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OCIDENTE NÃO TEM O DIREITO DE IMPOR PRESERVATIVOS A AFRICANOS

Carta aberta de um grupo de estudantes camaroneses
ROMA, quarta-feira, 6 de maio de 2009 (ZENIT.org).- «Dizemos com firmeza nosso ‘não’ a este modelo cultural totalmente estranho a nossos valores e tradições, que nos está sendo imposto como determinante da melhoria de nossa vida.» Com estas palavras, um grupo de estudantes dos Camarões divulgou na Europa uma carta aberta, recebida pela Zenit, contra os ataques ao Papa por suas palavras sobre o preservativo, durante a viagem apostólica a Camarões e Angola no mês de março passado. Nela, exige-se ao Diretor executivo do Fundo Mundial para a luta contra a AIDS, aos deputados belgas e aos ministros de Saúde espanhol, alemão e de Exterior francês, que «peçam perdão ao Papa e aos africanos». Este grupo denuncia que a imprensa ocidental «instrumentalizou injustamente, em uma violenta campanha sabidamente orquestrada» as palavras do Papa, e que os ataques recebidos por este constituem «uma vergonhosa ingerência na realidade africana». Os assinantes afirmam que os autores das críticas «identificaram o continente africano como um dos principais mercados de chegada dos preservativos para fazer crescer suas economias sociais. O jogo está claro: as indústrias do preservativo estão no Ocidente». «O Santo Padre tocou na chave do problema, alarmando os agentes deste florescente negócio na África», acusam. Para estes estudantes, utilizou-se o Papa como «bode expiatório» para «defender seus interesses econômicos ocultos após a exportação de suas práticas contraconceptivas a países com forte crescimento demográfico». «Que promovam e defendam o uso do preservativo em sua casa, já que esta escolha corresponde às suas concepções antropológicas sobre o ser humano, mas não têm direito a impor suas escolhas aos africanos», acrescentam. Especialmente, exigem ao Ocidente que «peça perdão aos africanos» por «enganá-los, apresentando-se como os verdadeiros benfeitores, quando na realidade não o são». «De que serve proteger os africanos com o preservativo se depois os matam com tantos mecanismos de exploração ou com as armas pela guerra de interesses políticos e econômicos desses mesmos benfeitores?» As pessoas na África «não morrem apenas de AIDS, e por isso é mentira dizer que o preservativo salva vidas humanas», acrescentam. «Pedimos, portanto, a estes supostos benfeitores da África que deixem, de uma vez por todas, de especular com ela. É necessário inverter a tendência: a pobreza da África não deve fazer mais a riqueza dos países já desenvolvidos.» Por último, os autores exigem ao Fundo para a luta contra a AIDS que destine os fundos com os quais conta «ao envio massivo de recursos para escavar poços de água e para construir implantes fotovoltaicos para a produção de energia solar, com o qual se favoreça uma distribuição massiva de água e luz». «Estes são os bens essenciais e decisivos para a África, e todos os agentes da cooperação internacional ao desenvolvimento são muito conscientes disso. Esta é a ajuda humanitária que a África precisa para desenvolver-se, e não o preservativo», concluem.

CAMISINHA - O USO DE PRESERVATIVOS E A IGREJA CATÓLICA

Caríssimos irmãos e irmãs : hoje gostaria de ter com vocês uma conversa amigável. Somos uma família. Uma família mais unida do que julgam aqueles que não nos conhecem. E na família há esses momentos gostosos de conversa depois do almoço, na varanda, no quintal ou na sala tomando um cafezinho. Desejaria, agora, se vocês me permitissem, entrar no seu lar, sentar-me ao lado de vocês e, num cálido ambiente familiar, ir falando daquilo que me preocupa e que penso ser motivo de preocupação e de perplexidade para vocês, como fazem os irmãos entre si, os pais com os filhos, os filhos com os pais e os amigos de verdade. É provável que esse nosso encontro se prolongue por um certo. É bom que seja assim. Deste modo, tudo o que gostaria de lhes comunicar, penso, ficará claro e, provavelmente, a partir dessa nossa conversa, vocês sairão mais esclarecidos e se sentirão mais fortalecidos para abordar esse tema com os seus filhos, vizinhos, amigos e irmãos na fé. Ultimamente, têm aparecido nos jornais, revistas e televisão – inclusive num programa de grande audiência – ataques à nossa grande família que é a Igreja, chamando-a de “retrógrada” e “medieval”, e tratando o Cardeal Alfonso López Trujillo, que trabalha no Vaticano como Presidente do Pontifício Conselho para a Família, de uma maneira afrontosa. Culpam-no, erradamente, de não ter apresentado nenhuma pesquisa sobre a ineficácia dos preservativos. Também por esta razão, vi-me obrigado a citar bastantes pesquisas sobre esta matéria. Trabalhos estes que também são do conhecimento de Dom Alfonso. Os questionamentos Alguns meios de comunicação questionam: como é possível que a Igreja não recomende o uso dos preservativos ? Não é este o método mais eficaz para deter o avanço dessa doença que está se convertendo numa verdadeira epidemia endêmica de âmbito planetário ? “A Igreja nega o óbvio”, apregoa a manchete de um importante jornal paulistano ... Talvez nós, que amamos a Igreja, nos sintamos constrangidos quando o Ministério da Saúde, ou a Organização Mundial da Saúde ( OMS ), expressa opiniões semelhantes. Vamos, por isso, raciocinar juntos num âmbito familiar . Muitos de nós já enviamos a diferentes jornais artigos e cartas que tentavam esclarecer o problema. Mas ou não os publicam ou os publicam fracionados ou incluídos num contexto que os desfigura. E é por isso que sinto necessidade de abrir o coração e falar agora, sem entraves, à nossa querida família cristã. Esta é a razão de ser desta carta familiar. Num clima sereno, sem polêmicas, irei deixando fluir os meus pensamentos, procurando que prevaleça o bom senso e a ponderação. A OMS parte de um fato: os costumes atuais não seguem as normas tradicionais, em que as relações sexuais estão destinadas a consumar um amor estável dentro do matrimônio onde, como fruto desse amor, hão de vir os filhos, criados e educados dentro desse âmbito familiar. Isto, porventura, poderia ser considerado como o “ideal” mas – argumenta-se – não podemos viver de “idealismos” , mas de realidades. E a realidade é bem diferente. Os jovens começam a ter relações sexuais antes do matrimônio; muitos não se cansam, e mantêm relações eventuais e transitórias; as moças jovens com freqüência deixam-se levar pelos seus impulsos e sentimentos, não se vive a fidelidade conjugal ... Há, enfim, em não poucos ambientes, um clima de permissividade ou até de promiscuidade, bem diferente de um eventual e teórico “ideal”. E é preciso encarar essa realidade, deixando de lado certos princípios, que estão sendo ultrapassados pelo progresso das ciências e das descobertas dos fármacos anticoncepcionais e dos preservativos. A verdade é que a Igreja está fora da realidade. Continua-se argumentando: Qual é o método mais seguro, barato e de fácil divulgação ? O preservativo. Mas o preservativo não tem falhas ? Alguns representantes do Ministério da Saúde e da OMS dizem taxativamente que não. Outros, contudo, admitem que elas existem, mas argumentam deste modo: admitamos que os preservativos tenham 10% de ineficácia, mas este risco é muito maior tenham 10% de ineficácia, mas este risco é muito maior quando eles não são usados; então o risco é de 100 % . É por esta razão que recomendamos o preservativo. Um cientista, num importante jornal do Rio de Janeiro, alega que as vacinas contra o sarampo e a pólio também não imunizam 100 % . E nem por isso se pensa na possibilidade de não usá-las ou de fazer campanhas chamando a atenção para isso, sob pena de incentivar a rejeição das vacinas que praticamente erradicaram aquelas doenças. Estes argumentos parecem tão contundentes que não poucos católicos ficam perplexos. Talvez não cheguem a contradizer abertamente a posição da Igreja, mas ficam com dúvidas ou acuados ou, pelo menos, fragilizados. Esclarecimentos necessários Devemos, contudo, ponderar que a Igreja – a única instituição duas vezes milenar – tem razões muito sérias para recomendar que não se usem os preservativos. Falando-lhes como um irmão – preocupado como estou – que se deteve a estudar esse assunto em profundidade, a fim trazer-lhes um posicionamento seguro a respeito destes questionamentos, quero dizer-lhes que a argumentação antes apresentada – que compara as falhas do preservativo com as das vacinas do sarampo, ou da pólio, por exemplo – não é consistente, por duas razões: a primeira, porque os vírus da pólio e do sarampo não se podem evitar: atacam em qualquer momento, transmitem-se pelo ar que se respira, pela água que se bebe, pelo alimento que se come ou pelo contato habitual do relacionamento social ... A Aids, não: transmite-se fundamentalmente pelas relações sexuais. E ninguém é obrigado a praticá-las com uma pessoa que não se conhece em profundidade, da mesma maneira que se é obrigado a comer, a beber, a respirar ou a relacionar-se socialmente ... A segunda, porque, no caso dos preservativos, a propaganda recomenda o uso como se as relações promíscuas fossem “normais”, inócuas, inevitáveis, ou até recomendáveis. Essa é a feição que têm as propagandas que às vezes aparecem: “aproveite o carnaval, mas use ‘camisinha’”. Aceita-se um pressuposto inadequado – a promiscuidade – e inclusive incentiva-se a mesma : “não se iniba, divirta-se, mas – cuidado! – use ‘camisinha’”. A propaganda, em geral, não faz nenhuma advertência, não entra em sutilezas, simplesmente incita a usar a “camisinha”, fomentando o que este uso traz consigo: uma relação eventual e insegura. É um meio que, sem dúvida, convida ao desregramento sexual. Desregramento sexual. Desregramento sexual este que traz consigo muitos inconvenientes: o enfraquecimento da saúde e da força da vontade, a perda de um comportamento social e profissionalmente correto, a falta de respeito à pessoa humana e, sobretudo, a infidelidade conjugal e a gravidez precoce, da qual não poucas vezes deriva o aborto. A mentalidade permissivista pode aceitar-se teoricamente, porém, quando na prática nos afetam pessoalmente, é bem diferente. Pode-se defender o “sexo livre”, mas ninguém aceita que a sua esposa, ou o seu marido, tenha relações com um terceiro. Pode-se, intelectualmente, ser favorável às relações sexuais pré-matrimoniais, mas ninguém gosta de que uma filha de quinze anos fique grávida, ou que um filho de quatorze anos seja pai. O fim bom não justifica utilizar meios perversos. Quem aceitaria montar uma escola para ensinar aos pivetes de rua a roubar sem matar ? Alguém alegaria que o fim é excelente: evitar muitas mortes. Mas os meios utilizados são péssimos. Evitar o pior não justifica consentir no que é mau. Evitar a Aids é ótimo mas fomentar a promiscuidade é péssimo. Não estaremos utilizando um inibidor para a Aids – o preservativo – que, em última análise, pode se tornar causa desta mesma doença ? Descuida-se a educação dos adolescentes para a efetividade e a vida sexual sadias, lamenta-se o uso precoce do sexo e a gravidez das adolescentes e, de repente, “a toque de caixa”, põe-se nas mãos dos menores um pacote de preservativos como que dizendo: “fique bem à vontade, a ‘camisinha’ garante”. É igual a querer pagar um incêndio com gasolina! E depois chamam de irresponsável a quem dá um grito de alerta. O “slogan” da “camisinha” que foi anunciado num conhecido programa de televisão é este: “Pecado é não usar camisinha”. É difícil inventar uma tão ardilosa falácia. “Pecado é não usar ‘camisinha’” , mas não é pecado trair a esposa, usando camisinha; não é pecado o desregramento sexual porque se usa “camisinha”; não é pecado deflorar uma menina porque se usa “camisinha”; não é pecado perverter menores incitando-os a usar “camisinha”; não é pecado desfigurar a imagem do Brasil, que tem tantos valores, apresentando-o como o país da libertinagem, das mulheres fáceis, das bacanais de carnaval ... Se uma campanha gastou tempo para inventar esta “sutileza”, o que poderemos esperar no desenvolvimento da mesma campanha? A Igreja simplesmente aconselha a ter um comportamento decente – porque, não o esqueçamos, a questão consiste em ser simplesmente decente – e deixa a liberdade para que as pessoas tomem a atitude que desejarem: não faz campanha . Não tem milhões para fazer propaganda. Não pressiona a opinião pública dessa maneira. Mas tem que suportar o peso fabuloso que representa para a opinião pública programas de televisão caríssimos. Nós perguntaríamos : quem realmente comete o pecado ? Por que esse interesse em denegrir a imagem da Igreja ? Não será por medo de que a atitude transparente dEla desperte a consciência dos cidadãos? Será necessário gastar milhões para tentar convencê-los : “Não, não há pecado quando se usa ‘camisinha’”. A Igreja não pretende admiração. A Igreja o que pretende é respeito. As ações que facilitam a propagação de uma doença são eticamente reprováveis. E os atos que desumanizam o sentido da sexualidade são igualmente reprováveis. João Paulo II assim se expressou: “ o uso dos preservativos acaba estimulando, queiramos ou não, uma prática desenfreada do sexo”. Podemos inibir-nos às vezes, queridos irmãos e irmãs, mas é preciso ter a coragem de dizer as verdades aos filhos, à sociedade e ao Estado; não existe sociedade estável sem família bem constituída; não há família bem constituída sem fidelidade conjugal; e não há fidelidade conjugal sem a educação da afetividade e do sexo, sem autocontrole. E quando não há autocontrole, o que fazer ? A OMS e o Ministério da Saúde advertem: Não é para se preocupar: use a “camisinha” ! A “camisinha” soluciona todos os problemas ... Perguntamos: a “camisinha” protege das crises conjugais, do sexo prematuro tão perturbador para tantos menores de idade, da delinqüência juvenil e das conseqüências naturais da desestruturação do lar ? Sabemos muito bem que a questão não consiste em curar os efeitos; é preciso suprimir as causas. Não se soluciona o problema profilático da água colocando um filtro em cada torneira, mas purificando a água na fonte, no reservatório. Não se encontra o remédio na “camisinha”, mas na mudança de atitude: um verdadeiro trabalho educativo no qual a Família, o Estado e a Igreja têm que envidar os mais vigorosos esforços. Não, não é com preservativos que se solucionarão os problemas do desregramento sexual, mas com um trabalho profundo que venha a colocar no lugar que merece o valor da vida, do amor, do sexo, do matrimônio e da família. E é nessa empreitada que está metida a Igreja. A Igreja não nega o óbvio. A Igreja reconhece o óbvio – a realidade – mas esforça-se por superá-la. Talvez seja a única entidade, em nível mundial, que tem a coragem de chamar as coisas pelo seu verdadeiro nome. E talvez seja por essa razão que é tão duramente criticada: a luz alegra os olhos sadios e fere os que estão doentes. O fundamento da posição da Igreja Mas, caríssimos amigos e amigas, voltemos a um ponto concreto destas nossas reflexões. Há quem diga: que tem a ver a Igreja com a eficácia técnica e profilática dos preservativos ? E nós poderíamos responder com toda a certeza: em realidade ela não tem nada que ver com isso, como não tem nada que ver com a eficácia da estreptomicina, enquanto o assunto estiver no âmbito científico. A Igreja defenderia a mesma opinião de sempre, ainda que os preservativos fossem absolutamente seguros. Com efeito, o fundamento da posição da Igreja é muito mais profundo: a mesma natureza humana. O eminente descobridor do HIV, Luc Montagnier, não se recusou a comprometer-se a fundo ao indicar como deveriam ser as campanhas contra a Aids: “são necessárias campanhas contra práticas sexuais contrárias à natureza biológica do homem. E, sobretudo, há que educar a juventude contra o risco da promiscuidade e o vagabundeio sexual” ( Luc Montagnier. “AIDS Natureza do Vírus”, em Atas da IV Reunião Internacional da AIDS, 1989, p. 52 ). Note-se que não é o Padre que fala no confessionário, mas o cientista-descobridor do HIV. A lei natural determina que existe um vínculo inseparável entre a relação sexual e a transmissão da vida. Romper artificialmente essa união – como acontece no suo do preservativo – representa uma grave infração dessa mesma lei natural. A Igreja reafirmou este princípio em repetidos documentos. Apresento aqui apenas um texto da Humanae Vitae, do Papa Paulo VI: “A doutrina da Igreja está fundamentada sobre a conexão inseparável que Deus quis e que o homem não pode alterar por sua iniciativa, entre os dois significados do ato conjugal: o significado unitivo e significado procriador” ( nº 12 ) A mesma Encíclica esclarece: “É de excluir, como o Ministério da Igreja repetidamente declarou, a esterilização direta, tanto perpétua como temporária, e tanto do homem como da mulher; é, ainda, de excluir toda ação que, ou em previsão do ato conjugal, ou durante a sua realização, ou também durante o desenvolvimento das suas conseqüências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação” ( nº 14 ). Não se pode mudar a ordem natural em função de uma solução imediatista e inadequada que, além de não solucionar o problema da proliferação da AIDS, propicia e incentiva a uma prática desregrada do sexo. Se a Igreja não tem porque dar um diagnóstico técnico sobre a eficácia do preservativo, contudo – como qualquer pai ou qualquer mãe – muito se importa quando se pretende enganar os seus filhos com afirmações pouco transparentes ou falaciosas. Nos artigos que têm aparecido recentemente nos jornais, infectologistas afirmam que “não conhecem qualquer estudo confirmando que o vírus da Aids passa pelos poros da camisinha”. Uma afirmação como esta só tem duas explicações: ou, por um lado, há um desconhecimento das múltiplas pesquisas verificativas existentes neste sentido ( ignorância que não se pode desculpar num verdadeiro cientista); ou, por outro, existe má fé: ocultam-se dados importantes para não tirar força a uma campanha que envolve milhões de reais, alimenta a próspera “indústria do sexo” e enriquece os laboratórios. A eficácia dos preservativos Com efeito, existem numerosos trabalhos que demonstram a ineficácia dos preservativos. A nossa conversa familiar está-se prolongando demais. Não a quero tornar mais cansativa e pesada, com uma repetição enfadonha de dezenas de pesquisas existentes nesta matéria. Por isso, pediria o seu consentimento para citar apenas alguns exemplos. “A Food and Drug Administration ( FDA ) – entidade do governo dos Estados Unidos encarregada de aprovar medicamentos, próteses, aditivos alimentares, etc. – estudou 430 marcas com 102 mil preservativos; 165 fabricados nos EUA com 38 mil preservativos e 265 marcas estrangeiras com 64 mil preservativos. O resultado da pesquisa verificou que 12% das marcas estadunidenses e 21% das estrangeiras não tinham um nível suficiente de qualidade” ( CDC . “Preservativos for prevention of sexually transmitted diseases”. MMWR. N. 37, 1988, pp. 133-134, cit. por Ernesto Aguilar – Alvarer Bay, “Campanas que matan”, ISTMO, México – DF., Março-Abril 2003, p. 35 ). “Aceitando essa taxa de defeitos, a probabilidade de falha no caso do preservativo seria de 20,8 % anuais se mantivessem relações uma vez por semana, e de 41,6% se fossem duas vezes por semana”. ( F. Guillén , I. Aguinaga, “Efectividad de los preservativos em la prevención de la infección por HIV em casais de pessoas soropositivas”. Méd. Clin. N. 105, 1995, p. 542, cit. Por Ernesto Aguilar, loc. Cit . ) . “Em 1992 o doutor Ronald F. Carey, pesquisador da FDA, introduziu microesferas de poliestireno do diâmetro do HIV em preservativos que tinham superado positivamente o teste da FDA e os submeteu a variações de pressões similares às que se produzem numa relação sexual: um terço deles perdeu entre 0,4 e 1,6 nanolitros. Numa relação sexual de dois minutos, com um preservativo que perde um nanolitro por segundo, passariam 12 mil vírus de HIV” ( Cit. Por Ernesto Aguilar Alvarez Bay, loc. Cit. ). Como se observa, a porosidade do látex pode permitir a passagem de milhares de vírus da Aids, com toda a sua carga mortífera, apenas numa breve relação. Este vírus é 450 vezes menor que o espermatozóide. O Centro de Controle de Doenças de Atlanta ( EEUU ), o que mais informações possui na luta contra a Aids, reconhece que “o uso apropriado dos preservativos em cada ato sexual pode reduzir, mas não eliminar, o risco de doenças de transmissão sexual”, e acrescenta: “a abstinência e a relação sexual com um ( a ) parceiro ( a ) mutuamente fiel e não infectado ( a ) são as únicas estratégias preventivamente totalmente eficazes”. Nestes mesmos termos, a OMS, paradoxalmente, em algum momento já afirmou que “só a abstinência ou a fidelidade recíproca perdurável entre os parceiros sexuais não infectados, elimina completamente o risco de infecção do vírus HIV” ( OMS. , 20 de janeiro de 1992, nº 17 ). Se tornássemos a ler, novamente, esta última frase, pareceria estarmos escutando um aconselhamento da Igreja. Mas não, é a própria OMS que o afirma. Criticando a Igreja, essa organização está, sem perceber, contestando afirmações feitas por ela mesma. Uma fonte da Internet subscreve: Em maio de 2003, um estudo realizado na França pelo “Instituto da Saúde e da Pesquisa Médica” põe os cabelos em pé, ao indicar que a metade dos preservativos usados se rompe ou se utiliza mal: há, portanto, segundo esse estudo, somente uns 50 % de eficácia prática dos preservativos. A eficácia teórica, realizada no laboratório em condições ideais, é bem diferente da eficácia alcançada no uso dos preservativos. Esta mesma fonte acrescenta: “Toda sociedade se fundamenta na confiança que os cidadãos têm nos responsáveis políticos, escolhidos democraticamente nas urnas, por isso mesmo, não há nada mais decepcionante que a queda dessa confiança. Confiamos em que os responsáveis políticos haverão tomado nota destes importantes estudos que se acabam de citar, para agir em conseqüência, já que não se pode brincar com a saúde dos cidadãos” ( José Javier Ávila Martinez piensaunpouco.com . ) Não se poderia aplicar esse apelo a algumas autoridades brasileiras e a certos meios de comunicação social ? Por que culpar o Cardeal López Trujillo das suas afirmações e não ao Instituto de Saúde e da Pesquisa Médica da França ? Aliás, ao me referir ao Cardeal Lopez Trujillo, acrescentarei a resposta que ele mesmo deu à BBC de Londres depois das suas declarações tão mal interpretadas, dizendo que o senhor Cardeal não apresentava provas científicas para as suas declarações. Assim se expressa Dom Alfonso: “Há muitos estudos publicados que fazem surgir dúvidas fundamentadas no que diz respeito à “segurança” do uso do preservativo. Jacques Suaudeau, doutor em Medicina, que seguiu de perto o debate e problema da Aids na África, tem um importante artigo em nosso “Lexicon” cheio de anotações bibliográficas acerca do tema. Nós recebemos também notícias de um relatório de grupos que representam 10 mil médicos que acusam o Center for Disease Control ( CDC ) nos Estados Unidos de ocultar a pesquisa do próprio governo, a qual mostrava a “ineficácia dos preservativos para prevenir a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis”. Este informe do Catholic Family and Human Rights Institute ( um grupo em Nova York que controla os temas da ONU em relação à família e à vida ) manifesta além disso que a rejeição do CDC de reconhecer este fato “contribuiu para propagar a epidemia de doenças sexualmente transmissíveis”. Infelizmente, do equívoco da BBC se fez eco uma muito conhecida revista brasileira e aquele programa de televisão de tão grande audiência a que me referi antes. Não é só a imatura superficialidade de ambas as reportagens o que me causa espanto, mas a irresponsabilidade com que se acusa, sem provas ( aí sim é que não apresentam provas ! ), uma autoridade da Igreja digna de crédito. Poderíamos prosseguir citando dúzias de pesquisas até esgotar a sua paciência, queridos irmãos e irmãs. Depois de tudo o que foi dito, perguntamos: como é possível que um pesquisador, professor de uma renomada Universidade do Rio de Janeiro, possa afirmar que “não existe qualquer estudo mostrando que a “camisinha é ineficaz na prevenção da Aids”? Como se explica que as críticas dirigidas a quem desaconselha o uso do preservativo e propõe uma educação afetiva e sexual mais de acordo com a natureza humana tenham como uma única destinatária a Igreja Católica ? O descobridor do HIV, o Centro de Controle de Doenças de Atlanta, o “Instituto da Saúde e da Pesquisa Médica da França” não falam fundamentando-se numa norma religiosa mas, pelo contrário, baseando-se nos resultados orientados por um estudo científico sério e consciencioso. Então, como é possível dizer que a “Igreja nega o óbvio”? Não seria melhor asseverar que a Igreja afirma o que toda pessoa com um mínimo de informação e de consciência ética também afirmaria, seja esta hindu, budista, maometana, cristã ou espírita; quer seja parte do povo comum do Brasil, quer integre um governo que diz querer representar os sentimentos desse povo ? Volto a insistir em algo fundamental: a Igreja não rejeita o uso de preservativos somente porque estes não são eficazes. Continuaria afirmando o mesmo se estes fossem 100% perfeitos, em todo momento e em todas as circunstâncias. Mas, levando em conta as falhas da “camisinha”, é natural que, como faria qualquer mãe responsável, advirta aos seus filhos dos riscos que correm. Há momentos em que calar-se representa uma grave omissão. Por que faz isso o Ministério da Saúde ? Como já afirmamos em outro momento, não é transparente uma propaganda de difusão indiscriminada do uso do preservativo sem chamar a atenção sobre os seus perigos. Se todo laboratório tem a obrigação legal de indicar na bula dos remédios os efeitos colaterais do mesmo, e os fabricantes de cigarros alertar, em cada maço, as doenças que o fumo provoca, o Ministério da Saúde tem também a obrigação de prevenir a população a respeito do risco no uso dos preservativos. Coisa que ele sistematicamente não faz: fala-se sempre de “sexo seguro”. A atitude da Igreja dissemina a aids ? A Igreja não está impedindo o combate à AIDS, pelo fato de não concordar com o uso da “camisinha”. Quem afirmar o contrário está difundindo uma inverdade insidiosa que muitos aceitam passivamente sem ulteriores verificações. Como uma pequena mostra disto que acabo de afirmar, copio um artigo de ISTMO, uma conhecida e prestigiosa revista cultural mexicana – não de uma revista religiosa – escrita por um especialista na matéria e não por um moralista. “Se analisarmos a Aids na África, devemos pensar que a influência da Igreja Católica se circunscreve a 15,6 % da sua população total. Alguém se atreveria a afirmar que a Aids prejudica em maior medida os católicos do que os muçulmanos ou animistas? Não seria possível fazer isto, já que diversas estatísticas demonstram que a comunidade católica sofre em medida bem menor a praga da Aids: é lógico que o ensinamento em favor da monogamia e da castidade tenham os seus efeitos positivos em ambiente de promiscuidade generalizada. “Então entre que grupos humanos a atitude da Igreja poderia contribuir para disseminar Aids ? Entre os católicos sem prática religiosa, nem vivência dos seus princípios morais ? Seria sensato supor que quem é infiel à sua esposa virá a respeitar a orientação da Igreja que desaconselha o uso do preservativo ? Nestas condições correria, por acaso, o risco de contaminar-se para ser fiel às orientações de uma religião que não pratica ? Seria um absurdo. Evidentemente que quem não tem escrúpulos de ter relações com uma mulher fácil ou uma prostituta, nem se apresentará a questão da licitude moral do preservativo. Portanto, acusar a Igreja Católica na difusão da Aids por esse motivo é, mais do que um absurdo, uma manobra para negar-se a reconhecer a realidade contrária: sem a moral católica a sociedade seria mais promíscua e, em conseqüência, a Aids, estaria muito mais estendida” ( Ernesto Aquilez – Alvarez Bay. “Istmo”. México, DF, Março a Abril de 2003, p. 38 ) The Wall Street Journal, em 14 de outubro último, fez constar que 25% dos doentes da Aids no mundo são atendidos por instituições católicas. E, igualmente, afirmou que os estudos científicos – um deles a cargo do Serviço de Saúde dos Estados Unidos e outro de responsabilidade da Universidade de Harvard – coincidiam em alertar sobre os decepcionantes resultados da prevenção da Aids baseados no preservativo. Menciona-se o caso de Uganda que, em 1991, contava com uma taxa de infecção de 20%, enquanto que, no ano de 2002, tinha descido aos 6%, em virtude de uma política sanitária centrada na fidelidade e na abstinência, não no preservativo ( grifo nosso ) ( à diferença de Botsuana e Zimbábue, que ainda ocupam os primeiros lugares nos contágios ) ( Aciprensa. Madrid, 22 de outubro 2003, p. 3 ). Chama a atenção que estes fatos sejam sistematicamente silenciados. Por baixo das realidades verdadeiramente científicas desliza uma correnteza estranha e anticientífica que silencia estas realidades positivas. A agência LifeSite e a agência ACI , por exemplo, denunciaram recentemente que a maioria dos informes sobre a Aids na África ignoram sempre os êxitos conseguidos em Uganda, por haver apostado na sua política sanitária, na promoção da abstinência sexual, da fidelidade e da castidade. Muitas autoridades, incluindo o Secretário de Estado norte-americano Colin Powell, louvaram e reconheceram o êxito de Uganda em reduzir a taxa de infecção uns 50% desde 1992. Inclusive a CNN informou que, no ano 2000, foi o país “com maior sucesso na luta contra a Aids”. No entanto, a LifeSite adverte que por uma razão desconhecida “o êxito de Uganda poucas vezes é mencionado” ( VII Congresso Nacional sobre el SIDA, maio de 2003, Bilbao, Espanha ). Questiono-me sobre se essas razões, desconhecidas e estranhas, são as que fazem alguns cientistas brasileiros dizerem que “desconhecem a existência de pesquisas sobre falhas nos preservativos” e os levam a formular críticas maldosas dizendo que a Igreja “desconhece a realidade” e “nega o óbvio”. O jornal espanhol La Gaceta de los Negócios ( 16/12/02 ) comenta nesse sentido: “os patrocinadores do preservativo como principal instrumento de prevenção da Aids, em lugar de aceitar esta evidência – o grande sucesso de Uganda – se obstinam nas políticas de extensão do uso do preservativo, que leva inevitavelmente consigo o implícito convite à promiscuidade sexual sob a mentirosa promessa do ‘sexo seguro’. O resultado é o que temos diante dos olhos. Há loucos dispostos a tudo antes de propor o domínio sobre as paixões”. A afirmação está feita por um jornal comercial, não por um boletim paroquial. O governo Bush procura, agora, incorporar um treinamento de abstinência ao Programa Internacional Americano para a AIDS. Este plano questiona a efetiva prevenção da Aids por preservativos. ( LifeSite Daily News Lsn@lifesite.net ) . Há evidentes realidades de que o chamado “sexo seguro” não tem contido a expansão da doença. Por exemplo, conduzida por Nelson Mandela, a África do Sul abraçou firmemente a estratégia do “sexo seguro”, e o uso de preservativo aumentou. Mas a África do Sul continua a liderar mundialmente os casos de infecção por Aids com 11,4 % de sua população atualmente infestada. Há notícias de Mercury News de Miami de que a Fundação Bill e Melinda Gates gastarão US$ 28 milhões para estudar o potencial dos preservativos no controle da natalidade e no combate à Aids na África. Porém, as mesmas notícias do Mercury News acautelam que : “As bases científicas para a prevenção da Aids através de preservativos são mais teóricas que clinicamente provadas” ( LifeSite Daily News Lsn@lifesite.net ) . Insistimos: não entendemos como, depois de tantos questionamentos de tão alto nível, algum professor universitário brasileiro ou algum representante do Ministério da Saúde afirmem, sem fazer nenhuma ressalva, “ a segurança absoluta dos preservativos”. Perguntamos reiteradamente: é ignorância ou uma versão nova da “conspiração do silêncio” ? A solícita preocupação da Igreja com a Aids Não podemos deixar de notar que a Igreja preocupa-se extraordinariamente com a Aids. Mais ainda, é uma das entidades que, de uma maneira mais efetiva, luta contra a Aids. O Cardeal Cláudio Humes, chefe da delegação da Santa Sé na ONU, em 22 de setembro de 2003, também proclamou que “ a Santa Sé, graças as suas instituições no mundo inteiro, provê 25% da atenção total que se dá às vítimas do HIV/Aids, e assim ela se situa entre os principais atores nessa matéria, particularmente entre os mais assíduos e melhores provedores de atenção às vítimas ( “Intervenção de Sua Eminência Cardeal Cláudio Hummes, Chefe da Delegação da Santa Sé na Reunião Plenária de Alto Nível da Assembléia Geral Dedicada ao Segmento dos Resultados do Vigésimo Sexto Período Extraordinário de Sessões”. ONU, Nova York, 22 de setembro de 2003. ). A Igreja no Brasil já assumiu o serviço de prevenção do HIV e da assistência a soro-positivos e, sem preconceitos, acolhe, acompanha e defende o direito à assistência médica e gratuita daquelas e daqueles que foram infectados pero vírus da Aids. Faz também um trabalho de prevenção pela conscientização dos valores evangélicos, sendo presença misericordiosa e promovendo a vida como bem maior ( Cf. Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil , nº 123 – Doc. 71, 2003 ) . Evidentemente, ninguém dedicaria tamanho esforço para atender solicitamente e curar, na medido do possível, os doentes da Aids, e, ao mesmo tempo, estivesse facilitando a propagação da mesma doença de uma maneira irresponsável, como maldosamente já disse ultimamente algum meio de comunicação. Em todas as questões é preciso olhar, de diferentes ângulos, para todas as facetas de um problema a fim de obter a respeito dele um diagnóstico equilibrado e certeiro. Este critério não é certamente o que seguem os que estão criticando a Igreja agora por desaconselhar o uso do preservativo. O programa de distribuição de preservativos Capítulo à parte constitui o programa de distribuição de preservativos iniciado pelos Ministérios da Saúde e da Educação. Pretendem entregar cerca de 235 milhões de preservativos, por ano, para 2 milhões e meio de estudantes das escolas fundamentais. Volto a repetir o que já disse em outro lugar. No âmbito de uma população estudantil formada de adolescentes, o perigo de que a propaganda de distribuição de preservativos venha a ser um incentivo para a prática do sexo precoce é algo claro e evidente de per si. Porque, sob a capa de evitar uma doença, parece que, subliminarmente, se está insinuando com uma a pedagogia indireta : “Transar, não há nada demais”. “Se você sente esse impulso, por que não satisfazê-lo ? O importante – isto sim ! – é usar a “camisinha””. E isto, porventura, é o mais importante para um pai e uma mãe responsáveis ? Que pai responsável pensa: se minha filha se deita com qualquer coleguinha para se divertirem não tem importância, o que tem importância é que não se esqueçam de usar a “camisinha”? Por outro lado, sendo a educação afetiva e sexual uma tarefa que compete primordialmente aos pais, a propaganda maciça, iniludível e impositiva sobre o uso dos preservativos entre menores significa uma interferência abusiva num direito inalienável do pátrio poder. Poder-se-ia também questionar que os pais não estão preparados para oferecer uma educação afetiva e sexual aos filhos. Isto, porém, não deve levá-los à culpável omissão de relegar obrigação tão grave a uma orientação impessoal e massiva que, pelo que se observa, também não está preparada para transmiti-la. São os pais que devem, com responsabilidade própria e intransferível, ir, gradativamente, adquirindo esses conhecimentos para passá-los , na sua devida hora, aos seus filhos. Essa tarefa faz toda mãe responsável a respeito da alimentação, dos cuidados da puericultura, de higiene e dessa função tão importante como é a de discernir entre o certo e o errado, sem necessidade de fazer estudos especializados. É uma questão de interesse, de prioridades. Não se pode alienar direitos que são deveres. O Estado não pode instigar a um tipo de educação sexual sem abrir opções aos pais para que possam escolher, com liberdade, entre uma solução ou outra. Será que as autoridades públicas dão às Igrejas e outras instituições não governamentais – formadas por cidadãos brasileiros – de modo proporcional, os recursos educacionais semelhantes aos que o governo, unilateralmente, gasta em um programa milionário como a campanha dos preservativos ? Neste terreno, o caráter subsidiário do Estado na educação dos filhos deveria oferecer a estas instituições esses recursos, a fim de que os pais venham a dispor de novas perspectivas e opções. Para nós não cabe a menor dúvida de que um programa de distribuição massiva de “camisinhas” pode ser o estopim para desencadear um novo processo de perversão de menores, paradoxalmente amparado por lei. Conclusão Finalizando a nossa conversa, caríssimos irmãos e irmãs, reconheço que a minha confidência foi longa demais. Entretanto, estendi-me bem além do que desejaria, pensando em que vocês, apoiando-se nessas idéias, poderiam transmiti-las em seu primeiro lugar dentro do seu âmbito familiar e, depois, fora dele, a outros, e estes, por sua vez, a outros, em ondas sucessivas – como a pedra que cai no lago formando círculos concêntricos cada vez mais amplos – para que a verdade a respeito da Doutrina da Igreja fique no seu verdadeiro lugar e se expanda com os seus benéficos efeitos a toda pessoa e lugar. Penso que é anseio de todos nós que estas verdades não se detenham no nosso reduzido círculo, mas que se espalhem com toda a força e a ressonância de que estão dotadas. Não é minha intenção fomentar um conflito entre as autoridades governamentais, a Igreja e a instituição familiar. Pelo contrário, tento harmonizar o desejo inegável, de reconhecido valor, do Estado de evitar a propagação da AIDS, com os direitos e deveres da Igreja na transmissão de sua Doutrina e com os direitos e deveres das famílias de serem devidamente informadas e de fazerem valer as suas prerrogativas no que diz respeito à educação sexual dos seus filhos. Tomara que estas considerações de alguma forma para que se estabeleça um diálogo respeitoso, construtivo e enriquecedor entre o Estado, a Igreja e as famílias. Nós amamos a Igreja – nossa Mãe – e a nossa família – Igreja doméstica. Esse amor deve levar-nos a protegê-las dos ataques feitos, muitas vezes por ignorância e outras por intenções escusas e menos nobres. Foi por isso que a minha conversa se alongou demais: pude alargar o coração, em confidência de irmão, ou de pai, ao lado de vocês, em quem por constituírem a minha família, confio ilimitadamente. Brasília , 12 de novembro de 2003. Dom Rafael Llano Cifuentes Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio e Presidente da Comissão Família e Vida da CNBB Nota: Dom Rafael fez acompanhar esta carta da citação de inúmeras pesquisas, que não puderam ser publicadas nesta edição. As mesmas podem ser acessadas na página da CNBB, na internet: www.cnbb.org.br Carta publicada no órgão oficial da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro , O Testemunho da Fé , ano XII ( III ) – nº 306 – edição semanal nº 154 – de 21 a 27 de dezembro/2003, pp. 4-5.

ALGUMAS CONCEPÇÕES CONTRADITÓRIAS EM RELAÇÃO À IGREJA

Pe. Crispim Guimarães
(...)
Quando se noticia que no mundo muita gente está morrendo de AIDS porque a Igreja não permite usar preservativos, é uma hipocrisia.
Raciocinem comigo. Antes do uso da camisinha, desaconselhado pela Igreja, ela ensina que o sexo deve ser fruto da maturidade psicológica e espiritual e que se plenifica no matrimônio. Ora, se alguém faz uso da camisinha, significa que já tem relações sexuais, portanto já desobedece a doutrina. Como dizer que não se usa camisinha porque obedece a Igreja, obedeceria se vivesse a castidade! Dizem também que homossexuais contraem HIV porque a Igreja proíbe o uso do preservativo, é bom saber que antes disso, ela alerta que esta prática não condiz com sua doutrina. Se obedecessem a doutrina, não teriam essas relações? Já perceberam que alguém está apelando através de concepções contraditórias?
(...)
Alguém pode dizer que a Igreja é contra o sexo, não! É tão a favor, que se depois do casamento não houver a relação sexual, o casamento é nulo

O PAPA É CHAMADO A FALAR SOBRE A VERDADE DO HOMEM

Por Lucetta Scaraffia (L'Osservatore Romano)
Certamente a característica da missão de Bento XVI é a verdade. É-o para tudo, inclusive para o problema da AIDS e dos preservativos, um tema preocupante que poder-se-ia imaginar facilmente foi abordado durante a sua viagem à África. No meio das polémicas suscitadas pelas suas palavras, um dos mais prestigiosos jornais europeus, o britânico "Daily Telegraph", teve a coragem de escrever que, sobre o tema dos preservativos, o Papa tem razão. "Certamente a sida lê-se no artigo apresenta o tema da fragilidade humana e sob este ponto de vista todos devemos interrogar-nos sobre o modo de aliviar os sofrimentos. Mas o Papa é chamado a falar sobre a verdade do homem. É a sua função: ai dele se não o fizesse".
O problema da AIDS apresentou-se imediatamente, desde quando a doença se manifestou nos Estados Unidos nos primeiros anos 80, não só sob o ponto de vista médico, mas também cultural: a explosão da epidemia surpreendeu uma sociedade que acreditava ter derrotado todas as doenças infecciosas, e desde o início tocou um âmbito, o das relações sexuais, que há pouco tinha sido "libertado" pela revolução sexual. Com uma doença que punha em discussão o "progresso" alcançado e que se difundia rapidamente graças também à onda de cosmopolitismo que se estava a realizar com os novos e velozes meios de transportes.
Ficou imediatamente claro que tal patologia era fruto de uma modernidade avançada e de uma profunda transformação dos costumes, e que talvez a luta para a prevenir tivesse que considerar também estes aspectos. Ao contrário, no mundo ocidental, as campanhas de prevenção foram baseadas exclusivamente no uso dos preservativos, dando por certa a obrigação de não exercer alguma interferência nos comportamentos das pessoas. O "progresso" não deveria ser colocado em discussão; nem na África, onde era evidente e onde até agora é evidente, se os dados da Organização Mundial da Saúde sobre a difusão da AIDS fossem lidos com honestidade que apenas a distribuição de preservativos não pode conter a epidemia.
Na África, o preservativo não é usado de maneira "perfeita" o único que garante 96% de defesa contra a infecção mas de modo "típico", isto é, com uma utilização não continuada nem apropriada, que oferece 87% de defesa, e além disso dá uma segurança que pode ser perigosa no relacionamento com os outros: como se sabe, a sida não é transmitida só através da relação sexual, mas também por via hemática, portanto basta um arranhão, um pouco de sangue, para abrir a possibilidade de contágio. Também é preciso lembrar, como está escrito nas caixas dos preservativos nas instruções pormenorizadas sobre o seu uso, que se podem danificar facilmente com o calor são de látex! e se forem tocados com mãos ásperas, como as de quem faz trabalhos pesados. Mas as indústrias farmacêuticas, tão exactas ao assinalar estes perigos, depois são as mesmas que apoiam a lenda segundo a qual a difusão dos preservativos pode salvar a população africana da epidemia: e pode-se facilmente imaginar que cada ideia para difundir o seu uso é recebida com verdadeiro júbilo pelos seus departamentos comerciais.
O único país da África que obteve bons resultados na luta contra a epidemia foi Uganda, com o método abc, no qual a significa abstinência (abstinence), b fidelidade (being faithful) e c preservativo (condom), um método decerto não totalmente em conformidade com as indicações da Igreja. Até a revista "Science" reconheceu em 2004 que a parte de bom êxito do programa foi a mudança de comportamento sexual, com uma redução de 60% das pessoas que declaravam ter tido várias relações sexuais, e o aumento da percentagem dos jovens de 15 a 19 anos que se abstiveram do sexo, e escreveu: "Estes dados sugerem que a redução do número de partners sexuais e a abstinência entre os jovens não casados, ao contrário do uso do preservativo, foram factores relevantes na redução da incidência do hiv".
Muitos países ocidentais não querem reconhecer a verdade das palavras pronunciadas por Bento XVI, quer por motivos económicos os preservativos custam, enquanto a abstinência e a fidelidade são obviamente gratuitos quer porque temem que dar razão à Igreja sobre um ponto central do comportamento sexual possa significar um passo atrás na fruição do sexo puramente hedonista e recreativo, que é considerada uma importante conquista da nossa época. O preservativo é exaltado além das suas efectivas capacidades de deter a AIDS porque permite à modernidade continuar a crer em si mesma e nos seus princípios, e porque parece restabelecer o controle da situação sem nada mudar. É precisamente porque tocam este ponto nevrálgico, esta mentira ideológica, que as palavras do Papa foram tão criticadas. Mas Bento XVI, que o sabia muito bem, permaneceu fiel à sua missão, a de dizer a verdade.
BUENOS AIRES, 24 Mar. 09 / 10:25 am (ACI).- O Consórcio de Médicos Católicos de Buenos Aires, aderiu-se às palavras do Papa Bento XVI sobre a epidemia do HIV-AIDS e indicou que as campanhas a favor do uso do preservativo “induzem a engano” porque “ocultam informação e não colabora à prevenção”. Leia mais

A IGREJA CÁTOLICA É A INSTITUIÇÃO QUE MAIS CONTRIBUI NO COMBATE A AIDS

Cardeal Ardeal Javier Barragán
"A Igreja Católica continua a dar a sua contribuição quer à prevenção quer à assistência aos doentes de Hiv/Sida e às suas famílias a níveis médico-assistencial, social, espiritual e pastoral. No mundo, 26,7% dos centros para o tratamento do Hiv/Sida são católicos. São muitos os projectos e os programas de formação, prevenção e assistência, cuidado e acompanhamento pastoral dos doentes, que as igrejas locais, os institutos religiosos e as associações laicais conduzem com amor, sentido de responsabilidade e espírito de caridade.
Concretamente, com base nas informações recebidas pelas diversas Igrejas locais e instituições católicas no mundo, as acções que se realizam no campo da Sida podem ser esquematizadas do seguinte modo: promoção de campanhas de sensibilização, programas de prevenção e educação no campo da saúde, apoio aos órfãos, distribuição de remédios e alimentos, assistência domiciliar, instituição de hospitais, centros, comunidades terapêuticas que centralizam o seu trabalho nos cuidados e na assistência do doente de Hiv/Sida, colaboração com os governos, assistência nas prisões, cursos de catequese, elaboração de sistemas de ajuda através da internet, instituição de grupos de apoio ao doente. Ao lado deste inestimável e louvável empenho, o Papa João Paulo II instituiu em 12 de Setembro de 2004 a Fundação "O Bom Samaritano", confiada ao Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde, e confirmada pelo Papa Bento XVI, para levar ajuda económica aos doentes mais necessitados do mundo, em particular às vítimas do Hiv/Sida, graças às doações recebidas. Neste primeiro ano de actividade da Fundação foram enviadas significativas ajudas financeiras para a aquisição de remédios às Igrejas locais na América, Ásia, África e Europa. "
PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PASTORAL NO CAMPO DA SAÚDE
JORNADA MUNDIAL CONTRA A SIDA MENSAGEM DO CARDEAL JAVIER BARRAGÁN 1 de Dezembro de 2005

ENTREVISTA CONCEDIDA PELO SANTO PADRE BENTO XVI AOS JORNALISTAS DURANTE A VIAGEM AÉREA PARA A ÁFRICA

Terça-feira, 17 de Março de 2009
(Padre Federico Lombardi, Director da Sala de Imprensa da Santa Sé): Santidade, bem-vindo entre o grupo de colegas: somos cerca de setenta que nos preparamos para viver esta viagem com Vossa Santidade. Fazemos-lhe os nossos melhores votos e desejamos poder acompanhá-lo com o nosso serviço, de modo a poder fazer participar também muitas outras pessoas nesta aventura. Como de costume, nós somos-lhe muito gratos pelo diálogo que agora nos concede; preparámo-lo recolhendo, nos dias passados, um certo número de perguntas da parte dos colegas – recebi umas trinta – e depois escolhemos algumas que pudessem apresentar um discurso mais completo sobre esta viagem e que pudessem interessar a todos; e somos-lhe muito gratos pelas respostas que nos der. A primeira pergunta é feita pelo nosso colega Brunelli, da televisão italiana, que se encontra aqui, à nossa direita:
P. – Santidade, há tempos – e sobretudo, depois da sua última carta aos Bispos d o mundo – muitos jornais falam de "solidão do Papa". Que pensa sobre isto? Sente-se deveras sozinho? E com que sentimentos, depois das recentes vicissitudes, voa agora para a África connosco?
R. – Na realidade, devo dizer que me vem um pouco vontade de sorrir sobre este mito da minha solidão: de modo algum me sinto sozinho. Todos os dias recebo nas visitas programadas os colaboradores mais estreitos, começando pelo Secretário de Estado até à Congregação de Propaganda Fide, etc.; vejo depois todos os chefes das Congregações regularmente, todos os dias recebo Bispos em visita "ad limina" – ultimamente todos os Bispos, um depois do outro, da Nigéria, depois os Bispos da Argentina... Tivemos duas Plenárias nestes dias, uma da Congregação para o Culto Divino e a outra da Congregação para o Clero, e depois colóquios amistosos; uma rede de amizade, também os meus concelebrantes de Missa da Alemanha vieram recentemente por um dia, para falar comigo... Portanto a solidão não é um problema, estou realmente circundado de amigos numa maravilhosa colaboração com Bispos, colaboradores, leigos e por isto estou grato. Vou à África com grande alegria: eu amo a África, tenho muitos amigos africanos já desde os tempos em que era professor até aos dias de hoje; amo a alegria da fé, esta fé jubilosa que se encontra na África. Vós sabeis que o mandato do Senhor para o Sucessor de Pedro é "confirmar os irmãos na fé": eu procuro fazê-lo. Mas estou certo de que regressarei eu mesmo confirmado pelos irmãos, contagiado – por assim dizer – pela sua fé jubilosa.
A segunda pergunta é feita por John Davis, responsável da secção romana da agência de notícias católica dos Estados Unidos:
P. – Vossa Santidade vai em viagem à África no momento em que se está a verificar uma crise económica mundial que tem reflexos também nos Países pobres. Aliás, a África neste momento tem que enfrentar uma crise alimentar. Gostaria de perguntar três coisas: esta situação encontrará eco na sua viagem? Vossa Santidade apelar-se-á à comunidade internacional para que assuma os problemas da África? E, a terceira coisa, falar-se-á destes problemas também na Encíclica que está a preparar?
R. – Obrigado pela pergunta. Naturalmente, eu não vou à África com um programa político-económico, para o qual me faltaria a competência. Vou com um programa religioso, de fé, de moral, mas precisamente isto é também uma contribuição essencial para o problema da crise económica que vivemos neste momento. Todos sabemos que um elemento fundamental da crise é precisamente um deficit da ética nas estruturas económicas; compreendeu-se que a ética não é uma coisa "fora" da economia, mas "dentro" e que a economia não funciona se não tiver em si o elemento ético. Portanto, ao falar de Deus e dos grandes valores espirituais que constituem a vida cristã, procurarei dar um contributo precisamente também para superar a crise, para renovar o sistema económico a partir de dentro, onde está o centro da verdadeira crise. E, naturalmente, apelar-me-ei à solidariedade internacional: a Igreja é católica, isto é, universal, aberta a todas as culturas, a todos os continentes; está presente em todos os sistemas políticos e assim a solidariedade é um princípio interno, fundamental para o catolicismo. Naturalmente gostaria de dirigir um apelo antes de tudo à própria solidariedade católica, fazendo-o extensivo contudo à solidariedade de todos os que vêem a sua responsabilidade na sociedade humana de hoje. Obviamente falarei disto também na Encíclica: este é um motivo do atraso. Estávamos prestes a publicá-la, quando se desencadeou esta crise e retomamos o texto para responder mais adequadamente, no âmbito das nossas competências, no contexto da Doutrina Social da Igreja, mas com referência aos elementos reais da crise actual. Assim espero que a Encíclica possa ser também um elemento, uma força para superar a difícil situação presente.
Santidade, a terceira pergunta é-nos feita pela nossa colega Isabelle de Gaulmyn, de "La Croix":
P. – Très Saint-Père, bonjour. Faço a pergunta em italiano, mas se gentilmente puder responder em francês... O Conselho especialdo Sínodo dos Bispos para a África pediu que o grande crescimento quantitativo da Igreja africana se torne também um crescimento qualitativo. Por vezes, os responsáveis da Igreja são considerados como um grupo de ricos e privilegiados e os seus comportamentos não são coerentes com o anúncio do Evangelho. Vossa Santidade convidará a Igreja em África a um compromisso de exame de consciência e de purificação das suas estruturas?
R. – Procurarei, se for possível, falar em francês. Tenho uma visão mais positiva da Igreja na África: é uma Igreja muito próxima dos pobres, uma Igreja com os sofredores, com pessoas que têm necessidade de ajuda e portanto parece-me que a Igreja é realmente uma instituição que ainda funciona, quando outras estruturas já não funcionam, e com o seu sistema de educação, de hospitalidade, de ajuda, em todas as situações, ela está presente no mundo dos pobres e dos sofredores. Naturalmente, o pecado original está presente também na Igreja; não existe uma sociedade perfeita e por conseguinte há também pecadores e deficiências na Igreja em África, e neste sentido um exame de consciência, uma purificação interior é sempre necessária, e recordaria também neste sentido a liturgia eucarística: começa-se sempre com uma purificação da consciência, e um novo recomeçar na presença do Senhor. E diria, mais do que uma purificação das estruturas, que é sempre também necessária, é preciso uma purificação dos corações, porque as estruturas são o reflexo dos corações, e nós fazemos o que é possível para dar uma força renovada à espiritualidade, à presença de Deus no nosso coração, quer para purificar as estruturas da Igreja, quer também para ajudar a purificação das estruturas da sociedade.
Agora, uma pergunta que vem da componente alemã deste grupo de jornalistas: é Elisa Kramer que representa o Sankt Ulrich Verlag, que faz a pergunta:
P. – Heiliger Vater, gute Reise! O Padre Lombardi disse-me para falar em italiano, assim faço a pergunta em italiano. Quando Vossa Santidade se dirige à Europa, fala com frequência de um horizonte do qual Deus parece desaparecer. Na África não é assim, mas existe uma presença agressiva de seitas, existem as religiões tradicionais africanas. Qual é então a especificidade da mensagem da Igreja católica que Vossa Santidade deseja apresentar neste contexto?
R. – Então, primeiro reconheçamos todos que na África o problema do ateísmo quase não se apresenta, porque a realidade de Deus é tão presente, tão real no coração dos africanos que não crer em Deus, viver sem Deus não parece uma tentação. É verdade que existem também os problemas das seitas: nós não anunciamos, como fazem alguns deles, um Evangelho de prosperidade, mas um realismo cristão. Estamos convictos de que toda esta sobriedade, este realismo que anuncia um Deus que se fez homem, por conseguinte um Deus profundamente humano, um Deus que sofre, também connosco, dá um sentido ao nosso sofrimento para um anúncio com um horizonte mais vasto, que tem mais futuro. E sabemos que estas seitas não são muito estáveis na sua consistência: no momento pode fazer bem o anúncio da prosperidade, de curas milagrosas, etc., mas depois de um pouco de tempo vê-se que a vida é difícil, que um Deus humano, um Deus que sofre connosco é mais convincente, mais verdadeiro, e oferece uma ajuda maior para a vida. É importante também que nós tenhamos a estrutura da Igreja católica. Não anunciamos a um pequeno grupo que depois de um certo tempo se isola e se perde, mas entramos nesta grande rede universal da catolicidade, não só transtemporal, mas presente sobretudo como uma grande rede de amizade que nos une e nos ajuda também a superar o individualismo para alcançar esta unidade na diversidade, que é a verdadeira promessa.
Agora damos de novo a palavra a uma voz francesa: é o nosso colega Philippe Visseyrias, de France 2:
P. – Santidade, entre os muitos males que atormentam a África, existe também e sobretudo o da difusão da SIDA. A posição da Igreja católica sobre o modo de lutar contra ele é com frequência considerada irrealista e ineficaz. Vossa Santidade enfrentará este tema durante a viagem?
R. – Diria o contrário: penso que a realidade mais eficiente, mais presente na frente da luta contra a SIDA é precisamente a Igreja católica, com os seus movimentos, com as suas diversas realidades. Penso na Comunidade de Santo Egídio que faz tanto, visível e também invisivelmente, pela luta contra a SIDA, nos Camilianos, em todas as outras realidades e em todas as Irmãs que estão à disposição dos doentes... Diria que não se pode superar este problema da Sida só com dinheiro, mesmo se necessário, mas se não há alma, se os africanos não ajudam (assumindo a responsabilidade pessoal), não se pode resolver o flagelo com a distribuição de preservativos: ao contrário, aumentam o problema. A solução só pode ser dúplice: o primeira, uma humanização da sexualidade, isto é, uma renovação espiritual e humana que tenha em si um novo modo de se comportar uns com os outros; a segunda, uma verdadeira amizade também e sobretudo pelas pessoas que sofrem, a disponibilidade, até com sacrifícios, com renúncias pessoais, a estar com os sofredores. E estes são os factores que ajudam e proporcionam progressos visíveis. Portanto, diria esta nossa dúplice força de renovar o homem interiormente, de dar força espiritual e humana para um comportamento justo em relação ao próprio corpo e ao do outro, e esta capacidade de sofrer com os que sofrem, de permanecer presente nas situações de prova. Parece-me que esta é a resposta justa, e a Igreja faz isto e oferece deste modo uma grandíssima e importante contribuição. Agradeço a quantos o fazem.
E agora, a última pergunta, que vem até do Chile, porque somos muito internacionais: temos também um correspondente da televisão católica chilena connosco. E damos-lhe a palavra paraa última pergunta: Maria Burgos.
P. – Obrigada, Padre Lombardi. Santidade, que sinais de esperança vê a Igreja no Continente africano? E Vossa Santidade pensa poder transmitir à África uma mensagem de esperança?
R. – A nossa fé é esperança por definição: di-lo a Sagrada Escritura. E por isso, quem leva a fé está convencido de levar também a esperança. Parece-me, não obstante todos os problemas que conhecemos bem, que há grandes sinais de esperança. Novos governos, novas disponibilidades de colaboração, luta contra a corrupção – um grande mal que deve ser superado! – e também a abertura das religiões tradicionais à fé cristã, porque nas religiões tradicionais todos conhecem Deus, o único Deus, mas parece um pouco distante. Esperam que se aproxime. É no anúncio do Deus que se fez Homem que elas se reconhecem: Deus aproximou-se realmente. Depois, a Igreja católica tem muito em comum: digamos, o culto dos antepassados encontra a sua resposta na comunhão dos santos, no purgatório. Santos não são só os canonizados, mas todos os nossos mortos. E assim, no Corpo de Cristo realiza-se precisamente também tudo o que o culto dos antepassados intuía. E assim por diante. Há portanto um encontro profundo que dá realmente esperança. E cresce também o diálogo inter-religioso – falei com mais de metade dos bispos africanos, e as relações com os muçulmanos, apesar dos problemas que se podem verificar, são muito promissoras, disseram-me eles; o diálogo cresce no respeito recíproco e na colaboração nas comuns responsabilidades éticas. E de resto cresce também este sentido de catolicidade que ajuda a superar o tribalismo, um dos grandes problemas, e isto origina a alegria de ser cristão. Um problema das religiões tradicionais é o medo dos espíritos. Um dos bispos africanos disse-me: uma pessoa converte-se realmente ao cristianismo, torna-se plenamente cristão quando sabe que Cristo é realmente mais forte. Deixa de ter medo. E também este é um fenómeno em crescimento. Portanto, diria que com tantos elementos e problemas que não podem faltar, crescem as forças espirituais, económicas, humanas que nos dão esperança, e gostaria de realçar precisamente os elementos de esperança.
Fonte: Vatican.va

DEPUTADOS FRANCESES APOIAM BENTO XVI NA LUTA CONTRA A AIDS

Por Inma Álvarez
VIENNE, sexta-feira, 20 de março de 2009 (ZENIT.org).- Dois deputados franceses divulgaram nas últimas horas seu apoio às palavras de Bento XVI sobre o preservativo como meio insuficiente para lutar contra a AIDS, afirmando por outro lado que se «deformaram» e «exageraram» suas palavras. Christian Vanneste (deputado pelo norte) e Jacques Remiller (deputado e prefeito de Vienne) utilizaram seus respectivos blogs para defender a postura do Papa. Afirmam que deformaram-se suas palavras, especialmente por parte da «classe política francesa», que levou a cabo, na opinião de ambos, uma verdadeira «caça às bruxas» contra o Papa. Segundo Remiller, o que o Papa pediu em Camarões «antes de pedir a gratuidade dos cuidados para os enfermos da AIDS, é que se deixe de considerar o preservativo como uma solução única ao problema da AIDS na África». «A política de luta contra a AIDS não deve limitar-se, com efeito, à publicidade para os preservativos», destacou este político francês, que objetou que «é certamente um meio eficaz quando é corretamente utilizado, mas sua ampla distribuição não impedirá problemas de conduta graves, tais como os estupros e o incesto». «O que o Papa recordou antes de tudo, é que a melhor, mais preventiva e mais eficaz via para combater a praga da AIDS e proteger a vida humana reside em uma educação verdadeira na responsabilidade, na investigação médica e na difusão das terapias; e a assistência aos enfermos.» Por sua parte, Vanneste afirmou que o Papa «não é um político demagogo, mas portador de uma esperança – outros dirão que de um ideal –, e é a partir deste último que se devem compreender e julgar suas palavras». «Certamente, a massa popular de materialistas e hedonistas evidentemente está mais afastada de poder compreender esta mensagem. A multidão mais concreta de fiéis que se reúne neste momento ao redor do Santo Padre está oferecendo uma resposta melhor», acrescentou. O político nega que neste tema haja discrepâncias entre João Paulo II e Bento XVI, pois ambos «sempre desejaram a unidade dos cristãos, a união dos crentes e sempre recordaram as exigências morais que são indissociadas do catolicismo». «João Paulo II não teria dito nada diferente, porque nenhum papa poderia preferir uma resposta mecânica, por outra parte imperfeita, a uma prática moral e espiritual que, por si mesma, é verdadeiramente libertadora», acrescentou. Para Vanneste, aqueles que «detestavam João Paulo II e seus princípios» não se atreveram a atacá-lo, pois «era o símbolo de um país vítima da opressão comunista» e «um homem de comunicação», algo que não é Bento XVI, contra quem «chegou a hora de desquite, e de quem se colhem seus menores atos ou palavras para criticá-los, não sem antes tê-los deformado e exagerado». «Houve Ratisbona, houve Williamson, há agora um preservativo e a África», acrescenta.
Fonte: Zenit

A ATITUDE DA IGREJA DISSEMINA A AIDS?

Por Dom Rafael Llano Cifuentes
A Igreja não está impedindo o combate à AIDS, pelo fato de não concordar com o uso da camisinha´. Quem afirmar o contrário está difundindo uma inverdade insidiosa que muitos aceitam passivamente sem ulteriores verificações. Como uma pequena mostra disto que acabamos de afirmar copio um artigo de, ISTMO, uma conhecida e prestigiosa revista cultural mexicana, - não de uma revista religiosa - escrita por um especialista na matéria e não por um moralista: Se analisarmos a AIDS na África, devemos pensar que a influência da Igreja Católica se circunscreve a 15,6% da sua população total. Alguém se atreveria a afirmar que a AIDS prejudica em maior medida aos católicos do que aos muçulmanos ou animistas? Não seria possível fazer isto, já que diversas estatísticas demonstram que a comunidade católica sofre em medida bem menor a praga da AIDS: é lógico que o ensinamento em favor da monogamia e da castidadetenham os seus efeitos positivos em ambiente de promiscuidade generalizada.
Então entre que grupos humanos a atitude da Igreja poderia contribuir para disseminar AIDS? Entre os católicos sem prática religiosa, nem vivência dos seus princípios morais? Seria sensato supor que quem é infiel a sua esposa, virá a respeitar a orientação da Igreja que desaconselha o uso do preservativo? Nestas condições correria, por acaso, o risco de contaminar-se para ser fiel às orientações de uma religião que não pratica? Seria um absurdo. Evidentemente que quem não têm escrúpulos de ter relações com uma mulher fácil ou uma prostituta, nem se apresentará a questão da licitude moral do preservativo. Portanto acusar a Igreja Católica na difusão da AIDS por esse motivo é, mais do que um absurdo, uma manobra para negar-se a reconhecer a realidade contrária: sem a moral católica a sociedade seria mais promíscua e, em conseqüência, a AIDS estaria muito mais estendida[1].
The Wall Street Journal, no 14 de outubro último, deixou constância que 25% dos doentes de AIDS no mundo são atendidos por instituições católicas. E, igualmente, afirmou que os estudos científicos - um deles a cargo do Serviço de Saúde dos Estados Unidos e outro à responsabilidade da Universidade de Harvard - coincidiam em alertar sobre os decepcionantes resultados da prevenção da AIDS baseados no preservativo. Menciona-se o caso de Uganda que em 1991 contava com uma taxa de infecção de 20%, enquanto que no ano de 2002 tinha descido aos 6%, em virtude de uma política sanitária centrada na fidelidade e na abstinência, não no preservativo, (à diferença de Botsuana e Zimbábue que ainda ocupam os primeiros lugares nos contágios)[2].
Chama a atenção que estes fatos são sistematicamente silenciados. Por baixo das realidades verdadeiramente científicas desliza uma correnteza estranha e anticientifica que silencia estas realidades positivas. A agência LifeSite e a agência ACI, por exemplo, denunciaram recentemente que a maioria dos informes sobre a AIDS na África ignoram sempre os êxitos conseguidos em Uganda, por haver apostado, na sua política sanitária, na promoção da abstinência sexual, da fidelidade e da castidade.
Muitas autoridades, incluindo o Secretário de Estado norte-americano Colin Powell, louvaram e reconheceram o êxito de Uganda em reduzir a taxa de infecção uns 50% desde 1992. Inclusive a CNN informou que no ano 2000 foi o país ´com maior sucesso na luta contra a AIDS´. No entanto a Life Site adverte que por uma razão desconhecida ´o êxito de Uganda poucas vezes é mencionado´[3].
Questionamo-nos se essas razões, desconhecidas e entranhas, são as que fazem a alguns cientistas brasileiros dizerem que ´desconhecem a existência de pesquisas sobre falhas nos preservativos´ e os levam a formular críticas maldosas dizendo que a Igreja ´desconhece a realidade´ e ´nega o óbvio´.
O jornal espanhol La Gaceta de los Negócios, (16/12/02) comenta nesse sentido: ´os patrocinadores do preservativo, como principal instrumento de prevenção da AIDS, em lugar de aceitar esta evidência - o grande sucesso da Uganda - se obstinam nas políticas de extensão do uso do preservativo, que leva inevitavelmente consigo o implícito convite à promiscuidade sexual sob a mentirosa promessa do "sexo seguro". O resultado é o que temos diante dos olhos. Há loucos dispostos a tudo antes de propor o domínio sobre as paixões´. A afirmação está feita por um jornal comercial, não por um boletim paroquial.
O governo Bush procura, agora, incorporar um treinamento de abstinência ao Programa Internacional Americano para a AIDS. Este plano questiona a efetiva prevenção da Aids por preservativos[4].
Há evidentes realidades de que o chamado ´sexo seguro´ não têm contido a expansão da doença. Por exemplo, conduzida por Nelson Mandela, a África do Sul abraçou firmemente a estratégia do ´sexo seguro´, e o uso de preservativo aumentou. Mas a África do Sul continua a liderar mundialmente os casos de infecção por AIDS com 11,4% de sua população atualmente infetada. Há Notícias do Mercury News de Miami que a Fundação Bill e Melinda Gates gastarão US$ 28 milhões para estudar o potencial dos preservativos no controle de natalidade e no combate a AIDS na África. Porém, as mesmas notícias de Mercury News, acautelam que: ´As bases científicas para a prevenção da AIDS através de preservativos são mais teóricas que clinicamente provadas´[5].
Insistimos: não entendemos como, depois de tantos questionamentos de tão alto nível, algum professor universitário brasileiro ou algum representante do Ministério da Saúde afirmem, sem fazer nenhuma ressalva, ´a segurança absoluta dos preservativos´. Perguntamos reiteradamente: é ignorância ou uma versão nova da ´conspiração do silêncio´? [1] Ernesto Aquilez - Alvarez Bay. Istmo. México, DF, Março a Abril de 2003, p. 38. [2] Aceprensa. Madrid, 22 de outubro 2003, p.3. [3] VII Congreso Nacional Sobre el SIDA, maio de 2003, Bilbao, Espanha. [4] LifeSite Daily News (lsn@lifesite.net) [5] LifeSite Daily News (lsn@lifesite.net)

HAVARD ESTÁ COM BENTO XVI SOBRE A AIDS NA ÁFRICA

O Blog Scriptor.org publicou outro excelente artigo a respeito da "polêmica" afirmação do Papa sobre a AIDS. O artigo se chama, "Harvard está con Benedicto XVI sobre el Sida en África.". E traz, ainda, uma afirmação do profesor Edward C. Green, director del AIDS Prevention Research Project at the Harvard Center for Population and Development Studies, o qual fez a seguinte afirmação: "(...) la evidencia confirma que el Papa está en lo correcto cuando afirma que la distribución de condones exacerba el problema del Sida."

SOBRE A CÍNICA AGRESSÃO INTERNACIONAL A BENTO XVI

Giuliano Ferrara sobre la cínica agresión internacional a Benedicto XVI, a propósito del sida y los preservativos en África.
"La agresión a Benedicto XVI resulta cada vez más apremiante, grosera, rencorosa, bien orquestado mediáticamente y mal argumentada racionalmente. Ayer ha sido el turno de Francia, Alemania y el Fondo monetario internacional. Con un lenguaje presumido de censor, portavoces de París, de Berlín y del Fondo Monetario Internacional de Washington han puesto bajo acusación al jefe de la iglesia católica por sus opiniones bien documentadas sobre la inutilidad sustancial del preservativo como eje estratégico en la lucha contra la grave epidemia de Sida en África.
Hablamos de burocracias, naturalmente, no de pueblos. Burocracias y diplomacias que se ponen al servicio de pequeñas pero insidiosas cruzadas ultrasecularistas contra un Papa que ha tenido, como su predecesor, el descaro de empuñar la razón para afirmar en el espacio público europeo y mundial el contenido y el sentido de la fe cristiana. Una fe que asume algunos principios liberales del tiempo moderno sin someterse a su deriva nihilista. Y contra un Papa que ha tenido la sabiduría de empuñar la razón occidental y el depósito laico de la mejor Ilustración cristiana, justo en el momento en que nos encontramos con un posmodernismo banal que deslegitima la noción de verdad y exorciza la realidad, anteponiendo una falsa conciencia del sujeto, una ideología sectaria y en el fondo extremadamente intolerante.
Esta vez, en nombre de la defensa de la vida, atacan los portavoces institucionales de una cultura cuyos pilares éticos globales consisten en los espermicidas, en el aborto moralmente indiferente, en la planificación familiar forzosa del sexo de los nasciturus, en la selección eugenésica de la vida y su reproducción artificial como medio para la investigación, hasta la eutanasia. Se quejan porque Benedetto XVI ha reafirmado, en el curso del viaje en África, su convicción: no se combate la pandemia del Sida con condones. Se trata de una convicción que, a la luz del sentido común, es capaz de aguantar cualquier posible prueba y verificación, puesto que el preservativo sólo es el viático de la promiscuidad sexual masiva a la que remite la responsabilidad del contagio. Y esta convicción es notoriamente compartida en África por la gran mayoría de los operarios sanitarios y sociales, no sólo en la vasta red misionera católica o cristiana de otras denominaciones, sino también entre los laicos.
Todos saben algo que no muchos se arriesgan a repetir en público, por temor a ser sancionados y desterrados como herejes del pensamiento único dominante: todos saben, como dice una noticia de la BBC hace dos días, que la tasa de infección de Washington D.C., la capital americana que hospeda esas babosas del Fondo monetario que harían mejor ocupándose de otras cosa… Todos saben que la tasa de infección en Washington es igual a la de Uganda (el 3 por ciento de la población mayor de los doce años), demostración patente de que la diferencia proviene de los comportamientos de riesgo y no de la disponibilidad de los profilácticos, que es universal en la ciudad de Washington. Todos saben o deberían saber que entre los negros varones, la tasa de infección es tres veces la de los varones blancos y dos veces la de los hispánicos, y que el vector de contagio todavía mucho más potente es el sexo promiscuo entre varones.
La cultura políticamente correcta ha hecho del Sida una epopeya angelical, ha creado una enfermedad a la que adorar idolátricamente y a la que exorcizar en la mística de la solidaridad. Y todo para esconder el hecho que el síndrome de inmunodeficiencia adquirida es solamente la consecuencia de comportamientos sociales nuevos y libertarios, en los que una sexualidad emancipada y sin valores reemplaza los viejos condicionamientos "oscurantistas" de la continencia y el amor-eros como fundamento del ágape familiar.
Cualquiera que piense de otro modo no sólo será rebatido, sino que será escarnecido y censurado como retrógrado. Y no digamos cuando se trata del jefe de una iglesia que dedica sus mejores energías en la defensa de la vida humana. Faltaría más: un Papa que es escándalo y locura para el pan-sexualismo del neo-paganismo contemporáneo, que cree en la educación, en la sobriedad de las costumbres, en una sexualidad humana orientada a la construcción de sentidos vitales y no a la destrucción del amor en la caricatura del placer.
Las burocracias situadas en la cumbre de las potencias civiles de la vieja Europa y las nomenclaturas globalistas acusan al Papa, con increíble jactancia, con infinita presunción, con un lenguaje de chantaje moral, desde lo alto de la obscena práctica de mil millones de abortos en treinta años. Acusan al Papa de 'atentado a la vida en África'. Una repugnante paradoja."

VIAGEM DE BENTO XVI À ÁFRICA: DISCURSO NO CENTRO DE REABILITAÇÃO CARDEAL LÉGER

Senhores Cardeais,
Senhora Ministra dos Assuntos Sociais,
Senhor Ministro da Saúde,
Amados Irmãos no Episcopado, nomeadamente D. Joseph Djida,
Senhor Diretor do Centro Cardeal Léger,
Gentil pessoal sanitário, queridos doentes!
Desejei vivamente transcorrer estes momentos convosco e sinto-me feliz por poder vos saudar. Uma saudação particular dirijo a vós, irmãos e irmãs que carregais o peso da doença e do sofrimento. Sabeis que não estais sozinhos no vosso sofrimento, porque o próprio Cristo está solidário com aqueles que sofrem. Revela aos doentes e enfermos o lugar que têm no coração de Deus e na sociedade. O evangelista Marcos oferece-nos como exemplo a cura da sogra de Pedro: Esta estava doente no leito «e logo Lhe falaram dela. Jesus aproximou-Se, pegou-lhe pela mão e fê-la levantar-se» (Mc 1, 30-31). Nesta passagem do Evangelho, vemos um dia passado por Jesus junto dos doentes, para os aliviar. Ele revela-nos ainda, com gestos concretos, a sua ternura e benévola atenção para com todos aqueles que têm o coração despedaçado e o corpo ferido.
Daqui deste Centro que tem o nome do Cardeal Paulo Emílio Léger, que veio do Canadá para o vosso meio a fim de tratar dos corpos e das almas, não esqueço aqueles que, na própria casa, nos hospitais, nos estabelecimentos especializados ou nos dispensários, são portadores duma deficiência, motora ou mental, nem aqueles que trazem em sua carne os sinais das violências e das guerras. Penso também em todos os doentes e de modo especial aqui, na África, naqueles que são vítimas de doenças como a AIDS, a malária e a tuberculose. Sei que, junto de vós, a Igreja católica está fortemente empenhada numa luta eficaz contra estes terríveis flagelos, encorajando-os a prosseguir com determinação nesta obra urgente. A vós que sois provados pela doença e aflição, a todas as vossas famílias, desejo levar, da parte do Senhor, um pouco de conforto, renovar-vos o meu apoio e convidar a vos dirigir a Cristo e a Maria, que Ele nos deu por Mãe. Ela conheceu a dor, e seguiu o seu Filho pelo caminho do Calvário, conservando em seu coração aquele mesmo amor que Jesus veio trazer a todos os homens.
Diante o sofrimento, a doença e a morte, o homem é tentado a gritar sob o efeito da dor, como fez Job, cujo nome significa «sofredor» (cf. Gregório Magno, Moralia in Job, I, 1, 15). O próprio Jesus gritou, pouco antes de morrer (cf. Mc 15, 37; Heb 5, 7). Quando a nossa condição se degrada, aumenta a angústia; alguns são tentados a duvidar da presença de Deus na sua vida. Job, pelo contrário, é consciente da presença de Deus na sua vida; o seu grito não se faz revolta, mas, da sua mais profunda desgraça, faz surgir a expressão da sua confiança (cf. Job 19; 42, 2-6). Os seus amigos – como faz cada um de nós diante do sofrimento de um ser querido – se esforçam por consolá-lo, mas usam palavras vazias.
Na presença de sofrimentos atrozes, nos sentimo inaptos e não encontramos as palavras justas. Diante de um irmão ou uma irmã imersos no mistério da Cruz, o silêncio respeitoso e compassivo, a nossa presença assistida pela oração, um gesto de ternura e conforto, um olhar, um sorriso, podem fazer melhor do que muitos discursos. Esta experiência foi vivida por um reduzido grupo de homens e mulheres, entre os quais a Virgem Maria e o Apóstolo João, que seguiram Jesus até o clímax do seu sofrimento na sua paixão e morte na Cruz. Entre eles – recorda-nos o Evangelho – havia um africano, Simão de Cirene. Foi encarregado de ajudar Jesus a levar a sua Cruz no caminho para o Gólgota. Este homem, se bem que involuntariamente, veio em ajuda do Homem das dores, abandonado por todos os seus e entregue a uma violência cega. Assim a história recorda que um africano, um filho do vosso continente, participou, com o seu próprio sofrimento, na pena infinita daquele que redimiu todos os homens, incluindo os seus perseguidores. Simão de Cirene não podia saber que tinha diante dos olhos o seu Salvador. Foi «requisitado» para O ajudar (Mc 15, 21); foi constrangido, forçado a fazê-lo. É difícil aceitar carregar a cruz de outrem. Só depois da ressurreição é que ele pôde compreender o que tinha feito. O mesmo se passa com cada um de nós, irmãos e irmãs: no âmago do desespero, da revolta, Cristo nos propõe a sua presença amorosa, ainda que tenhamos dificuldade em compreender que Ele está ao nosso lado. Só a vitória final do Senhor nos desvendará o sentido definitivo das nossas provas.
Não se pode dizer que todo o africano é, em qualquer medida, membro da família de Simão de Cirene? Todo o africano e todo o homem que sofre ajuda Cristo a levar a sua Cruz e sobe com Ele ao Gólgota para com Ele ressuscitar um dia. Vendo Jesus objeto de tal infâmia, contemplando o seu rosto na Cruz e reconhecendo a atrocidade da sua dor, podemos vislumbrar, pela fé, o rosto luminoso do Ressuscitado que nos diz que o sofrimento e a doença não terão a última palavra nas nossas vidas humanas. Rezo, amados irmãos e irmãs, para que vos saibais reconhecer neste «Simão de Cirene». Rezo, amados irmãos e irmãs doentes, para que muitos «Simões de Cirene» venham também à vossa cabeceira.
Desde a ressurreição até os nossos dias, numerosas são as testemunhas que se voltaram, com fé e esperança, para o Salvador dos homens, reconhecendo a sua presença no âmago da sua provação. O Pai de todas as misericórdias acolhe sempre com benevolência a prece de quem a Ele se dirige. Responde ao nosso apelo e à nossa oração, como quer e quando quer, para nosso bem e não segundo os nossos desejos. Compete-nos a nós discernir a sua resposta e acolher os dons que ele nos oferece como uma graça. Fixemos o nosso olhar no Crucificado, com fé e coragem, porque d’Ele nos vem a Vida, o conforto, a cura. Saibamos olhar para Aquele que quer o nosso bem e sabe enxugar as lágrimas dos nossos olhos; saibamos abandonar-nos nos seus braços como uma criança nos braços da mãe.
Os Santos nos deram um belo exemplo com a sua vida inteiramente entregue a Deus, nosso Pai. Santa Teresa de Ávila, que tinha colocado o seu mosteiro sob o patrocínio de São José, foi curada de um padecimento mesmo no dia da sua festa. Muitas vezes dizia ela que nunca lhe tinha rezado em vão e recomendava-o àqueles que pensavam que não sabiam rezar: «Eu não compreendo – escrevia ela – como se possa pensar na Rainha dos Anjos e em tudo o que Ela teve de enfrentar durante a infância do Menino Jesus, sem agradecer a São José a dedicação tão perfeita com que ele veio em ajuda de uma e do outro. Aquele que não encontra ninguém para lhe ensinar a rezar escolha este admirável Santo por mestre, sem temor de se desencaminhar sob a sua guia» (Vida, 6). Além de intercessor pela saúde do corpo, a Santa via em São José um intercessor pela saúde da alma, um mestre de oração, de súplica.
Escolhamo-lo também nós como mestre de oração. Não apenas nós que estamos de boa saúde, mas também vós, queridos doentes e todas as famílias. Penso de modo particular em vós que fazeis parte do pessoal hospitalar e em todos aqueles que trabalham no mundo sanitário. Acompanhando aqueles que sofrem com a vossa atenção e os cuidados que lhes dispensais, cumpris um ato de caridade e de amor que Deus agradece: «Estava doente, e viestes visitar-Me» (Mt 25, 36). A vós, investigadores e médicos, compete realizar tudo o que é legítimo para aliviar a dor; cabe-vos em primeiro lugar proteger as vidas humanas, ser os defensores da vida desde a sua concepção até ao seu termo natural. Para todo o homem, o respeito da vida é um direito e ao mesmo tempo um dever, porque cada vida é um dom de Deus. Quero convosco dar graças ao Senhor por todos aqueles que, duma maneira ou de outra, trabalham ao serviço das pessoas que sofrem. Encorajo os sacerdotes e os visitantes de doentes a empenhar-se com a sua presença activa e amiga na pastoral sanitária nos hospitais ou para assegurar uma presença eclesial no domicílio, para conforto e apoio espiritual dos doentes. Segundo a sua promessa, Deus dar-vos-á o justo salário e vos recompensará no céu.
Antes de vos saudar de forma mais pessoal e despedir-me de vós, quero assegurar a cada um a minha afetuosa solidariedade e a minha oração. Desejo também exprimir o meu desejo de que nenhum de vós se sinta jamais sozinho. Na verdade, compete a todo o homem, criado à imagem de Cristo, fazer-se próximo do seu vizinho. Confio-vos todos e todas à intercessão da Virgem Maria, nossa Mãe, e à de São José. Que Deus nos conceda ser uns para os outros portadores da sua misericórdia, ternura e amor e que Ele vos abençoe. (JP)

PAPA ENCONTROU-SE COM COMUNIDADE ENPENHADA NA LUTA CONTRA A AIDS

Bento XVI recebeu esta Quinta-feira, nos Camarões, um grupo de jovens africanos da Comunidade católica de Santo Egídio, promotora do projecto «Dream» (sonho, em inglês), que actua na luta contra a SIDA em vários países da África. A reunião, noticiada pelo Vaticano, não estava no programa inicial da visita. O Papa falou de um “sonho tornado realidade”, lembrando que já no avião que o levara até aos Camarões tinha falado deste projecto de Santo Egídio na luta contra a SIDA. “Conheço o vosso trabalho e tudo o que fazeis. Rezo por vós. Rezai também por mim”, disse. A Rádio Vaticano noticiou, a este respeito, que 30% dos centros para o tratamento dos doentes de SIDA são geridos por estruturas católicas.
Um projecto: DREAM
A SIDA apresenta-se em África associada a outros problemas: a pobreza, a desnutrição, a tuberculose, a malária, o escasso nível de educação sanitária, só para citar alguns exemplos. Extirpar a infecção por HIV deste contexto, não é possível. É necessária uma maior admissão de responsabilidade: não só e não tanto em relação à doença, a SIDA, mas sobretudo, em relação ao sistema sanitário, o africano. A luta contra a SIDA, nessa perspectiva, pode tornar-se no banco de prova de uma globalização mais responsável, mais humana, de um empenho em contracorrente em relação ao crescente desinteresse internacional para com a África. A Comunidade católica de Santo Egídio entendeu responder elaborando e promovendo o programa DREAM (Drug Resource Enhancement against AIDS and Malnutrition), contra a SIDA e a desnutrição. DREAM representa a realização de um sonho (significado da palavra em inglês), uma abordagem diferente à SIDA que unisse prevenção e terapia, uma abordagem diferente a todo o universo sanitário africano, sem as correntes do pessimismo e da resignação. Este programa de luta contra o HIV/SIDA em África permitiu assistir mais de 25 mil pacientes, para além de ter oferecido tratamento preventivo a mais de 20 mil adultos e crianças. Os 19 centros presentes em seis países africanos, incluindo Moçambique e a Guiné-Bissau oferecem antiretrovirais, educação sanitária, testes de diagnóstico, suplementos nutricionais e o controlo e cura de infecções. Activo desde 2002, o DREAM (Drug Resource Enhancement against AIDS and Malnutrition) está também presente em no Quénia, na Tanzânia, na Nigéria, na Guiné e no Malawi. O programa, totalmente gratuito, revelou-se um dos programas mais eficazes na prevenção e tratamento do HIV/SIDA nos países da África subsaariana. 97% das crianças que nasceram de mães seropositivas que beneficiaram do programa nasceram sãs e, depois de terem iniciado a terapia antiretroviral completa proposta por DREAM, mais de 90% dos adultos vivem bem e estão em condições de recomeçarem a trabalhar e a sustentar a própria família.

BENTO XVI SOBRE SIDA, NA ATUAL VISIT À ÁFRICA

Pergunta: Santidade, entre os muitos males que afligem a África, está também e, em especial, a difusão da AIDS. A posição da Igreja Católica sobre o modo de lutar contra este mal é muitas vezes considerado não realístico e não eficaz. Este tema será enfrentado durante a sua viagem?
Bento XVI – Bom, eu diria o contrário. Penso que a realidade mais eficiente, mais presente, mais forte na luta contra a AIDS seja justamente a Igreja Católica, com os seus movimentos, com as suas diversas realidades. Penso na Comunidade de Santo Egídio, que faz muito – visivelmente e também invisivelmente – na luta contra a AIDS, nos camilianos, em todas as freiras que estão à disposição dos doentes…
Diria que não se pode superar este problema da AIDS somente com o dinheiro. Ele é necessário, mas se não há alma que o saiba aplicar, não ajuda, não se pode superar com a distribuição de preservativos: pelo contrário, aumentam o problema.
A solução é dúplice: a primeira, uma humanização da sexualidade, ou seja, uma renovação espiritual e humana que traga consigo um novo modo de comportar-se um com o outro e, a segunda, uma verdadeira amizade, sobretudo, com as pessoas sofredoras, uma disponibilidade, também com sacrifícios, com renúncias pessoais, para estar com os sofredores. E estes são os fatores que ajudam e que trazem consigo verdadeiros e visíveis progressos..
Por isso, diria que esta nossa dúplice força de renovar o homem interiormente, de dar-lhe força espiritual e humana para um comportamento justo em relação ao próprio corpo e ao do outro, e esta capacidade de sofrer com os sofredores, de permanecer presente nas situações de prova. Parece-me a resposta justa, e a Igreja faz isso e, assim, oferece uma grande e importante contribuição. Agradecemos a todos aqueles que o fazem.
Entrevista de Bento durante a recente viagem de avião para África.
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