admite que a missa no Terreiro do Paço será um momento único.

Que expectativas tem em relação a esta visita?

O principal é que corra muito bem e estamos a preparar-nos para isso. Espero que, como já aconteceu das outras vezes, o encontro com o Santo Padre seja uma experiência muito forte de pertencer a esta Igreja, num tempo concreto que não é fácil, mas é o que estamos a viver. Não sei se é mais fácil ou mais difícil de passar, é aquele que estamos a viver. E, portanto, será certamente em todos os sítios onde o Santo Padre estiver um encontro muito forte, muito vivo dos cristãos com a figura do Papa.

É a primeira vez que os cristãos portugueses vão estar com este Papa...

O encontro com o Papa, do ponto de vista físico, de comunhão com o Papa, na maior parte da vida dos cristãos é feita espiritualmente. Antigamente até havia o 'slogan' muito engraçado que era 'ir a Roma e não ver o Papa'. De há 50 anos a esta parte, depois do Concílio Vaticano II, os Papas introduziram uma novidade no seu ministério que é viajar. João Paulo II ultrapassou todos os recordes, ele gostava de viajar. Já Paulo VI viajou e este também. Estas viagens permitem às comunidades sentir ao vivo uma dimensão permanente da sua eclesialidade, que é a comunhão com o sucessor de Pedro. E esta é uma componente fundamental do catolicismo, porque a palavra católico significa universal, portanto significa estar em comunhão com todo o Mundo, com todas as Igrejas do Mundo, na mesma fé e no mesmo amor fraterno, e na mesma compreensão fundamental da moral cristã, da existência cristã. Este vínculo de unidade tem um rosto sacramental que é o Papa, como presidente do colégio dos bispos.

É um encontro importante?

Sim. Guardo sempre na minha imagem, até porque estive muito empenhado na organização, aquele belíssimo encontro do Parque Eduardo VII com João Paulo II. É uma coisa que fica gravada. Mesmo tanto tempo depois eu tenho encontrado pessoas... houve conversões. Tenho dois padres na diocese que se converteram nesse dia. Eram jovens, descrentes, converteram-se e foram para o seminário. São óptimos padres, porque se converteram nesse encontro aqui com João Paulo II.

Portugal tem uma ligação muito forte a João Paulo II. Há quem diga que este Papa não tem tanto carisma.

Quando se diz as pessoas, dá a entender que é toda a gente e não é. Essa é uma componente que tem sido transmitida. Desde os finais do século XIX que os Papas têm sido personalidades gigantes e todos diferentes uns dos outros. Aquando da eleição deste Papa, em que estive presente, uma das coisas que corria entre nós era como seria suceder a João Paulo II. Lembro-me de dizer: 'Tirem isso da cabeça. Nós não vamos eleger uma pessoa para suceder ou imitar João Paulo II. Vamos eleger uma pessoa para um tempo novo'. Este papa é diferente, não há dúvida nenhuma. É uma pessoa diferente. Conheço-o há muito tempo. É um tímido, de uma sensibilidade enorme e um gigante do ponto de vista cultural. É das cabeças mais brilhantes do século XXI e, sem dúvida nenhuma, entre os maiores teólogos da história da igreja. Isso dá-lhe uma componente muito importante que marca a forma de estar. É um homem que descansa a tocar ou a ouvir música. Não é um homem de multidões, não. Eu acho que ele está a fazer um esforço enorme para o seu temperamento, para a sua maneira de ser, enfrentar as multidões que ele tem, apesar de ter diminuído o número de viagens.

Bento XVI pode arrastar multidões?

Os tempos são outros e temos de ter isso em conta. Em 40 anos a sociedade mudou muito, até nos meios de Comunicação Social. Penso que a grande tentação que o nosso povo vai ter, neste momento, é ficar descansado em casa a ver a belíssima reportagem que os meios de comunicação vão oferecer e não perceberem que não é a mesma coisa. Porque para além da pessoa é o Papa, o 'homem vestido de branco'.

Escolheu o Terreiro do Paço para a celebração da missa porquê?

O Terreiro do Paço foi escolhido de propósito e por duas razões: primeiro, porque acho que é a praça mais bonita de Lisboa e, portanto, é a nossa sala de visitas. E acho que Lisboa sem o rio não é a mesma coisa. O diálogo do rio com a cidade é uma coisa congénita, como aliás no Porto também é. Sou particularmente apaixonado por esse diálogo contínuo entre a cidade e o rio. Estamos a celebrar os 50 anos da inauguração do monumento a Cristo Rei e a diocese de Setúbal queria muito que o Santo Padre tivesse um momento no Cristo Rei. É uma visita muito curta e mesmo do ponto de vista logístico não era fácil. Optámos por uma solução que era o Papa celebrar em Lisboa num sítio onde se visse o Cristo Rei e num determinado momento da celebração ter um gesto. Até se chegou a pensar que o Santo Padre acenderia a nova iluminação, mas vai ser complicado porque às 20 horas, naquela altura ainda estará Sol, portanto vai ser complicado com um interruptor acender a nova iluminação da estátua do Cristo Rei.
 
Fonte: Jornal de Notícias

Papa vai a Fátima mostrar ação de Deus na história

Análise do porta-voz vaticano

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 10 de maio de 2010 (ZENIT.org).- Bento XVI vai a Fátima mostrar como Deus age na história, um das lições centrais dos aparecimentos da Virgem Maria aos três pastorinhos portugueses, segundo anuncia o porta-voz da Santa Sé.

O Pe. Federico Lombardi SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, analisa as razões pelas quais o Papa visita Portugal, de 11 a 14 de maio, no 10º aniversário da beatificação de Jacinta e Francisco, no último editorial da publicação semanal Octava Dies do Centro de Televisão Vaticano.

"João Paulo II quis que o ‘terceiro segredo' de Fátima fosse revelado na ocasião da beatificação dos dois pastorinhos, Francisco e Jacinta, durante o Jubileu do ano 2000, transição entre dois milênios. Estava se completando um século caracterizado por grandes sofrimentos, sobre os quais, exatamente, as visões de Fátima deram uma interpretação espiritual dramática e luminosa: tempo de guerra e de martírio, no qual a Igreja e mesmo o Papa compartilham profundamente os sofrimentos e a sede de salvação da humanidade inteira."

"Para duas crianças inocentes, em um lugar insignificante - como é característico dos grandes eventos marianos -, era confiada uma mensagem que, em sua simplicidade, liberava uma força espiritual capaz de superar fronteiras e de ser transmitida além das graves circunstâncias da história da humanidade", sublinha o porta-voz.

O Pe. Lombardi, em seu editorial, pergunta-se o que a mensagem de Fátima pode nos dizer, agora que foi revelado o segredo de fatos que se cumpriram.

Para responder, ele lembra o comentário do então cardeal Joseph Ratzinger na conclusão da publicação do texto do "segredo", no qual dizia: "Ação de Deus, Senhor da história, e corresponsabilidade do homem, em sua dramática e fecunda liberdade, são os dois pilares sobre os nos quais a história da humanidade é construída. A Virgem aparecida em Fátima nos convida a voltar a estes valores esquecidos, para o futuro do homem em Deus, de quem somos parte ativa e responsável".

"Precisamos de olhos límpidos e inocentes para ler o caminho do novo milênio e entender onde seus riscos e as suas mais verdadeiras esperanças estão. A mensagem de Fátima conserva toda a sua seriedade frente à história", conclui o Pe. Lombardi.

Como defender a fé no século 21?

Cardeal Levada responde com novas perspectivas para a apologética cristã

Por Carmen Elena Villa

ROMA, segunda-feira, 3 de maio de 2010 (ZENIT.org).- A defesa da fé não pode ser "muito defensiva nem muito agressiva". Deve se fazer com "cortesia e respeito" e sobretudo com o testemunho pessoal.

Foi o que explicou nessa quinta-feira o cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, no congresso "Uma apologética para um novo milênio", concluído na sexta-feira na Universidade Ateneu Regina Apostolorum em Roma. O purpurado interveio com uma conferência denominada "A urgência de uma nova apologética para a Igreja do século XXI".

O cardeal recordou como os antigos apologistas "dedicaram-se fundamentalmente a obter a tolerância civil para a comunidade cristã, para demonstrar que os cristãos não eram mal-feitores que mereciam a pena de morte".

Depois de fazer um breve percurso pela defesa da fé na história da Igreja, o prefeito explicou como a constituição Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, "desenvolve a revelação desde seu centro cristológico, para depois apresentar a responsabilidade iniludível da razão humana como uma dimensão da totalidade".

"Mostra que a relação humana do homem para Deus não consta de duas partes mais ou menos independentes, mas é uma parte indivisível", disse. "Não há tal coisa como uma religião natural em si mesma, mas cada religião é ‘positiva', ainda que por sua positividade não exclui a responsabilidade do pensamento, mas a inclui".

"Como se deveria apresentar uma nova apologética?", questionou o cardeal. "Fé e razão, credibilidade e verdade são exploradas como fundamentos necessários para a fé católica cristã".

Ele disse que a fé, conservando sempre sua essência, deve-se apresentar de uma maneira renovada "quando tem de enfrentar novas situações, novas gerações, novas culturas".

Beleza

Também assegurou que a apologética do novo milênio "deve-se enfocar na beleza da criação de Deus".

"Para que a apologética seja credível - disse - devemos dar especial atenção ao mistério e à beleza do culto católico, da visão sacramental do mundo que nos permite reconhecer e valorizar a beleza da criação como um preâmbulo do novo céu e da terra nova vislumbrados no segundo livro de Pedro e no Apocalipse".

O cardeal Levada recordou as palavras do Papa Bento XVI no encontro com o clero da diocese de Bolzano-Bressanone durante sua visita aos EUA: "a arte e os santos são os maiores apologistas para nossa fé".

Ele disse também que o mais importante é "o testemunho de nossas vidas como crentes que colocamos nossa fé em prática, trabalhando pela justiça e a caridade, como seguidores que imitamos Jesus, nosso mestre".

Assegurou ainda que unir a visão de verdade, justiça e caridade "é essencial para garantir que o testemunho e a ação não são algo passageiro, mas podem dar uma contribuição duradoura para a criação da civilização do amor".

Ambiente de diálogo

O prefeito de Doutrina da Fé disse que na cultura atual é necessário um diálogo sobre "o significado e o propósito da liberdade humana". Assinalou também como uma nova apologética "deve ter em conta o contexto ecumênico e inter-religioso de qualquer diálogo sobre a fé religiosa em um mundo secular".

O purpurado disse que há a necessidade de criar um diálogo "com a ciência e a tecnologia". Ainda que muitos cientistas falem de sua fé pessoal, "no entanto, a face pública da ciência é decididamente agnóstica".

"Seguramente, o novo milênio oferecerá novas oportunidades para expandir esta dimensão chave do diálogo entre fé e a razão", disse, e assegurou que entre as perguntas que agora requerem maior atenção "estão a da evolução na relação com a doutrina da criação".

O purpurado concluiu sua conferência assegurando que a apologética do século XXI não pode ser vista como uma "missão impossível" e disse que em uma sociedade agnóstica, uma condição essencial para que haja verdadeiro diálogo é o "desejo de conhecer o outro na plenitude de sua humanidade".

Fonte: Zenit.org

Perda do sentido religioso deve-se ao enfraquecimento da razão

Duas dezenas de intelectuais analisam «O Pensamento de Bento XVI» na Universidade Católica, em Lisboa

Cerca de duas dezenas de intelectuais analisam esta Segunda-feira o “Pensamento de Bento XVI”, num encontro promovido pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa (UCP).

A iniciativa, que decorre em Lisboa, começou com a presença de uma centena de pessoas que encheram a sala, mas a afluência de público obrigou à mudança da localização para o maior auditório da UCP.

No primeiro painel, dedicado ao tema “A Universidade. O discurso que não chegou a ser pronunciado na Universidade de la Sapienza”, Henrique Leitão considerou que o Papa assume ser “representante de uma comunidade que ao longo dos séculos se debate com o problema da verdade e, portanto, tem algo de válido a dizer”.

O ponto “traumático” e “intolerável” que tornou inaceitável a presença de Bento XVI na universidade de Roma, a 17 de Janeiro de 2008, foi a insistência do Papa na “razoabilidade da posição da fé”, afirmou o investigador.

O orador defendeu que o pontificado de Bento XVI, quando se dirige ao mundo ocidental, é um “longo argumento” para afirmar a centralidade da razão para o aprofundamento da fé.

Para o historiador da Universidade de Lisboa, o Papa não atribui a perda do sentido religioso no Ocidente ao enfraquecimento da fé ou ao ateísmo, mas ao “estreitamento da razão”, que desde o Iluminismo até aos nossos dias nada mais aceita do que “a estrita razão científica”.

Henrique Leitão sublinhou que a proibição do discurso na Universidade La Sapienza é sinal de uma “feroz tenaz intelectual” que afecta o pensamento no Ocidente e classificou o autor e os 67 subscritores da moção que se opuseram à intervenção de Bento XVI como “polícias do pensamento”.

Depois de frisar que o pensamento do Papa parece ter sido confirmado pela recusa da realização do seu discurso, Henrique Leitão advertiu que “se a razão se torna surda à mensagem da fé cristã, seca como uma árvore cujas raízes já não chegam à água que lhe dá vida”.

Nas palavras de abertura do encontro, o reitor da Universidade Católica Portuguesa, Manuel Braga da Cruz, realçou que Bento XVI “tem sido vítima de algum intencional desconhecimento por parte da comunicação social mundial”.

O reitor recordou que há três anos, quando se avistou com o Papa, no Vaticano, lhe perguntou quando viria a Portugal, e ele terá dito que já não seria possível; perante a iminência da visita de 11 a 14 de Maio, Manuel Braga da Cruz perguntou: “o que terá levado Bento XVI a mudar de opinião?”.

Comunicar a identidade cristã na sociedade pós-moderna

Uma conferência da teóloga leiga alemã Jutta Burggaraf

Por Carmen Elena Villa

ROMA, domingo, 2 de maio de 2010 (ZENIT.org).- Aconteceu na Pontíficia Universidade da Santa Cruz em Roma o congresso Church and comunications. Identily and dialogue (Igreja e comunicação, identidade e diálogo”), encerrado na quarta-feira.

Dentro de densas e interessantes reflexões sobre estratégias de comunicação, a presença da Igreja na mídia, os atuais temas de controvérsia como a pedofilia, entre muitos outros, uma das oradoras, bastante aplaudido pelos participantes, enfatizou um elemento fundamental no processo de dar conhecimento do Evangelho: somente se pode comunicar a Cristo em primeira pessoa.

Busca por almas

Jutta Burggraf, leiga, doutora em Psicopedagogia na Sagrada Teologia e professora da Universidade de Navarra, disse como no mundo atual “parece que qualquer coisa é mais credível que uma verdade cristã”.

Não se busca o verdadeiro, mas o desejável, o que gostam e acham que faz bem: um pouco de Buda, um pouco de Shiva, um pouco de Jesus de Nazaré”, disse.

Ela descreveu o homem como um cigano: “Não tem lugar: talvez tenha uma casa para o corpo, mas não para a alma. Há falta de orientação, há insegurança e também muita solidão”.

“Assim, não é de estranhar que se queira alcançar a felicidade no prazer imediato ou talvez no aplauso”, assegurou a filósofa. “Se alguém não é amado, quer ser ao menos elogiado”.

Uma época na qual “temos meios cada vez mais perfeitos, mas os fins estão completamente perturbados”. O homem expressa assim uma “sede de interioridade”, que pode se manifestar “tanto na literatura como na arte, na música e também no cinema”.

Em meio dessa busca, poucos pensam no cristianismo como uma opção, devido a ter fama de “não ser mais que uma rígida instituição burocrática, com preceitos e punições”.

No entanto, afirmou a professora Burggraf, há também aqueles que fogem do cristianismo por motivos opostos, “a pregação cristã lhes parece superficial, muito light, sem fundamento e sem exigências rigorosas”.

“Querem que alguém lhes diga com absoluta certeza qual é o caminho da salvação, e que outro pense e decida por eles: aí temos o grande mercado das seitas”, assegurou a docente.

Evangelização no século XX

Estamos na era chamada pós-modernismo. Jutta Burggraf a definiu como “uma época que vem ‘depois’ do modernismo e ‘antes’ de uma nova era que ainda não conhecemos”. Uma série de novidades que “reclamam um novo modo de falar e de atuar”.

Por isso, disse essa teóloga, não se pode olhar o passado com nostalgia “mas sim adotar uma atitude positiva para o momento histórico concreto: deveria estar à altura de novos acontecimentos, que marcam suas alegrias e preocupações, e todo seu estilo de vida”.

É preciso saber perceber os acontecimentos de outra forma que as gerações anteriores. “Um bom teólogo lê tanto a Bíblia como o jornal”, garantiu Jutta.

A docente também se referiu à linguagem não verbal no processo de comunicar o Evangelho: “transmitimos somente uma pequena parte da informação de modo consciente, e todo o resto de modo inconsciente: por meio do olhar, da expressão do rosto, através das mãos e dos gestos, da voz e da linguagem corporal”.

Jutta disse que somente se pode anunciar a Deus se o homem tem dentro de si uma sólida identidade cristã: “talvez nossa linguagem pareça às vezes tão incolor porque ainda não estamos suficientemente convencidos da beleza da fé e do grande tesouro que temos, e nos deixamos facilmente ser esmagados pelo ambiente”.

Um cristão não tem de ser perfeito, mas sim autêntico”, assegurou Jutta. “Os outros notam se uma pessoa está convencida do conteúdo de seu discurso ou não”.

A sociedade pós-moderna rejeitou os “grandes relatos” e também os “portadores da suma verdade”, já que hoje, está mais claro que nunca “que ninguém pode saber tudo”.

Por isso, a pastoral deve ser “desde baixo”, não “de cima”, muito menos desde a cátedra, que quer educar os pobres ignorantes”, garantiu a teóloga.

Quem fala de Cristo deve estar convencido que “não é uma doutrina que possuímos, sim uma Pessoa pela qual nos deixamos possuir. É um processo sem fim, uma conquista sucessiva”.

Falar da fé é mostrar “o grande amor de Deus por nós, a vida apaixonante de Cristo, a atuação misteriosa do Espírito em nossa mente e coração”.

Por isso, é necessário “fugir do que fazem os que querem tirar a força do cristianismo: reduzem a fé à moral e a moral ao sexto mandamento”.

A docente ainda disse que acreditar em Deus significa “caminhar com Cristo - em meio de todas as lutas que tenhamos - até a casa do Pai”.

Ao anunciar Cristo “pouco adiantam os esforços, e menos ainda os sermões”. O mais importante é a fé, “um dom de Deus”. “Podemos convidar os outros a pedi-la, junto a nós, humildemente, do alto”, conclui a docente.

Bento XVI ressalta valor educativo da música para obter equilíbrio e harmonia

VATICANO, 30 Abr. 10 / 04:16 am (ACI).- Ao finalizar o concerto em sua homenagem organizada hoje pelo Presidente da Itália, Giorgio Napolitano, no 5° aniversário de seu pontificado, o Papa Bento XVI destacou o grande valor pedagógico da música, em meio de um mundo hostil a uma adequada educação, e explicou que esta é "capaz de abrir as mentes e os corações à dimensão do espírito e conduz as pessoas a elevar o olhar para o Alto, a abrir-se ao Bem e ao Belo absolutos, que têm sua fonte última em Deus".

Depois da execução de algumas sinfonias de Sammartini, Mozart e Beethoven, por parte da Orquestra Juvenil Italiana, o Santo Padre se referiu aos aspectos positivos da música para a educação. Em particular, disse, reconhece-se o valor formativo da música em suas implicações de natureza expressiva, criativa, interpessoal, social e cultural, que assumem uma grande relevância, também, frente a uma realidade cotidiana em que não é fácil educar.

"No atual contexto social, de fato, cada obra de educação parecesse ser cada vez mais árdua e problemática: com freqüência entre os pais e os educadores se fala das dificuldades que se encontram para transmitir às novas gerações os valores fundamentais da existência e de um reto comportamento", disse o Papa, conforme assinala a nota divulgada pela Rádio Vaticano ontem.

O Papa disse logo que essas situações problemáticas implicam a escola e a família, assim como também as distintas instituições que trabalham no campo da formação. Por isso, ante as atuais condições da sociedade, necessitam um maior compromisso educativo a favor das novas gerações.

O Santo Padre manifestou ademais que "os jovens, embora vivam em contextos diferentes, têm uma comum sensibilidade para os grandes ideais da vida, mas encontram muitas dificuldades para vivê-los. Não podemos ignorar suas necessidades e suas expectativas, e tampouco os obstáculos e as ameaças que encontram".

Os jovens, continuou Bento XVI, "sentem a exigência de aproximar-se dos valores autênticos como a centralidade da pessoa, a dignidade humana, a paz, a tolerância e a solidariedade. Procuram também, de maneira às vezes confusa e contraditória, a espiritualidade e a transcendência para encontrar equilíbrio e harmonia".

Depois de renovar sua convicção de que nessa busca a música é capaz de conduzir a esse equilíbrio e a essa harmonia, o Papa recordou que a alegria do canto e da música são ademais um constante convite aos fiéis e homens de boa vontade a comprometer-se para dar à humanidade um futuro rico de esperança.

O Papa também ressaltou o valor coletivo da experiência de tocar em uma orquestra onde com paciência, exercício e escuta busca-se obter a melhor expressão musical em conjunto –ainda mantendo as características próprias– o que "constitui uma palestra formidável, não só no plano artístico e profissional mas sob um perfil humano global".

Bento XVI expressou seu agradecimento ao Presidente italiano que com sua comemoração manifesta o afeto que o povo italiano nutre pelo Papa, "um afeto que foi igualmente fervente em Santa Catarina de Sena, Padroeira da Itália, e de quem hoje festejamos sua memória litúrgica.

O Santo Padre manifestou ao final de seu discurso seu desejo de que "a grandeza e a beleza das peças musicais magistralmente interpretadas possam dar a todos uma nova e constante inspiração a aspirar a metas cada vez mais altas na vida pessoal e social".

Você acredita no Sudário?

De 10 de abril a 23 de maio, em Turim, na Itália, acontece mais uma exposição pública do Sudário, um lençol de linho que muitos cristãos acreditam ter sido usado para cobrir o corpo de Jesus após a sua morte, na sexta-feira santa. Entre o milhão e meio de peregrinos que se inscreveram para venerar a relíquia, está também o Papa Bento XVI.

A autenticidade do Sudário vem sendo debatida há longo tempo. De acordo com algumas versões, ele foi trazido de Constantinopla para a França pelos Cruzados, em 1204. Após permanecer em lugar incerto e desconhecido durante 150 anos, em 1353 foi localizado em Lirey. Em 1453, passou a ser propriedade do duque de Saboia, que o colocou numa igreja de Chambéry. Em 1578, seus sucessores o levaram para Turim – onde se encontra até hoje –, para ir ao encontro do desejo de São Carlos Borromeu, que veio a pé, desde Milão, para agradecer a Deus pelo término da peste que devastara a diocese.

Os pesquisadores que o veem como uma das inúmeras falsificações que aparecem aqui e acolá ao longo da história da humanidade, nem sempre se apoiam em argumentos convincentes. É o caso, por exemplo, de quem tentou descobrir nele a mortalha que envolveu os restos mortais de Jacques De Molay, Grão Mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários, queimado vivo por ordem do Rei Felipe, o Belo, no dia 18 de março de 1314.

Apesar das dúvidas e resistências, o Sudário continua a atrair a atenção e o interesse de um grande número de historiadores, por seu valor cultural e científico, e de uma multidão de cristãos, por seu significado histórico e espiritual. Para estes, a imagem desenhada no tecido sagrado é uma prova a mais do que custou para Jesus “amar a humanidade até as últimas conseqüências” (Cf Jo 13,1).

Dentre as surpresas apresentadas pelo Sudário, a primeira é impressionante: a figura que nele aparece é invertida, como se fosse o negativo de uma fotografia. A descoberta aconteceu no dia 2 de junho de 1898, quando Secondo Pia obteve permissão para fotografar o lençol. Apareceu-lhe, então, em traços nítidos, o corpo inteiro, frente e dorso, de um homem flagelado e crucificado – algo simplesmente impossível de prever!

Outra novidade, verificada cientificamente em 1977, é a tridimensionalidade da imagem. Desta forma, é possível destacar a distância entre o tecido e as diversas partes do corpo nele reproduzido, o que não acontece numa fotografia comum. Por sua vez, as partes do corpo que não estiveram em contato direto com o pano, também se acham nele misteriosamente impressas.

A maior parte dos estudiosos que negam a autenticidade do Sudário o faz por julgá-lo obra de um artista medieval. Mas, se assim fosse, apesar de desconhecido, ele devia ser um gênio, por conseguir apresentar uma imagem ao avesso! Na verdade, no pano não foi detectada nenhuma reação química que demonstre um revestimento com matéria corante.

O lençol mostra a imagem de um homem com os pulsos transpassados. Como se sabe, até poucos anos atrás se acreditava que Jesus tivesse sido crucificado pelas palmas das mãos. É o que demonstram quase todas as pinturas e imagens que retratam a crucificação. Hoje, pelo contrário, se sabe que os condenados eram pregados na cruz pelos pulsos, o que causava uma contração do polegar – exatamente como se vê no Sudário, que revela, nesse campo, um conhecimento anatômico inexistente na Idade Média.

Para quem não tem maiores dificuldades em acreditar no Sudário, ele pode ser visto até mesmo como uma prova da ressurreição de Jesus. Se alguns estudiosos não conseguem explicar a imagem nele desenhada, outros afirmam que ela, pela nitidez com que aparece no lençol, só pode ser fruto da intensa luminosidade que se desprendeu do corpo glorioso de Jesus no momento da ressurreição...

O que dizer, então, do exame de Carbono 14, realizado em 1988, por alguns laboratórios, “demonstrando” a origem medieval do Sudário? Para Marcos Tosatti, autor do livro “Segredos e Mistérios do Santo Sudário de Jesus”, publicado em 2009, «o exame é falho pela falta de homogeneidade das amostras. No pedaço de lençol, próximo ao ponto examinado, havia algodão e uma substância resinosa, resultado de um remendo feito na Idade Média –, o que contribuiu para alterar os dados».

Em todo o caso, para o cristão, mais importante do que descobrir se o Sudário envolveu ou não os restos mortais de Jesus, é a certeza que não precisa «procurar entre os mortos Quem está vivo» (Jo 24,5).

Fonte:http://www.cnbb.org.br/site/articulistas/dom-redovino-rizzardo/3195-voce-acredita-no-sudario

Discurso de Bento XVI à Pontifícia Academia das Ciências Sociais

Bollettino della Sala Stampa della Santa Sede
(tradução de CN Notícias)

Queridos membros da Academia,

Apraz-me cumprimentar-vos no início de vossa XVI Sessão Plenária, que é dedicada a uma análise da crise econômica global à luz dos princípios éticos consagrados na Doutrina Social da Igreja. Agradeço a vossa presidenta, professora Mary Ann Glendon, por suas corteses palavras de saudação e ofereço-vos meus sinceros bons votos para a fecundidade de suas deliberações.

A quebra do sistema financeiro mundial, como sabemos, demonstrou a fragilidade do atual sistema econômico e das instituições a ele ligados. Isso também mostrou o erro do pressuposto de que o mercado é capaz de autorregular-se, para além da intervenção pública e o apoio de padrões morais internalizados. Tal suposição é baseada em uma noção empobrecida da vida econômica como uma espécie de mecanismo de auto-calibração conduzido por interesses próprios e fins lucrativos. Dessa forma, negligencia a natureza essencialmente ética da economia como uma atividade de e para os seres humanos. Mais que uma espiral de produção e consumo, em vista de necessidades humanas estritamente definidas, a vida econômica deve ser corretamente vista como um exercício de responsabilidade humana, intrinsecamente orientada para a promoção da dignidade da pessoa, a busca do bem comum e do desenvolvimento integral - político, cultural e espiritual - dos indivíduos, famílias e sociedades. Uma apreciação desta dimensão humana exige, por sua vez, precisamente o tipo de investigação interdisciplinar e reflexão com que a presente sessão da Academia se compromete.

Na minha Encíclica Caritas in Veritate, observei que "a crise atual obriga-nos a projetar de novo o nosso caminho, a impor-nos regras novas e encontrar novas formas de compromisso" (n. 21). Replanejar o caminho, é claro, também significa olhar para os padrões compreensivos e objetivos que permitem avaliar as estruturas, instituições e decisões concretas que guiam e direcionam a vida econômica. A Igreja, baseada em sua fé em Deus o Criador, afirma a existência de uma lei universal natural que é a fonte última desses critérios (cf. Caritas in Veritate, 59). No entanto, ela também está convencido de que os princípios dessa ordem ética, inscrita na própria criação, são acessíveis à razão humana e, como tal, devem ser adotados como base para decisões práticas. Como parte do grande patrimônio da sabedoria humana, a lei moral natural, que a Igreja apropriou, purificada e desenvolvida à luz da revelação Cristã, serve como um farol guiando os esforços de indivíduos e comunidades para exercer o bem e evitar o mal, enquanto direcionam seus compromissos para construir autenticamente uma sociedade justa e humana.

Entre os princípios indispensáveis que moldam essa abordagem ética integral da vida econômica deve estar a promoção do bem comum, baseada no respeito pela dignidade da pessoa humana e reconhecê-la como o objetivo principal dos sistemas de produção e comércio, instituições políticas e bem-estar social. Em nossos dias, a preocupação com o bem comum tem assumido uma dimensão cada vez mais marcadamente global. Isso também tornou cada vez mais evidente que o bem comum envolve a responsabilidade perante as gerações futuras; a solidariedade intergeracional deve passar a ser reconhecida como um critério ético fundamental para julgar qualquer sistema social. Essas realidades apopntam para a urgência de reforçar os procedimentos de governança da economia global, embora com o devido respeito pelo princípio da subsidiariedade. No final, porém, todas as decisões econômicas e políticas devem ser orientadas para a "caridade na verdade", na medida em que a verdade preserva e canaliza o poder libertador da caridade em meio às sempre contingentes estruturas e acontecimentos humanos. Pois "sem verdade, sem confiança e amor pelo que é verdadeiro, não há consciência e responsabilidade social, e a ação social fica à mercê de interesses privados e lógicas de poder, com efeitos desagregadores na sociedade" (Caritas in Veritate, 5).

Com essas considerações, queridos amigos, novamente expresso minha confiança de que esta Sessão Plenária contribuirá para um discernimento mais profundo dos sérios desafios sociais e econômicos que enfrenta o nosso mundo e ajudará a apontar o caminho a seguir para enfrentar esses desafios em um espírito de sabedoria, justiça e autêntica humanidade. Garanto-vos mais uma vez as minhas orações por vosso importante trabalho, e sobre vós e seus entes queridos invoco cordialmente as Bênçãos divinas de alegria e paz.

Pesquisas com células-tronco: cardeal Martino explica posição do Vaticano

“Com células-tronco adultas ninguém é assassinado”

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 29 de abril de 2010 (ZENIT.org). – É lícita a pesquisa científica com células-tronco adultas? Porque o Vaticano tem apoiado tais pesquisas? O presidente emérito do Conselho Pontifício Justiça e Paz, cardeal Renato Martino, respondeu a perguntas como estas em uma entrevista transmitida pela Rádio Vaticana, logo após a Universidade de Maryland, nos EUA, anunciar a decisão da Santa Sé de doar milhões de dólares para pesquisas deste tipo.

A Igreja quer contribuir para o progresso da ciência, mas sempre tendo em vista a defesa da vida dos doentes e evitando o emprego de células-tronco embrionárias nas pesquisas”, declarou o purpurado.

As células-tronco – também conhecidas como células-mãe – possuem a capacidade de se transformar em qualquer tipo de célula, incluindo células de tecidos cerebrais, cardíacos, de músculos, da pele e de outros órgãos.

Tais células são encontradas no cordão umbilical, na placenta, na medula óssea, nos intestinos e nos embriões. Várias clínicas de maternidade já oferecem o serviço de congelar amostras do cordão umbilical da placenta de recém-nascidos a fim de conservar células-tronco caso venham a ser necessárias em tratamentos no futuro – tanto do próprio bebê como também, em alguns casos, de seus pais ou irmãos.

O problema é quando as pesquisas se baseiam nas células-tronco extraídas de embriões jovens – nos quais estão também presentes em grandes quantidades.“Quando se utiliza um embrião para obter células-tronco, o restante do embrião é eliminado, e uma vida humana é destruída”, enfatizou o cardeal.

Ao contrário, quando células-tronco adultas são usadas, não se assassina ninguém!”, acrescentou.

“Esta iniciativa propõe a extração de células-tronco adultas do intestino do paciente, para tratar doenças com o Alzheimer”, disse o purpurado.

A reunião de organização foi realizada no hospital do Menino Jesus de Roma – que pertence ao Vaticano – e que colocou à disposição seus próprios laboratórios para os estudos.

O cardeal afirmou que “a primeira contribuição da Igreja católica a tais pesquisas será oferecer um local onde poderão ser realizadas”.

Recentemente, o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi S.J., disse que “sempre se reconheceu como legítimos a pesquisa científica e o uso clínico de células-tronco provenientes de tecidos adultos” – como ocorre neste caso. “A distinção entre células-tronco adultas e embrionárias é fundamental sob o ponto de vista ético”.

Fonte: Agência Zenit

Uma introdução ao transhumanismo

Tentando construir um novo tipo de pessoa

Por E. Christian Brugger

WASHINGTON DC, quarta-feira, 28 de abril de 2010 (ZENIT.org).-As ideias do jovem movimento internacional conhecido como "transhumanismo" está começando a caracterizar o pensamento de um número cada vez maior de médicos e bioéticos. Acredito que nossos leitores poderiam tirar proveito de uma breve introdução a elas.

O transhumanismo é, na realidade, um conjunto de ideias que se desenvolveram em resposta ao rápido avanço da biotecnologia nos últimos vinte anos (ou seja, que a tecnologia é capaz de aspirar à manipulação das condições físicas, mentais e emocionais dos seres humanos). A medicina convencional tradicionalmente tem tido o propósito de superar os transtornos que afligem a condição humana: hemorragias, cauterizações, amputações, fornecimento de medicamentos, operações e transferências para climas mais secos, todos com a finalidade de facilitar a saúde e lutar contra a doença e a degeneração, ou seja, o propósito era curar (isto é, era basicamente terapêutico).

A tecnologia está tornando possíveis intervenções que, além de uma finalidade terapêutica, estão destinadas ao reforço das capacidades humanas saudáveis. Há uma gradual, mas constante ampliação dos ideais médicos, desde o simples cuidado médico até a cura e melhora. Todos nós estamos muito familiarizados com as "drogas que melhoram o rendimento" no esporte profissional. Contudo, a biotecnologia promete criar formas possíveis de melhoria que vão muito além do aumento muscular.

A terapia genética germinal, por exemplo, desde seu início, tem como objetivo modificar geneticamente as "células germinais" humanas (ou seja, o esperma e os óvulos), com a finalidade de introduzir características desejáveis no âmbito intelectual, físico e emocional, e excluir as indesejáveis. Visto que as modificações acontecem nas células na linha "germinal", as características são herdadas e transmitidas às gerações posteriores. Medicamentos para melhorar a função mental, como Ritalina e Adderall, são cada vez mais utilizados por pessoas saudáveis a fim de melhorar as capacidades cognitivas. Um estudo demonstrou que cerca de 7% dos estudantes universitários dos EUA usam os estimulantes de prescrição com fins de melhora. Esse número parece só aumentar.

A pesquisa está avançando rapidamente com tecnologias de ponta, tais como a interface cérebro-computador direto (BCI), os implantes de micromecânica, nanotecnologia, prótese de retina, neuromuscular e cortical, e os chamados "chips de telepatia". Embora cada uma dessas tecnologias possa desempenhar um papel na transformação das vidas dos pacientes com deficiência para que possam se comunicar melhor, manipular equipamentos, ver, caminhar, mover suas extremidades e se recuperar de doenças degenerativas, o transhumanismo os vê como possíveis instrumentos para a transformação da natureza humana. A versão de 2002 da Declaração Transhumanista estabelece: "A humanidade vai mudar radicalmente no futuro através da tecnologia. Prevemos a viabilidade de redesenhar a condição humana, incluindo parâmetros tais como a inevitabilidade do envelhecimento, limitações dos intelectos humanos e artificiais, psicologia não escolhida, sofrimento e nosso confinamento no planeta Terra".

Sua proposta mais radical é a superação da morte. Embora o objetivo pareça como fantasia, há cientistas e filósofos influentes comprometidos nisso. O pertinente cientista e inventor transhumanista, Dr. Ray Kurzweil, diz que durante a maior parte da história humana a morte era tolerada porque não havia nada que se pudesse fazer a respeito. Mas está se aproximando rapidamente o momento em que vamos ser capazes de isolar os genes e as proteínas que causam a degeneração de nossas células e reprogramá-las. O pressuposto da inevitabilidade da morte já não é crível e deve ser removido. Michael West, presidente de uma das maiores empresas de biotecnologia nos EUA, Advanced Cell Technology, concorda, argumentando que "o amor e a compaixão por nosso próximo, em última instância, nos levarão à conclusão de que temos de fazer de todo o possível para eliminar o envelhecimento e a morte".

Embora eu acredite que a maioria das pessoas no mundo ocidental não compartilha as ideias mais radicais do transhumanismo, a aceitação da preocupação pela autonomia humana que está subjacente à filosofia transhumanista é praticamente pela autonomia secular e da bioética nos dias de hoje. Os testamentos vitais que consagram o direito das pessoas de rejeitar o tratamento para prolongar a vida, mesmo se não estiverem morrendo, está se tornando algo comum nos hospitais e nos formulários de consentimento. Oregon, Washington e Montana legalizaram o suicídio medicamente assistido, alegando como cilindro retórico o argumento que se garante o direito à autonomia de uma pessoa a exercer a livre determinação não somente sobre sua vida, mas também sobre sua morte. Se a autonomia se estender a estas realidades, então certamente garantirá a liberdade para melhorar nossas capacidades.

Receio que atualmente o único que previne a afirmação em grande escala do imperativo transhumanista é um fator de "desgosto emocional", que, podemos ter certeza, diminuirá gradualmente em virtude da insistência suave e implacável da opinião leiga. Ao fazer isso, nossa nacionalidade, isolada por esse conceito de autonomia extrema, se encontrará sem defesa diante do imperativo tecnológico, que diz: se podemos planejar nosso filho perfeito, se podemos ser mais inteligentes, fortes e bonitos, se podemos prolongar indefinidamente a vida humana, então devemos fazê-lo. Se os embriões são sacrificados por meio do processo de experimentação para a perfeição dessa tecnologia, ou se as desigualdades sociais são introduzidas para benefício de uns em detrimento de outros, este será o preço do progresso!

A instrução do Vaticano sobre bioética de 2008, Dignitas Personae, fala sobre o uso da bioética para "introduzir alterações com o suposto objetivo de melhorar e fortalecer o patrimônio genético" e adverte fortemente contra a "mentalidade eugênica" que tal manipulação promove. Tais atitudes estigmatizarão as características hereditárias da imperfeição, gerando preconceitos com relação às pessoas que a possuem, dando prioridade àquelas que possuem qualidades supostamente desejáveis.
A instrução conclui dizendo: "Também temos que notar que, na tentativa de criar um novo tipo de ser humano, pode-se reconhecer um elemento ideológico em que o homem tenta ocupar o lugar de seu Criador" (n. 27).
Os esforços por manipular a natureza humana, desta forma "[...] acabariam prejudicando o bem comum" (n. 27).

Fonte: Zenit

A crise do jornalismo

Por Carlos Alberto Di Franco
O Estado de S. Paulo - 03/05/2010

Recentemente, Juan Luis Cebrián, fundador e primeiro diretor do El País, foi entrevistado pela jornalista Laura Greenhalgh, editora executiva do jornal O Estado de S. Paulo. A entrevista, saborosa e inteligente, foi uma sincera reflexão sobre os avanços e recuos do nosso ofício. Cebrián viveu importante momento da história da imprensa espanhola. O El País, independentemente de certo alinhamento ideológico com o governo socialista, é um grande diário.

A crise que fustiga a nossa atividade é flagrada na radiografia do escritor. O que está em jogo é o próprio modo de fazer jornalismo. Cebrián intui a gravidade do momento. "A internet é um fenômeno de desintermediação", diz ele. "E que futuro aguarda os meios de comunicação, assim como os partidos políticos e os sindicatos, num mundo desintermediado?"

Só nos resta uma saída: produzir informação de alta qualidade técnica e ética. Ou fazemos jornalismo de verdade, fiel à verdade dos fatos, verdadeiramente fiscalizador dos poderes públicos e com excelência na prestação de serviço, ou seremos descartados por um leitorado cada vez mais fascinado pelo aparente autocontrole da informação na plataforma virtual. Um olhar, sincero e autocrítico, mostra alguns equívocos que aos poucos vão minando a credibilidade e comprometendo nossa capacidade de atrair e fidelizar leitores.

Algumas patologias, evidentes para quem tem olhos de ver, dominam alguns setores do jornalismo: engajamento ideológico, escassa especialização e preparo técnico, falta de apuração, reprodução acrítica de declarações não contrastadas com fontes independentes e, sobretudo, a fácil concessão ao jornalismo declaratório.

A recente enxurrada de matérias sobre abuso sexual na Igreja são um bom exemplo desses desvios. Setores da mídia definiram os abusos com uma expressão claramente equivocada: "pedofilia epidêmica". Poucos jornais fizeram o que deveriam ter feito: a análise objetiva do fatos. O exame sereno, tecnicamente responsável, mostraria, acima de qualquer possibilidade de dúvida, que o número de delitos ocorridos é muitíssimo menor entre padres católicos do que em qualquer outra comunidade. Em artigo recente, o conhecido sociólogo italiano Massimo Introvigne mostrou que, num período de várias décadas, apenas 100 sacerdotes foram denunciados e condenados na Itália, enquanto 6 mil professores de educação física sofriam condenação pelo mesmo delito. Na Alemanha, desde 1995, existiram 210 mil denúncias de abusos. Dessas 210 mil, 300 estavam ligadas ao clero, menos de 0,2%. Por que só nos ocupamos das 300 denúncias contra a Igreja? E as outras 209 mil denúncias? Trata-se, como já afirmei, de um escândalo seletivo.

Recentemente, repercutimos, sem qualquer análise crítica, declarações de um representante da Associação de Teólogos e Teólogas João XXIII, sediada na Espanha. Pedia-se, num gesto carregado de ridículo, a demissão de Bento XVI. Ninguém, no entanto, perguntou o óbvio: Quem são os teólogos que integram essa entidade? Trata-se de uma ONG com credibilidade pública comprovada? Um mínimo de apuração jornalística mostraria que se trata de uma entidade de dissidentes, sem qualquer expressão. A Igreja, com sua história bimilenar e precedentes de crises muito piores, é um mistério. Mas, obviamente, não é um assunto para ser tocado com amadorismo ou engajamento.

A má qualidade da cobertura da pedofilia na Igreja é, a meu ver, a ponta do iceberg de algo mais grave. Não existe crise da mídia impressa. Existe, sim, uma grave crise no modo de fazer jornalismo. Reproduzimos, frequentemente, o politicamente correto. Não apuramos. Não confrontamos informações de impacto com fontes independentes. Ficamos reféns de grupos que pretendem controlar a agenda pública. Mas o jornalismo de qualidade não pode ficar refém de ninguém: nem da Igreja, nem dos políticos, nem do movimento gay, nem dos ambientalistas, nem dos governos. Devemos, sim, ficar reféns da verdade.

Mas algo parecido ocorre com a cobertura de política. O jornalismo declaratório, pobre e simplificador, repercute o Brasil oficial, mas fracassa no seu papel de fiscalizador do poder. Um exemplo, entre outros, confirma o que estou dizendo. Gastamos páginas repercutindo o obstinado apoio de Lula à ditadura cubana, mesmo com o risco de comprometimento de sua biografia. E não vamos à fonte que esclarece definitivamente as razões da estratégia do presidente da República. É só contar ao leitor a história do Foro de São Paulo. Lá está tudo, inclusive a matriz inspiradora do Plano Nacional de Direito Humanos (PNDH-3).

Como lembrou alguém, estamos diante de um projeto de corte radical-socialista, que está sendo implantado na Venezuela, no Equador e na Bolívia e que tem em Cuba o seu ponto de referência. Trata-se de um projeto destinado a mudar profundamente a nossa sociedade.

Vida, família, educação, liberdade de imprensa, liberdade de consciência, de religião e de culto não podem ser definidos pelo poder do Estado ou de uma minoria. A fonte dos direitos humanos é a pessoa, e não o Estado e os poderes públicos. Sempre que o Estado ocupa o espaço do indivíduo, a primeira vítima é a liberdade. A segunda, são os direitos humanos. Basta olhar para o brutal autoritarismo da ditadura cubana. Precisamos ir às raízes verdadeiras dos assuntos que ocupam a agenda pública.

Há espaço, e muito, para o bom jornalismo. Basta cuidar do conteúdo e estabelecer metodologias e processos eficientes de controle de qualidade da informação. E redescobrir uma verdade constantemente reiterada pelo jornalista Ruy Mesquita: o bom jornalismo é "sempre artesanato".

Debate científico ante o aborto: A partir de quando um não-nascido sente dor?

.- Em um artigo intitulado "Os fetos sentem dor?", publicado no web site Discovery, diversos cientistas dão suas opiniões sobre o tema. Alguns dizem que a partir da semana 18 de gestação, outros que a partir da 29ª. Para alguns deles, isto não tem nenhuma relação com o aborto, para outros tem tudo a ver e essa é a razão que sustenta a decisão, por exemplo, que no estado de Nebraska, Estados Unidos, tenha se proibido esta prática logo depois da semana 20 da gravidez.

Para o Dr. Kanwaljeet Anand, Diretor do Laboratório de Neurobiologia da Dor do Centro de Saúde da Universidade de Tennessee em Memphis, "durante décadas, o assunto da dor fetal foi coberto pelas implicâncias que este tem para o aborto".
Os estudos deste cientista mostram que os não-nascidos sentem dor entre as semanas 18 e 20 de gestação. Quando um não-nascido requer uma transfusão de sangue, explica, as mudanças nos batimentos do coração do coração e a mudança de pressão sangüínea mostram a geração dos hormônios do stress. Um medicamento com morfina muda essas reações, demonstrando a existência da dor.

"Os que apóiam a morte dirão que esses são só reflexos", adverte Anand. Mas as novas evidências sugerem que os cérebros dos não nascidos estão desenvolvidos justamente nos lugares que lhes permitem tomar as sensações que experimentam e transformá-las em dor.

"Não só é o assunto da sensibilidade de uma dor maior no feto, ademais não se sabe quando a dor vai terminar", assegura.

Para Stuart Derbyshire, psicólogo e perito em dor fetal da Universidade de Birmingham no Reino Unido "apoiar leis neste temas é realmente irracional. O aborto não é uma questão científica. É um assunto moral e político. Tratar de fazer que a ciência responda uma pergunta moral é errado. É uma covardia dos legisladores".

Na opinião de Derbyshire, diversos estudos demonstram que os nervos que permitem experimentar a dor não estão desenvolvidas senão até a semana 26 de gestação, quer dizer, quando começa o terceiro trimestre de gestação.

"A dor não é algo que simplesmente resida nos tecidos nervosos. É uma experiência psicológica. Necessita coerência", assinala.

Por outro lado, Mark Rosen, diretor da seção de Anestesia Obstétrica da Universidade da Califórnia, escreveu uma carta aos legisladores de Nebraska na que assinalava que a evidência argumentada para a nova lei é muito débil. Para ele os não-nascidos experimentam dor a partir da semana 29 de gestação.

"Não há informação que sustente as conclusões da legislação de Nebraska. Este é um assunto controvertido porque os dados disponíveis não permitem conclusões absolutas. Infelizmente, há muitos assuntos emocionais e políticos em jogo aqui", indicava.

Fonte: ACI Digital

Expressão de Bento XVI é verdadeira e consistente


Laboratório de Expressão Facial da Emoção, da Universidade Fernando Pessoa, no Porto, fez um estudo inédito da expressão e linguagens faciais do Papa Bento XVI.

Segundo Freitas-Magalhães, director do laboratório da Faculdade de Ciências da Saúde, e especialista em expressão facial da emoção, "os movimentos e linguagens faciais do Papa Bento XVI são simétricos e articulados com o discurso verbal e contexto nos quais são produzidos e exibidos".

Ou seja, o Sumo Pontífice exibe uma expressão facial "congruente, consistente e verdadeira".

O estudo inédito da expressão e linguagens faciais do Papa Bento XVI, que está em desenvolvimento no Laboratório de Expressão Facial da Emoção da Universidade Fernando Pessoa, iniciou-se quando foi eleito pelo conclave de cardeais, em 2005, e faz parte do projecto científico "A neuropsicofisiologia da face: Os movimentos e linguagens em figuras públicas".

O presidente norte-americano, Barack Obama, foi o primeiro a ser objecto da "autópsia facial" no âmbito daquele programa, seguindo-se o chefe de estado português, Cavaco Silva.

Freitas-Magalhães vai apresentar os resultados sobre o estudo da expressividade da face do Papa Bento XVI durante a conferência "Os Vestígios Emocionais do Cérebro na Face Humana: O Efeito da Idade", a 20 de Maio, na Universidade Católica, em Braga.

Fonte: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1559606
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